
O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) em Feira de Santana, Adriano Costa, denunciou problemas no transporte coletivo durante o segundo turno das eleições 2026, nesse domingo (25). Segundo ele, a oferta insuficiente de ônibus na segunda maior cidade do estado dificultou o deslocamento de eleitores até os locais de votação, especialmente na zona rural do município.
“Iniciativa de boicote do processo democrático eleitoral”
Em entrevista ao Acorda Cidade, Adriano afirmou que o problema foi mais perceptível em comunidades rurais, onde, segundo relatos recebidos pelo partido, algumas linhas deixaram de circular ou funcionaram parcialmente. Ele citou situações nos distritos de Jaguara, Matinha e Maria Quitéria e disse que o PT acionou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e advogados para cobrar providências.
“O maior prejuízo nessa eleição não foi essa decisão judicial. O maior prejuízo para Feira e, principalmente, para Salvador foi essa iniciativa de boicote do processo democrático eleitoral de permitir que o eleitor chegue até as suas seções, até a sua urna, cortando o transporte. Em Salvador, algo muito mais evidente, grotesco, sem tirar os ônibus da garagem, mas em Feira de Santana isso também ocorreu, só que de forma mais sutil, uma modelagem muito mais difícil de se perceber, mas que o povo, o eleitor na ponta percebeu. Por mais que os ônibus saíram da garagem, mas eles não rodaram”, disse o presidente ao Acorda Cidade.
Caronas ajudaram eleitores
Na avaliação de Adriano, a mobilização de moradores para oferecer caronas foi fundamental para reduzir os impactos da falta de transporte. Ele citou exemplos de pessoas que ajudaram idosos e outros eleitores a chegar às seções em comunidades como Matinha, Tiquaruçu e Jaguara.

“Na zona rural os ônibus nem saíram em alguns casos. A gente teve que acionar o TRE, os nossos advogados, e ir lá pressionar em Jaguara. Jaguara só funcionou e depois parou de novo, os relatos é que tinha parado. Na Matinha a mesma coisa; em Maria Quitéria só foi rodar de tarde; os relatos lá a gente tem prova, testemunha, tem gravações, os ônibus ficaram parados ali na cavalaria. Na zona rural isso foi mais agressivo”, afirmou.
O presidente do PT também destacou que o partido organizou fiscais nos colégios eleitorais e acompanhou previamente a questão do transporte. Segundo ele, a Defensoria Pública, provocada pelo partido, acionou o Ministério Público para solicitar que a Prefeitura divulgasse antecipadamente os roteiros dos ônibus.
“Houve uma crise no transporte nessa eleição em Feira de Santana, como já houve em outras, só que dessa vez a gente estava mais organizado. Dessa vez a gente colocou fiscais, nos colégios funcionou; dessa vez o nosso povo se organizou; dessa vez a gente promoveu uma uma rede de solidariedade”, afirmou.
PT também questionou aplicação de decisão judicial
Ainda no domingo (25), Adriano esteve no Tribunal Regional Eleitoral acompanhado de advogados para cobrar o cumprimento da decisão que prorrogou a votação até as 19h. Ele explicou que o pedido era para manter abertas as seções que ainda estavam recebendo eleitores, sem reabrir urnas que já haviam sido encerradas.
“A gente não quer nem questionar a decisão, porque decisão judicial não se questiona. A gente veio aqui, inclusive no TRE, essa noite com os nossos advogados, justamente para que se cumpra a decisão judicial, que era de se manter abertas as urnas que não foram fechadas.”
Apesar das críticas ao transporte, Adriano reforçou que a organização dos eleitores ajudou a reduzir os prejuízos.
Pessoas que souberam que um idoso não tava conseguindo ir votar porque a prefeitura não botou ônibus, foi lá e ofereceu carona: ‘Ó, você quer carona?’ e foi votar. Nós tivemos uma rede de solidariedade nessa eleição em Feira de Santana incrível com a carona solidária. Não quer dizer que não tenha acontecido a ausência, aconteceu, mas os efeitos, as consequências dessa ausência do transporte que deveria ser garantido pelo poder público municipal, os efeitos negativos foram muito menor porque a gente tava organizado pra garantir isso. Na verdade, os eleitores estavam organizados solidariamente, e deu resultado e foram pras urnas.”
Lula foi reeleito presidente da República com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos, no segundo turno das eleições de 2026. Flávio Bolsonaro (PL) ficou em segundo lugar, com 59.826.041 votos (48,21%). O resultado foi anunciado nesse domingo (25) pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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