3 de November de 2026
Homem que decidiu viajar pelo mundo sem avião muda os planos após dois anos
Foto: David Bossek via Instagram

David Bossek, alemão que trabalha com ciências ambientais, decidiu cruzar os sete continentes sem entrar em um avião. Desde 2024, ele percorreu mais de 90 mil quilômetros com a expedição “ONE PLANET”, em uma viagem planejada para durar quatro anos e que registra cada emissão de carbono do trajeto.

O objetivo era se conectar com as pessoas e os lugares, em vez de apenas sobrevoá-los. Para isso, montou um itinerário por terra e mar, usando barcos, bicicletas, caronas e até uma balsa que construiu para navegar pela Amazônia boliviana.

Com poucos recursos, Bossek acampava a maior parte do tempo, trabalhava como tripulante de embarcação e não deixava que o dinheiro definisse seu trajeto.

Os primeiros obstáculos do caminho

Foto: David Bossek via Instagram

Depois de atravessar o Atlântico em um veleiro que partiu de Cabo Verde, Bossek desembarcou no Brasil, onde foi roubado. Seguiu por terra até Ushuaia, no sul do continente, participou de uma expedição à Antártida e depois avançou para o norte em diferentes meios de transporte.

As dificuldades surgiram rapidamente, e ao tentar entrar no Panamá, as autoridades negaram sua entrada, e ele precisou encontrar uma rota alternativa. O viajante reconheceu que seu passaporte alemão abriu muitas portas que permanecem fechadas para pessoas de outras nacionalidades. Também refletiu sobre os momentos de dúvida e sobre como eles impulsionam o crescimento pessoal.

O orçamento reduzido exigiu criatividade, e além de acampar e trabalhar em embarcações, Bossek construiu uma balsa na Amazônia boliviana para continuar a jornada sem depender de transporte comercial.

A primeira quebra de promessa após dois anos

Pela primeira vez em mais de dois anos, Bossek viajou de avião, no fim de 2025, e quebrou a promessa de evitar voos. Ao tentar atravessar o Canadá por terra, ele enfrentou uma situação sem saída: a única opção convencional seria esperar meses por um ferry sazonal para o México, enquanto dois projetos de documentário cinematográfico o aguardavam.

Diante dessa escolha, ele decidiu embarcar em um avião. Reconheceu que o voo anulou grande parte do carbono economizado durante meses de viagem terrestre e marítima, mas argumentou que manter uma narrativa perfeita de zero voos não deveria se sobrepor aos objetivos científicos, sociais e de registro da expedição. Para ele, a circunstância justificava a decisão, embora as emissões permanecessem.

Linha do tempo
Linha do tempo da expedição ONE PLANET
Desde 2024
Percorreu mais de 90 mil quilômetros com a expedição ONE PLANET, planejada para durar quatro anos e que registra cada emissão de carbono do trajeto.
Depois de atravessar o Atlântico em um veleiro que partiu de
Desembarcou no Brasil, onde foi roubado; seguiu por terra até Ushuaia e participou de uma expedição à Antártida.
Ao tentar entrar no Panamá
As autoridades negaram sua entrada, e ele precisou encontrar uma rota alternativa.
Na Amazônia boliviana (período da viagem)
Construiu uma balsa para navegar na região e continuou a jornada sem depender de transporte comercial.
Pela primeira vez em mais de dois anos
Viajou de avião no fim de 2025, quebrando a promessa de evitar voos ao atravessar o Canadá por terra sem opção viável dentro do prazo dos projetos de documentário.
Do México
Seguiu para o Panamá e navegou até as Ilhas Galápagos e as Marquesas, na Polinésia Francesa, antes de chegar à Austrália.
Estimativa de retorno em 2028
Tem a Alemanha como destino final e estima voltar em 2028, embora não trabalhe com prazos rígidos e admita desvios na rota.

A continuação rumo ao Sudeste Asiático

Do México, Bossek seguiu para o Panamá e navegou até as Ilhas Galápagos e as Marquesas, na Polinésia Francesa, antes de chegar à Austrália. No interior do continente australiano, explorou comunidades afastadas dos circuitos turísticos convencionais em cidades como Alice Springs, documentando paisagens e pessoas com uma perspectiva fora dos roteiros tradicionais.

Depois, conseguiu uma vaga como tripulante em um barco com destino ao Sudeste Asiático, e assim, continuou a jornada sem fazer outro voo.

A caminho do Sudeste Asiático e do Oriente Médio, Bossek enfrenta um desafio adicional. Ele fala alemão, inglês e espanhol com fluência e tem conhecimentos de francês e estoniano, mas as próximas etapas o levarão a novas barreiras linguísticas.

A expedição “ONE PLANET” tem a Alemanha como destino final. Bossek estima voltar em 2028, mas não trabalha com prazos rígidos e admite desvios na rota para documentar histórias inesperadas. O clima, a disponibilidade de embarcações, as fronteiras e os contextos políticos podem alterar os planos a qualquer momento.

O projeto continua centrado no registro da pegada de carbono e na conexão com os lugares visitados, equilibrando os ideais ambientais com as exigências práticas de uma jornada em escala planetária.

Se ele voou uma vez, então não completou o desafio?

Foto: David Bossek via Instagram

Tecnicamente, não, e bossek argumenta, porém, que esse não deveria ser o ponto principal. Ele admite que o voo anulou grande parte do carbono economizado nos meses anteriores e que a decisão quebrou a promessa original.

Ainda assim, considera menos importante manter uma narrativa perfeita de “zero voos” do que cumprir os objetivos científicos, sociais e de registro da expedição: medir a pegada de carbono, se conectar com comunidades reais e documentar a jornada. A quebra foi pragmática e documentada, não uma volta silenciosa ao conforto, o que, para ele, a diferencia da desistência do projeto.

Por que Bossek escolheu ciências ambientais como pano de fundo

David Bossek trabalha na área de ciências ambientais, e essa formação moldou o projeto “ONE PLANET”. Ele pensa em termos de pegada de carbono, impacto ambiental mensurável e documentação precisa. Para Bossek, não se trata de um desafio de ego, mas de uma pesquisa realizada durante a própria viagem.

Essa base profissional também explica por que ele não deixa que o dinheiro defina o trajeto: viajar com poucos recursos não é apenas uma escolha de vida, mas parte da metodologia do projeto, que busca uma conexão mais autêntica com as pessoas e os lugares que encontra.