2 de November de 2026
Cemitério Jardim Celestial
Foto: Davi Cerqueira/Acorda Cidade

O Dia de Finados, celebrado neste dia 2 de novembro, é uma data de lembrança e saudade, mas também pode ser um convite para falar sobre um assunto que muita gente evita: a própria morte. Sentir medo diante do desconhecido é natural, mas, quando esse sentimento interfere na rotina, no trabalho e nas relações familiares, pode ser necessário buscar ajuda profissional.

Em entrevista ao Acorda Cidade, o psicólogo Jota Cardoso explicou que o medo está relacionado tanto às incertezas sobre o que acontece depois da morte quanto à possibilidade de deixar pessoas queridas e a vida que se construiu.

“É muito normal ter medo da morte. É um acontecimento, é um evento que a gente desconhece o que acontece depois da morte. Então, esse medo vem pelo desconhecido, após a morte, e vem também com o receio de você deixar pessoas queridas, a vida que você tem aqui, e também entra no campo do conhecimento.”

Segundo o psicólogo, a atenção deve ser redobrada quando o medo se torna desproporcional e impede a pessoa de realizar atividades cotidianas. Ele também alertou para a relação desse sentimento com quadros de ansiedade, pânico e depressão, especialmente quando a preocupação com a morte passa a afetar o convívio social e familiar.

psicólogo Jota Cardoso
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

“A partir do momento que eu tenho o medo da morte e esse medo me leva a ter comportamentos desproporcional no meio social, no convívio com a minha família, eu tenho o pânico por qualquer episódio que eu associo à morte, então ele vai desencadear a ansiedade e certamente uma futura depressão e outros transtornos também, quando ele é desproporcional ao episódio. A pessoa deve procurar um psicólogo. Quando esse medo te incapacita a fazer alguma coisa, então você deve procurar sim um profissional e conforme seja, a partir do nível desse medo, até uma indicação medicamentosa também.”

Espiritualidade, família e qualidade de vida

Ao falar sobre espiritualidade e religião, Jota Cardoso destacou a importância de compreender as crenças de cada pessoa. Na perspectiva religiosa que apresentou durante a entrevista, baseada na Bíblia, ele explicou sua compreensão sobre a morte e a vida após ela.

“O ser humano, ao morrer, ele não sente, ele não vê, então eu preciso entender o que a Bíblia diz. Eu estou falando no campo religioso, o que a Bíblia diz a respeito? É isso que eu creio, depois a morte, a pessoa não sente e não vê. Entenda o que vem pós-morte no campo espiritual. Para o campo espiritual, a morte, o fim, não é aqui na Terra, eu tenho uma vida além da morte. Que vida? A Bíblia explica isso claramente.”

O psicólogo também abordou a situação de pessoas que recebem um diagnóstico de doença grave e sem possibilidade de cura. Nesses casos, ele ressaltou a importância da presença da família, do acolhimento e da oportunidade de expressar sentimentos e rever relações.

A proposta, segundo ele, é priorizar a qualidade de vida e os momentos com pessoas queridas.

“Isso é muito triste para a família e para a pessoa. Então vamos trabalhar o momento daquela pessoa com a família e pessoas queridas presentes, abraçando, demonstrando todo o afeto e abrindo o espaço, abrindo a oportunidade para que aquela pessoa se declare, possa rever o que não foi feito na vida, possa rever a questão do relacionamento familiar, a questão do relacionamento entre amigos, já que o diagnóstico já está fechado. Então o que é que vamos fazer ali? Qualidade de vida, conviver em família.”

Falar sobre a morte ajuda a viver melhor?

Para Jota Cardoso, conversar sobre a finitude pode ajudar a tornar o assunto menos assustador e a enfrentar o sofrimento com mais naturalidade. Em vez de evitar o tema, ele defende que as pessoas tenham espaço para refletir sobre a morte e compartilhar suas angústias.

“Eu acho que nós devemos falar mais sobre a morte. Já que temos a certeza de que a morte vai acontecer, por que eu não posso falar sobre ela? Então falar sobre a morte, ajuda sim as pessoas a entenderem esse evento com mais naturalidade. Assim ela se torna mais natural e o sofrimento é mais amenizado.”

Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.

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