
Como divulgado pelo Acorda Cidade, Feira de Santana registrou um aumento expressivo nos casos de chikungunya em 2026, com 1.868 notificações entre janeiro e a primeira quinzena de outubro, das quais 1.050 foram confirmadas.
Segundo a diretora da Rede Própria da Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana, Verena Liberal, 12 bairros em Feira de Santana são mapeados como epicentros dos novos casos de chikungunya, sendo eles:
- Campo Limpo;
- Centro;
- Conceição;
- Gabriela;
- Lagoa Grande;
- Mangabeira;
- Muchila;
- Pedra do Descanso;
- Ponto Central;
- Queimadinha;
- Rua Nova;
- Tomba.
Estamos trabalhando com 12 bairros que chamam a atenção neste momento em relação ao que a gente chama de zona quente, onde temos índices importantes de infestação do mosquito e um número muito elevado de casos da doença.”
Principais epicentros em Feira de Santana
Em entrevista ao Acorda Cidade, Verena disse que o crescimento está relacionado ao aumento da infestação do mosquito Aedes aegypti.

Entre janeiro e o final de outubro de 2025, houve 30 notificações e 18 confirmações da doença. Com isso, Verena destacou a necessidade de reforçar os cuidados para evitar sua reprodução e, consequentemente, reduzir os casos de contaminação.
“A gente observa que temos uma lacuna grande, um descuido para as orientações de combate ao Aedes aegypti. Então precisamos reforçar. Esses cuidados hoje estão um pouco esquecidos e a gente precisa retomar o cuidado porque quando a gente banaliza, o mosquito volta a se reproduzir em alta velocidade. E se a gente tiver o vírus circulando, a gente acaba aumentando o número de casos.”
Método Wolbachia e atuação dos agentes de endemias
Para auxiliar no combate às arboviroses, Feira de Santana recebeu o método Wolbachia, que utiliza mosquitos que carregam naturalmente a bactéria Wolbachia, capaz de reduzir a capacidade do inseto de transmitir vírus como os da dengue, zika e chikungunya.
“O Wolbachia inicia com a sensibilização e a oferta do conhecimento sobre o método à nossa população. E a gente observa que quando a gente começa a investir também na educação e em saúde, a gente já tem uma sensibilização para o cuidado. Então é a promoção levando à prevenção. A gente nem utilizou ainda de fato a Wolbachia, mas a gente já está dialogando por onde a gente passa, e as pessoas vão adquirindo a consciência de que esse cuidado precisa retornar.”

Ao Acorda Cidade, Verena afirmou que houve contratação e chamamento de novos agentes de combate às endemias, para incorporar o número de pessoas atuando nesse setor, especialmente com a alta nos casos de chikungunya.
Principais sintomas das arboviroses e atendimento
Questionada sobre os principais sintomas da dengue, zika e chikungunya, Verena destacou dor de cabeça, febre, dor no corpo e manchas avermelhadas na pele. A partir disso, o paciente já deve procurar uma unidade de saúde.
“A nossa equipe de saúde, seja na atenção primária, na média complexidade, nos nossos prontos atendimentos, elas estão capacitadas a acolher esse paciente, mas também a fazer o diagnóstico, para a gente ter certeza do tipo de arbovirose, do tipo de adoecimento, e tomar medidas de cuidado, de fazer o tratamento de forma mais assertiva e evitar que esses casos tenham complicações.”
Segundo ela, durante o atendimento, a equipe médica segue critérios epidemiológicos, para também entender se a região onde o paciente mora está registrando casos de arboviroses.

No caso da chikungunya, Verena chamou a atenção para as dores articulares, um dos principais sintomas da doença, que podem persistir por muito tempo após a recuperação do paciente. Com isso, ela reforçou o atendimento nas unidades de saúde.
Faz parte aqui dos nossos atendimentos um acolhimento em todos os níveis de necessidade. Então, tanto de especialistas que o indivíduo precisa passar, quanto de cuidados de reabilitação, que pode ser agendado esse acompanhamento para os nossos munícipes.”
Verena também salientou a importância da notificação dos casos suspeitos de arboviroses para orientar as ações de prevenção e controle das doenças. Segundo ela, esse registro permite que a Vigilância Epidemiológica identifique as áreas afetadas e direcione o trabalho preventivo.
Se a gente não sabe o que está acontecendo na população, se não tem esse dado, se não tem essa notificação, fica difícil a gente fazer um trabalho preventivo.”
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.
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