2 de November de 2026
Imagem: Pixabay

Matthieu Ricard, monge budista conhecido mundialmente como o homem mais feliz do mundo, afirma que o bem-estar duradouro passa pelo abandono de três sentimentos: ódio, orgulho e ciúme.

Quando se tornam hábitos mentais, essas emoções corroem aos poucos o equilíbrio interior. Alimentadas com frequência, elas geram conflito, ansiedade e insegurança, dificultando a vida em paz.

O homem mais feliz do mundo falou sobre o peso de carregar emoções

Segundo Ricard, em entrevista à BBC News Mundo, quem se deixa levar pelo ódio, pelo ciúme constante e pelo orgulho se torna escravo das próprias fabricações mentais. A emoção cresce e alimenta o ciclo mesmo sem depender de um fato externo que a justifique.

Ricard é autor do livro Felicidade: um guia para desenvolver a habilidade mais importante da vida. Ele já contou que pensou em chamar a obra de Sofrimento. Segundo o monge, o título refletiria a ideia de que entender a felicidade exige primeiro encarar o que produz dor interna.

Para o monge, a felicidade duradoura depende da liberdade interior. Não se trata de mudar o mundo ao redor, mas de não ficar refém dos próprios pensamentos e de traços mentais que podem se transformar em frustração e sofrimento.

Ricard afirma à BBC News Mundo que o controle sobre as circunstâncias externas é limitado e muitas vezes ilusório. A mente, porém, pode ser treinada e transforma cada situação em motivo de felicidade ou sofrimento, segundo o raciocínio defendido pelo budista.

Em outra ocasião, Ricard questionou o rótulo de homem mais feliz do mundo e disse que ele não faz sentido do ponto de vista científico. Segundo o monge, o estudo realizado em Wisconsin que originou a fama mediu a ativação cerebral ligada à compaixão, não à felicidade.

Ricard também dividiu a autoria de um livro com o filósofo Alexandre Jollien e o psiquiatra Christophe André. A obra ajuda leitores a superar medos, traumas e preconceitos, tema relacionado à defesa de Ricard pelo abandono de hábitos mentais nocivos.

Para quem busca aplicar o conselho de Ricard no cotidiano, o primeiro passo é simples: perceber quando ódio, orgulho ou ciúme surgem e questionar se valem a energia gasta.

O que muda na sua vida quando você abandona essas emoções

Libertar-se do ódio, do orgulho e do ciúme não significa apenas sentir-se melhor por um momento. Também significa abrir espaço mental e emocional para construir relacionamentos mais saudáveis e uma vida mais equilibrada. 

Ao deixar de alimentar essas emoções, a pessoa reduz os conflitos, a ansiedade e a insegurança associados a elas.

É como tirar um peso que nem sabia que carregava. Na prática, isso pode trazer mais clareza para as decisões, relacionamentos mais saudáveis e maior capacidade de aproveitar os bons momentos. 

Em vez de gastar energia lutando contra os próprios pensamentos, a pessoa pode direcioná-la para servir aos outros, aprender, criar e estar presente.