
‘Queremos água, queremos água’, foi o grito da comunidade da Matinha, zona rural de Feira de Santana, na manhã desta sexta-feira (30). Os moradores das localidades voltaram a protestar para denunciar a falta recorrente do abastecimento. Indignados com a situação precária a que estão sendo submetidos, eles levaram para a praça do distrito baldes de águas vazios, panelas e bacias, como símbolos das dificuldades que vêm enfrentando para manter sua sobrevivência.

Mas, apesar de não cair água nas torneiras das casas e todos os transtornos causados pela falta do serviço, os moradores reclamam que os recibos chegam na data todos os meses. Além disso, não só as famílias estão sendo prejudicadas, como também os animais e a produção nas lavouras, que provê o sustento para os próprios agricultores e os consumidores da sede e municípios vizinhos.
“Eu estou prejudicada há mais ou menos quatro meses, pois não cai um pingo de água em minha casa. Vem um carro-pipa, mas ele não supre a necessidade. Primeiro, diz que está colocando 12 mil litros no reservatório, mas não é verdade. A minha conta paguei mês passado R$ 68, e semana passada veio R$ 256,95, mesmo sem a água chegou esse recibo”, afirmou Lucileide, moradora da comunidade Candeia Grossa.

Outra moradora, Michele Santana de Almeida, relatou que a Embasa envia carros-pipas para atender a comunidade, mas só podem receber as pessoas que solicitaram previamente o serviço e estão com seus nomes na lista.
“Se um vizinho por acaso não tiver mais um balde ou reservatório para distribuir aquela água, o carro não pode atender aos outros vizinhos. O veículo simplesmente retorna para a sede da Embasa, porque a água não pode ser distribuída. Ontem fiz um vídeo às 23h19, fiquei esperando e abri a torneira; coloquei o relógio e filmei. Não tinha uma gota de água. Tem casas aqui que já tem mais de 60 dias que não cai água na torneira”, afirmou.

Ela informou que na quinta-feira (29), havia uma reunião agendada com a Embasa e representantes das comunidades, porém de última hora a empresa informou que não poderia participar.
“Recebi uma mensagem deles falando para a gente reunir as lideranças e irmos até à Embasa para conversar. Mas por que a Embasa não vem escutar as comunidades? Por que sempre as comunidades têm que ir até à Embasa? Como vamos construir algo coletivo se a empresa não vem, não escuta os que os moradores estão passando. A gente quer resolver a situação, queremos a solução. Quantas pessoas estão todos os dias de manhã no Programa Acorda Cidade, denunciando a falta de água? Não é só Matinha, são todos os distritos de Feira de Santana. Por que só a zona rural, será que isso é mera coincidência?”, questionou a moradora.
Ela revelou ainda que a comunidade não tem um poço coletivo, apenas uma cisterna antiga. Ela também falou que a falta de água prejudica a permanência de projetos sociais.
“Existe um projeto chamado Comida no Prato, feito por mulheres, que preparam a comida e distribuem entre as comunidades de Jacu, Candeia Grossa e Matinha. Mas sem água, como elas vão preparar essas refeições para serem distribuídas? Estamos sem água para cozinha, para beber, há mais de 60 dias”.

Moradores pedem audiência com a Embasa
A sindicalista Terezinha de Jesus, que faz parte do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Feira de Santana, informou em entrevista ao Acorda Cidade, que a entidade tem se reunido com frequência com as famílias das comunidades da zona rural de Feira de Santana para entender a gravidade da situação.
“Realmente a situação é bem precária, e isso não acontece em Jacu, mas também em outras localidades da região. Aqui na comunidade do Jacu está acontecendo hoje, mas antes de ontem também aconteceu na comunidade de Alto do Tanque. Temos recebido queixas de todos os distritos, como Maria Quitéria, Galhardo, Ipuaçu, Bonfim de Feira, Jaguara, então a situação é bem crítica e precisa de uma atenção especial nesse sentido, porque nós não vivemos sem água”, afirmou.
Além das necessidades básicas do dia a dia, como matar a sede, preparar alimentos e lavar roupas, ela destaca que sem água não é possível cuidar também de pessoas acamadas e que necessitam desse recurso.
“A gente clama às autoridades que nos atendam nesse sentido. Nós nos reunimos ontem à tarde, fizemos um ofício e encaminhamos à Embasa, para realizar uma audiência e juntos buscarmos uma solução para esse problema, que não é de hoje, é recorrente. Todos os anos a gente passa por essa situação. Fazemos manifestações, ofícios, tentamos dialogar com a Embasa. As comunidades mais distantes são as mais sofridas, e hoje a seca está geral”, disse.
Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.
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