3 de November de 2026
Cientistas calculam o risco do asteroide para a Terra
Foto: NASA Hubble Space Telescope/Unsplash

O asteroide 99.942 Apophis, apelidado de “Deus do Caos”, fará sua maior aproximação da Terra em séculos — ou talvez em toda a história humana — na sexta-feira, 13 de abril de 2029. Ele ficará a apenas 32 mil quilômetros do planeta, distância menor que a órbita de muitos satélites artificiais.

Com aproximadamente 333 metros de diâmetro, Apophis oferecerá uma oportunidade científica singular para observar os efeitos da atração gravitacional da Terra sobre um corpo rochoso de grande porte. A passagem será completamente segura: a NASA descarta qualquer risco de colisão por pelo menos um século.

Ainda assim, o encontro deixará marcas, e a gravidade da Terra alterará a órbita de Apophis ao redor do Sol. A mudança não causará dano imediato, mas o asteroide, que já foi considerado o maior corpo conhecido em rota de colisão com a Terra. Pode voltar a uma trajetória de risco no futuro.

Do medo à certeza científica

Para quem estiver sob um céu limpo, o asteroide aparecerá como um ponto brilhante cruzando o céu, sem necessidade de telescópio ou equipamento especial. Será um espetáculo astronômico que nenhum outro corpo celeste de tamanho comparável proporcionou em gerações.

Apophis carrega um nome que reflete o pavor inicial da comunidade científica. Descoberto em junho de 2004, as primeiras observações e cálculos orbitais sugeriram uma possível rota de colisão com a Terra.

A divindade egípcia Apep, representada por uma serpente gigante e símbolo de destruição e caos, emprestou seu nome ao asteroide — uma escolha que capturava bem a ansiedade dos astrônomos daquela época. Conforme novos dados orbitais foram coletados ao longo dos anos, os pesquisadores descartaram o risco imediato em 2029.

Uma preocupação diferente, porém, surgiu: a passagem tão próxima alteraria a órbita de Apophis de forma tão drástica que ele poderia cruzar um ponto específico no espaço. Ali, a gravidade terrestre atuaria com força suficiente para fazer o asteroide girar e, teoricamente, voltar a uma trajetória de colisão anos depois.

Estudos posteriores tranquilizaram a comunidade científica: simulações descartam qualquer impacto até pelo menos 2.229, e mesmo a possibilidade de atingir a Lua após 2.129 é mínima.

Um espetáculo visível a olho nu

Durante a aproximação de 2029, observadores em regiões com céu limpo poderão ver o asteroide como um pequeno ponto luminoso percorrendo o céu, sem necessidade de telescópio, binóculo ou qualquer equipamento óptico.

A visibilidade será possível porque a distância de 32 mil quilômetros, embora pareça imensa em termos terrestres, coloca Apophis dentro do alcance visual humano para um objeto de seu tamanho.

Essa proximidade permitirá aos cientistas estudar diretamente como a gravidade planetária afeta a rotação e a estrutura de um asteroide massivo, dados impossíveis de coletar de longe.

Ao mesmo tempo, o encontro será um momento raro de contato com fenômenos do espaço. Ele transformará em oportunidade de aprendizado compartilhado um evento que gerou medo décadas atrás.

O que os detritos espaciais têm a ver com o asteroide

A preocupação mais recente não é com a Terra, mas com a própria observação científica. O Apophis cruzará a região onde orbitam milhares de satélites e restos de antigas missões. Estudos indicam que alguns desses detritos poderão passar a poucos quilômetros da rocha.

Um choque, mesmo sem alterar a trajetória do asteroide, poderia abrir uma cratera ou levantar poeira e fragmentos da superfície, o que tornaria mais difícil separar os efeitos naturais da gravidade terrestre daqueles causados pela colisão. Na prática, isso reforça a necessidade de monitorar com mais atenção os pequenos objetos que permanecem em órbita ao redor do planeta.

Um nome que assusta, mas um asteroide menos perigoso do que parece

Perguntas e respostas
P
Quando será a maior aproximação do asteroide Apophis à Terra?
R
Sexta-feira, 13 de abril de 2029.
P
A que distância Apophis passará da Terra nessa aproximação?
R
Apenas 32 mil quilômetros do planeta.
P
Apophis poderá ser visto a olho nu durante a aproximação de 2029?
R
Sim; observadores em regiões com céu limpo poderão vê‑lo como um pequeno ponto luminoso cruzando o céu, sem necessidade de telescópio ou binóculo.
P
A passagem de 2029 representa risco imediato de colisão com a Terra?
R
Não; a NASA descarta qualquer risco de colisão por pelo menos um século.
P
Por que há preocupação relacionada a detritos espaciais durante a passagem de Apophis?
R
Porque Apophis cruzará a região onde orbitam milhares de satélites e restos de missões, e um choque com esses detritos poderia abrir uma cratera ou levantar poeira e fragmentos, dificultando distinguir efeitos naturais da gravidade daqueles causados por uma colisão.

Quando foi descoberto, em 2004, o Apophis foi considerado o maior asteroide conhecido em rota de colisão com a Terra, e a imprensa tratou o caso com alarme. O nome, ligado à serpente egípcia do caos, parecia reforçar o temor. Com observações mais detalhadas da órbita, porém, o risco foi totalmente afastado para os próximos 100 anos.

O episódio mostra como dados incompletos podem gerar alarmes exagerados, e como a ciência corrige as próprias previsões à medida que aprende mais.