
O médico e comentarista político César Oliveira, que participou neste domingo (25) da cobertura do 2º turno das Eleições 2026, realizada pelo programa Acorda Cidade, na Rádio Sociedade News FM 102.1, fez um balanço do resultado final do pleito eleitoral, que estabeleceu a reeleição do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o seu adversário, senador Flávio Bolsonaro (PL).

Após ser derrotado no primeiro turno, Lula alcançou uma virada inédita na história das eleições presidenciais do Brasil, obtendo 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio. Ao final da apuração, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabilizou 64.256.232 votos a favor do petista, consagrando-o pela quarta vez como presidente da República. Já o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, obteve 59.826.041 votos.
De acordo com o comentarista César Oliveira, todas as pesquisas apontavam um resultado favorável a Flávio Bolsonaro, mas sempre com empate técnico, dentro da margem de erro. Ele analisa que, apesar da vitória das urnas, Lula enfrentará, a partir de 2027, grandes desafios para governar em seu quarto mandato, com um Congresso que lhe é desfavorável.
“A oposição tem mais votos na Câmara e tem mais votos no Senado, e isso, inevitavelmente, gera uma dificuldade. Lembrando também que a oposição tem 60 milhões de votos, os votos de Bolsonaro. Então é um país dividido, com um Congresso que não lhe favorece e, evidentemente, ele vai ter que novamente manter uma proximidade ou uma sustentação na Suprema Corte, que, aliás, ele vai nomear quatro ministros para a Suprema Corte e isso vai lhe dar uma força muito grande. Mas, indiscutivelmente, será um governo que terá dificuldades para conseguir aprovar medidas e para conseguir obter a vantagem necessária que ele precisa no Senado e na Câmara dos Deputados.”
Movimentação dos eleitores mudou as regras do jogo
Diante do cenário desfavorável apontado pelas pesquisas, a movimentação dos eleitores de Lula nas redes sociais foi crucial para ampliar a vantagem do presidente nos estados e alterou completamente as regras do jogo eleitoral.
“Houve um movimento mais do que o esperado dos eleitores dos outros candidatos para Lula, num percentual maior do que para Flávio Bolsonaro, e uma campanha firmada em duas coisas: uma desconstrução muito forte da imagem do Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, a distribuição de R$ 384 bilhões de investimentos em benesses de última hora.”
Na visão de César, esses dois movimentos foram a combinação perfeita para, inevitavelmente, o eleitorado caminhar a favor de Lula.
“Foi uma quarta vitória inédita e grandiosa. Porque você ser presidente quatro vezes de um país, especialmente aos 81 anos, que ele comemora amanhã, é indiscutivelmente um fato inédito e um mérito muito grande da habilidade política de Lula de ter ficado no imaginário da população.”
Ele pontuou ainda que a mobilização dos dias anteriores ao segundo turno fez com que muitos eleitores indecisos mudassem seu posicionamento, muitos inclusive que migraram o voto de Flávio Bolsonaro para Lula na reta final.
“Essa foi uma eleição em que o movimento final, nos últimos dias, é que realmente decidiu a eleição, porque muita gente ficou para decidir ali na última hora em quem iria dar o seu voto. Então, nós não podemos apontar uma surpresa eleitoral. Os dois estavam disputando o tempo inteiro uma eleição com muita proximidade.”
Segundo turno será judicializado?
Para César Oliveira, apesar das intercorrências que ocorreram durante a votação em relação ao horário, ele não acredita que isso pode levar à judicialização das eleições com o questionamento dos resultados.
“Eu acho que não vai haver um movimento judicial a esse respeito. Até porque Lula ganhou a eleição com quatro milhões e meio de votos a mais e é indiscutível que isso não seria suficiente para mudar esse resultado eleitoral. Mas, de qualquer forma, isso não trouxe um aspecto positivo para o processo eleitoral brasileiro. Do ponto de vista político, sim, vai haver muita discussão, muitos questionamentos, mas não acredito que isso resulte em qualquer processo jurídico que seja capaz de anular o processo eleitoral.”
Por outro lado, ele criticou a decisão do STF, através do ministro Cristiano Zanin, de prorrogar a votação para as 19h, já próximo do fechamento das urnas eletrônicas.
“Infelizmente, a eleição teve essas intercorrências feitas pelo ministro Zanin, um ato completamente intempestivo, mas agora é a gente trabalhar e esperar que o país tenha novamente uma segurança jurídica, que tenha um crescimento sustentado e que a gente possa ter um país novamente com menos divisão ou com menos confronto daqui para frente.”
Pesquisas falharam?
Com relação às pesquisas eleitorais, apontavam para a vitória de Lula logo no primeiro turno e depois mostravam que Flávio Bolsonaro seria o vencedor, ainda que de maneira apertada. No entanto, os resultados foram contrários ao que foi mostrado.
“Eu digo sempre que aqui no Brasil a pesquisa é a pesquisa moqueca. Ela é servida ao gosto do freguês. Elas erraram tremendamente no primeiro turno, quando deram a vitória à Lula, e agora, quando deram, na maioria das 14 pesquisas que estavam aí, elas não davam vitória à Lula, mostravam no máximo um empate técnico. É o que elas vão alegar que acertaram por isso. Mas Lula teve 4 milhões de votos na frente, os institutos de pesquisa foram incapazes de perceber esse tipo de resultado. Ou seja, seguir instituto de pesquisa no Brasil e amarrar dinheiro em perna de cachorro para ver para que lado ele vai é o mesmo resultado.”
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