30 de October de 2026
Professora Daniela Barreto
Foto: Arquivo Pessoal

A professora universitária Daniele Silva Barreto saiu da região Norte do Brasil para exercer sua cidadania e o direito de voto no segundo turno das eleições, em Alagoinhas, a cerca de 79 km de Feira de Santana. A eleitora percorreu 3 mil km, após deixar o Oiapoque, no Amapá, que faz fronteira com a Guiana Francesa, até chegar à sua cidade natal, no interior da Bahia.

Em entrevista ao Acorda Cidade, Daniele Barreto afirmou que foram seis dias de deslocamento no total.

“Sai de casa, na fronteira, no dia 18 de outubro às 21h. Peguei um ônibus e atravessei os 560 km, boa parte estrada de terra. Fiz a viagem durante a madrugada e cheguei em Macapá às 10 horas da manhã do dia 19. Existem poucos voos saindo de Macapá, então só consegui viajar 3h20 da manhã do dia 20 para Belém. De Belém para o aeroporto de Brasília. De Brasília para Salvador”, relatou.

Daniela fez parte do ‘Exército do Lula’

A professora do curso de Direito revela que decidiu percorrer todo esse trajeto, ao invés de apenas justificar o voto, porque ‘cada voto faz diferença’ na defesa da democracia.

“Eu poderia ter optado pela justificativa eleitoral, considerando a distância e a dificuldade do deslocamento. Mas decidi voltar à Bahia e votar presencialmente. Mesmo vivendo em uma região tão distante, a defesa à democracia exigia sacrifícios. E foi emocionante retornar para a casa onde vivi minha infância e adolescência, e que ingressei na política, na advocacia eleitoral e consultoria política. E mais de uma década sem morar nessa casa, me emocionou retornar para votar, para exercer o direito à cidadania, agora como professora e militante pela educação na Floresta Amazônica e pela democracia.”

Daniele confidenciou ainda que decidiu fazer a viagem no dia 8 de outubro, após fazer parte do canal Exército do Lula, no Whatsapp, e trabalhou para que o atual presidente alcançasse a virada histórica que resultou na sua reeleição para o quarto mandato a partir de 2027.

“Estimulada a gravar vídeos e debater os temas mais sensíveis para as mulheres e população indígena, resolvi que compraria uma passagem e viajaria. Vim para a Bahia votar em Lula. Também fui estimulada por ser provavelmente a última eleição de Lula. Queria ter a memória histórica de ter votado no maior líder da história da América Latina. Não votei no primeiro turno, porque achei que seria a eleição mais fácil da história, e que Lula venceria ainda no primeiro turno, e com larga diferença de votos. Levei um susto com a apuração e resultado do 1º turno. Por isso decidi votar no 2º turno, mesmo que demandasse alto custo financeiro e uma viagem cansativa de mais de 5 dias”, detalhou.

Trajetória política e defesa da Educação

Daniele Barreto ministra aulas no Campus Binacional do Oiapoque, da Unifap, localizado no município do Oiapoque, um dos mais hiper militarizados do Brasil.

“É o município que deu origem à expressão “Do Oiapoque ao Chuí”, sendo os dois pontos mais extremos ao norte e ao sul do país. Oiapoque fica a 560 km de Macapá, numa viagem que tem um trecho de terra, dentro da floresta fechada. Para chegar no Oiapoque, atravessamos por dentro de terras indígenas na BR-156, a obra pública em construção mais velha da história do Brasil.”

De acordo com a professora, ela já atuou como advogada eleitoral para coligações eleitorais e diretórios municipais, foi Procuradora-Geral do município de Alagoinhas, comentarista política e consultora de campanhas eleitorais. Também foi a 1º Youtuber de política do Brasil, em 2009, e trabalhou como colunista em jornais impressos e programas de rádio.

“Deixei a carreira que havia construído para assumir um concurso público como professora de Direito na Universidade Federal do Amapá, no Campus Binacional de Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa. Eu poderia ter continuado trabalhando com Direito e política na Bahia e em Brasília, mas quis experimentar outro caminho. Enxerguei na universidade pública a oportunidade de usar tudo o que havia aprendido na vida jurídica e política para contribuir com a formação de profissionais em uma região historicamente distante das oportunidades oferecidas nos grandes centros.”

Com informações da jornalista Daniela Cardoso, do Acorda Cidade.

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