24 de October de 2026
Gato siamês virou autor de artigo científico após episódio inusitado nos anos 1970
Foto: Chen EdisoN/Pexels

Um gato siamês chamado Chester assinou dois artigos científicos publicados em periódicos respeitados entre as décadas de 1970 e 1980. A história começou com um detalhe que passou despercebido em um texto de física: o uso de “nós” em vez de “eu”, embora o artigo tivesse sido escrito por uma única pessoa.

Reescrever todo o conteúdo à máquina de escrever tomaria dias preciosos, e outros pesquisadores da área já esperavam pela publicação. A solução foi criar um coautor fictício. O escolhido acabou sendo o gato de estimação do físico responsável pelo estudo.

Um erro de digitação que virou piada científica

Foto: betül aloğlu/Pexels

Em 1975, o professor de física Jack H. Hetherington, da Universidade Estadual de Michigan, estudou o comportamento de átomos em diferentes temperaturas. Antes de enviar o artigo ao periódico Physical Review Letters, ele pediu a revisão de um colega.

O revisor percebeu a falha: o artigo inteiro estava escrito na primeira pessoa do plural, como se houvesse dois autores por trás da pesquisa. Como corrigir tudo à mão daria trabalho, Hetherington decidiu resolver o problema de um jeito diferente, sem vincular à publicação o nome de nenhum parceiro de verdade.

Como o gato virou coautor oficial

A escolha recaiu sobre Chester, o gato siamês que dividia a casa com o físico. Para formalizar a brincadeira, Hetherington criou o nome “F. D. C. Willard”, sigla para “Felix Domesticus, Chester”. Willard era o nome do pai do animal.

O artigo recebeu o título “Two-, Three-, and Four-Atom Exchange Effects in bcc 3 He” e descreveu o felino como integrante do departamento de física da instituição. A pesquisa foi citada mais de 60 vezes nos anos seguintes, o que mostra que era levada a sério apesar da autoria inusitada.

Pontos-chave
Gato siamês Chester foi coautor de artigos científicos
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Em 1975, Jack H. Hetherington publicou artigo assinado também por ‘F. D. C. Willard’, pseudônimo do gato Chester.
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Hetherington criou ‘F. D. C. Willard’ como sigla para ‘Felix Domesticus, Chester’ e em referência ao nome do pai do animal.
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O uso de ‘nós’ no manuscrito levou Hetherington a inventar um coautor em vez de reescrever o texto.
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O artigo de 1975 foi citado mais de 60 vezes e descreveu o gato como membro do departamento de física.
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Em 1980, ‘F. D. C. Willard’ apareceu como único autor de um artigo no periódico La Recherche.
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A identidade do pseudônimo nunca foi segredo; colegas sabiam e exemplares foram assinados com a pata do gato.

A brincadeira que nunca foi segredo

A identidade por trás do pseudônimo nunca ficou escondida. Pouco depois, os colegas de Hetherington e outros pesquisadores descobriram a brincadeira. Por isso, exemplares do artigo foram assinados com a pata do animal.

O episódio continuou em 1980, quando o nome “F. D. C. Willard” apareceu como único autor de um texto publicado no periódico francês La Recherche, intitulado “L’hélium 3 solide: un antiferromagnétique nucléaire”.

Um alter-ego que fez história na física

Na segunda publicação, o pesquisador usou o nome do gato como pseudônimo pessoal, sem creditar nenhum outro nome no texto. Décadas depois, o caso de Chester continua lembrado como um dos exemplos mais inusitados de autoria na história da física.