
Um gato siamês chamado Chester assinou dois artigos científicos publicados em periódicos respeitados entre as décadas de 1970 e 1980. A história começou com um detalhe que passou despercebido em um texto de física: o uso de “nós” em vez de “eu”, embora o artigo tivesse sido escrito por uma única pessoa.
Reescrever todo o conteúdo à máquina de escrever tomaria dias preciosos, e outros pesquisadores da área já esperavam pela publicação. A solução foi criar um coautor fictício. O escolhido acabou sendo o gato de estimação do físico responsável pelo estudo.
Um erro de digitação que virou piada científica

Em 1975, o professor de física Jack H. Hetherington, da Universidade Estadual de Michigan, estudou o comportamento de átomos em diferentes temperaturas. Antes de enviar o artigo ao periódico Physical Review Letters, ele pediu a revisão de um colega.
O revisor percebeu a falha: o artigo inteiro estava escrito na primeira pessoa do plural, como se houvesse dois autores por trás da pesquisa. Como corrigir tudo à mão daria trabalho, Hetherington decidiu resolver o problema de um jeito diferente, sem vincular à publicação o nome de nenhum parceiro de verdade.
Como o gato virou coautor oficial
A escolha recaiu sobre Chester, o gato siamês que dividia a casa com o físico. Para formalizar a brincadeira, Hetherington criou o nome “F. D. C. Willard”, sigla para “Felix Domesticus, Chester”. Willard era o nome do pai do animal.
O artigo recebeu o título “Two-, Three-, and Four-Atom Exchange Effects in bcc 3 He” e descreveu o felino como integrante do departamento de física da instituição. A pesquisa foi citada mais de 60 vezes nos anos seguintes, o que mostra que era levada a sério apesar da autoria inusitada.
A brincadeira que nunca foi segredo
A identidade por trás do pseudônimo nunca ficou escondida. Pouco depois, os colegas de Hetherington e outros pesquisadores descobriram a brincadeira. Por isso, exemplares do artigo foram assinados com a pata do animal.
O episódio continuou em 1980, quando o nome “F. D. C. Willard” apareceu como único autor de um texto publicado no periódico francês La Recherche, intitulado “L’hélium 3 solide: un antiferromagnétique nucléaire”.
Um alter-ego que fez história na física
Na segunda publicação, o pesquisador usou o nome do gato como pseudônimo pessoal, sem creditar nenhum outro nome no texto. Décadas depois, o caso de Chester continua lembrado como um dos exemplos mais inusitados de autoria na história da física.