23 de October de 2026
Usina de Itaipu
Usina de Itaipu | Itaipu Binacional

O plano anunciado pelo governo de Donald Trump para utilizar energia da usina de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, para abastecer empresas de inteligência artificial pode reduzir a quantidade de eletricidade destinada ao mercado brasileiro nos próximos anos. O alerta é de especialistas em energia ouvidos pelo g1, após o anúncio de uma parceria entre uma empresa americana e uma empresa paraguaia na quarta-feira (21).

Segundo os pesquisadores, o Paraguai tem ampliado o consumo da energia que lhe pertence na hidrelétrica binacional. Com a instalação de novos empreendimentos de grande porte, a tendência é que o país utilize uma parcela cada vez maior da eletricidade e diminua o excedente atualmente disponibilizado ao Brasil.

Pelo Tratado de Itaipu, Brasil e Paraguai têm direito, cada um, à metade da energia produzida pela usina. O acordo prevê que a parcela não utilizada por um dos países seja disponibilizada para ser comprada pelo outro. Historicamente, o Paraguai consumia apenas uma pequena parte da energia a que tinha direito e destinava o excedente ao Brasil. Atualmente, o país utiliza cerca de 74% da sua metade, enquanto os 26% restantes são destinados ao mercado brasileiro.

O acordo anunciado pelos Estados Unidos envolve a empresa americana Crusoe, que desenvolve infraestrutura para inteligência artificial, e a desenvolvedora de projetos de energia e infraestrutura paraguaia Araico. A previsão é que a primeira fase do empreendimento entre em operação em meados de 2027.

O projeto utilizará energia produzida por Itaipu para abastecer uma estrutura de processamento de dados instalada no Paraguai. Segundo o governo americano, a instalação atenderá clientes dos Estados Unidos e da América Latina. O anúncio não detalhou a quantidade de energia que será contratada.

O Brasil não participou das negociações anunciadas pelo governo americano. Itaipu informou que não participou do encontro entre as autoridades e que a utilização da energia destinada a cada país é uma decisão nacional, conforme as regras do tratado binacional.

Para Victorio Oxilia, doutor em Energia e professor da Faculdade Politécnica da Universidade Nacional de Assunção, no Paraguai, a redução do excedente destinado pelo lado paraguaio ao Brasil já está em andamento e pode se acelerar com a chegada de novos consumidores.

“O que dá para prever é que talvez a quantidade disponível de energia para o Brasil diminua bastante. É muito difícil que suma totalmente, mas vai diminuir bastante”, afirma Oxilia.

O especialista explica que o crescimento da demanda paraguaia se intensificou a partir de 2021 e 2022, principalmente pela instalação de empresas que utilizam grandes quantidades de eletricidade, como as dedicadas à mineração de criptomoedas.

Fonte: g1

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