
O presidente da Associação Feirense de Síndrome de Down, Hamilton Teles, utilizou a tribuna livre da Câmara de Vereadores de Feira de Santana para solicitar apoio dos parlamentares. O apelo, que ocorreu na sessão desta terça-feira (27), teve como objetivo a solicitação de emendas impositivas para a manutenção dos serviços oferecidos pela instituição em 2027.
Para o Acorda Cidade, Teles informou que a associação precisa de aproximadamente R$ 40 mil mensais para manter uma equipe multiprofissional completa, mas atualmente dispõe de metade deste valor. A situação compromete a continuidade dos atendimentos, e o recurso disponível para pagar a neurologista é suficiente para apenas mais dois meses.

“É importante que eles entendam que a verba impositiva pode nos ajudar a continuar com o nosso trabalho lá. Eu peço, reforçando o pedido para que todos os vereadores, todos os políticos entendam que tem que estar próximo dessas instituições que cuidam tão bem dessas pessoas com deficiência”, disse.
A instituição oferece serviços de assistência social, psicologia, fonoaudiologia, neurologia, fisioterapia, neuropsicopedagogia e atividades de música, além de reforço escolar para crianças da região da Lagoa Salgada. Segundo o presidente, ainda há necessidade de ampliar a equipe com um terapeuta ocupacional.
Hamilton destacou também que a associação acolhe não apenas crianças e adolescentes com deficiência, mas também seus familiares, muitos deles em situação de vulnerabilidade social. Além do acompanhamento profissional, a entidade realiza ações de apoio, como a distribuição de leite e cestas básicas para famílias que mais precisam.
“Geralmente são famílias muito pobres e que até a gente tem que buscar o leite nesse programa do leite para tá distribuindo para eles. Agora mesmo recebemos de uma escola cem cestas básicas, nós vamos distribuir para aqueles que mais precisam, então é o acolhimento de toda a família. A gente não acolhe só a criança e o adolescente com deficiência”, explicou o presidente.
Teles também chamou a atenção para a dificuldade de garantir a continuidade dos profissionais. Segundo ele, quando os recursos de um projeto acabam, a instituição pode precisar desligar integrantes da equipe, interrompendo vínculos já estabelecidos com as crianças e os adolescentes atendidos.
“O grande problema é a falta de continuidade profissional. Se a gente tem um bom profissional lá, que as pessoas com deficiência já têm afinidade e, de repente, acaba o dinheiro, a gente tem que demitir. Eles vão para outro lugar e aí acaba quebrando esse vínculo com essas crianças e esses adolescentes com deficiência”, explicou.
Hamilton ressaltou que as emendas impositivas destinadas à associação podem ajudar a planejar a contratação dos profissionais para o próximo ano. Ele também convidou a sociedade a conhecer o trabalho da instituição e a contribuir para a manutenção das atividades.
“Às vezes nossos projetos, mesmo com emenda para saúde, o projeto se for de R$ 100 mil nós conseguimos manter a instituição de seis a oito meses e aí depois acaba esse dinheiro, como é que a gente fica? Então eu peço não só a classe política, mas toda a sociedade que vá nos conhecer, que olhe para essas instituições que estão fazendo um trabalho para cobrir a lacuna, muitas vezes deixada pelo poder público”, finalizou.
A Associação Feirense Síndrome de Down está localizada na Rua Boa Vista de Goiás, nº 74, no bairro Lagoa Salgada, próximo à escola Asas de Papel, na Avenida Nóide Cerqueira.
Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e do grupo no Telegram.