26 de October de 2026
Imagem: Pixabay

Mais de um quarto das crianças e adolescentes avaliados em escolas de Minas Gerais. Do Rio Grande do Sul e de São Paulo apresenta hipertensão, mais conhecida como pressão alta, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia realizado entre junho e outubro de 2026.

O estudo envolveu 6.092 participantes de 38 escolas e também identificou pré-hipertensão em 11,6% deles, um sinal de alerta para o futuro.

O excesso de peso foi associado à pressão alta, e cerca de um terço dos jovens avaliados tinha sobrepeso ou obesidade: 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade. Entre os obesos, a pressão alta atingiu 48,4% dos participantes e chegou a 60,5% entre aqueles de 15 a 18 anos.

Má alimentação, sedentarismo e estresse ampliam o risco cardiovascular ao longo da vida.

Telas e inatividade moldam os hábitos diários e favorecem hipertensão

Mais da metade dos participantes, cerca de 59%, passava mais de três horas por dia diante de telas fora da escola. Celular e televisão dominavam esse tempo: eram usados por 86% e 80% dos participantes, respectivamente. Ao mesmo tempo, dois terços praticavam apenas uma a duas horas de atividade física por semana, embora 93% se exercitassem no ambiente escolar.

A diferença entre o exercício estruturado na escola e a rotina sedentária em casa preocupa pesquisadores. A hipertensão infantil associada à obesidade merece atenção porque as duas condições elevam o risco de doenças cardiovasculares na vida adulta.

A pressão alta geralmente não provoca sinais perceptíveis, o que torna essenciais as medições regulares nas consultas pediátricas. A Academia Americana de Pediatria orienta que elas comecem aos 3 anos e sejam feitas pelo menos uma vez ao ano.

Diferentemente dos adultos, crianças têm valores de pressão considerados normais que variam conforme a idade, o tamanho corporal e a circunferência do braço, e por isso, o diagnóstico exige interpretação profissional. 

Quando diagnosticada cedo, a hipertensão pode ser controlada com mudanças no estilo de vida, muitas vezes sem necessidade de medicamentos.

A Sociedade Europeia de Cardiologia orienta que toda a família participe das mudanças: priorizar vegetais, frutas e alimentos ricos em fibras; reduzir sal, açúcar e bebidas açucaradas; incentivar pelo menos uma hora diária de atividade física moderada a intensa; e limitar o tempo de tela a duas horas por dia.

Se houver sobrepeso, esse fator deve ser tratado junto com a hipertensão. Metas realistas ajudam a manter as mudanças a longo prazo.

Como saber se meu filho tem hipertensão se ele não reclama de nada?

A hipertensão na infância geralmente não causa sintomas que a criança perceba ou consiga relatar, ao contrário de uma dor ou desconforto óbvio. Por isso, a Academia Americana de Pediatria recomenda que a pressão arterial seja medida regularmente a partir dos 3 anos, pelo menos uma vez ao ano, mesmo sem queixa.

A medição deve ser feita corretamente por um profissional e interpretada levando em conta a idade. O tamanho corporal e a circunferência do braço da criança, pois os valores considerados normais variam conforme esses fatores.

A detecção precoce em consultas de rotina é a melhor forma de identificar o problema antes que afete a saúde cardiovascular do seu filho na vida adulta.