
O uso intenso de dispositivos digitais durante a infância e a adolescência pode danificar a saúde do cérebro e acelerar o surgimento de demência em gerações futuras, segundo neurologistas.
Essa preocupação reflete a mudança dos últimos 20 anos, período em que métodos de ensino tradicionais cederam espaço à educação digital em larga escala.
Muitos confundem demência com simples esquecimento, mas a condição é mais abrangente. Trata-se de uma síndrome clínica que envolve a perda progressiva de capacidades cognitivas, como memória, linguagem, orientação e percepção espacial. Essa perda reduz gradualmente a autonomia e dificulta a realização de atividades diárias.
Os tipos de demência e seus fatores de risco para o cérebro
A doença de Alzheimer é a forma mais frequente e representa cerca de 50% a 55% dos diagnósticos de demência. Além dela, existem demências vasculares provocadas por lesões na circulação cerebral, geralmente associadas à hipertensão, diabetes e tabagismo.
Outras condições também podem desencadear sintomas demenciais, criando um espectro amplo de causas para alterações cognitivas progressivas.
Nos últimos 20 anos, o uso excessivo de telas gerou desatenção significativa. O bombardeio contínuo de informações dificulta a manutenção do foco e prejudica a capacidade de memorização. Há mais de 20 anos, a Finlândia adotou quase totalmente o ensino digital, substituindo os livros nas escolas.
A primeira geração de jovens adultos formada sob esse modelo, com 20 a 30 anos, apresenta média de QI inferior à dos pais. O isolamento social, a depressão e a poluição também elevam o risco de demência, especialmente em cidades com altos índices de poluição industrial.
A perda auditiva em pessoas com mais de 60 anos aumenta esse risco, muitas vezes pelo isolamento social que provoca.
Estratégias para proteger o cérebro
Embora não exista tratamento capaz de interromper a progressão do Alzheimer e de outras demências, várias estratégias retardam o avanço do dano cognitivo e postergam o aparecimento dos sintomas.
O controle da pressão arterial e do diabetes, aliado a uma alimentação equilibrada e à prática regular de exercícios físicos, fortalece as defesas do cérebro contra a deterioração.
O estímulo cognitivo constante, por meio de leitura, aprendizado e desafios mentais, preserva a capacidade de processamento cerebral. Também é importante evitar o consumo excessivo de álcool, abandonar o tabagismo e manter contatos sociais significativos.
Juntas, essas práticas criam um ambiente neurológico mais resiliente e reduzem o risco de demência precoce. Não existe suplemento comprovadamente eficaz para prevenir a demência ou preservar a memória, e a prevenção deve se basear em hábitos de vida.
Segundo um estudo publicado na revista Annals of neurosciences em 2026, o uso excessivo de telas pode alterar o funcionamento de áreas do cérebro ligadas à atenção e à memória, causando sintomas semelhantes aos da demência, embora essas mudanças possam ser reversíveis se os hábitos forem modificados.