3 de November de 2026
Academia de Letras da Bahia
Foto: Reprodução / Site da Academia de Letras da Bahia

A partir desta quarta-feira (4) até o dia 6 de novembro, a Academia de Letras da Bahia (ALB), a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e a Fundação Pedro Calmon (FPC) promovem o III Seminário Afrânio Peixoto. A programação é extensa e inclui atividades na capital baiana e em Feira. O seminário antecipa as comemorações pelos 150 anos de nascimento do médico, político, professor, crítico literário, ensaísta, romancista e historiador brasileiro Afrânio Peixoto, a serem celebrados em 17 de dezembro.

Nesta quarta-feira, 4 de novembro, a partir das 14h30, a ALB sedia a conferência “Nacionalismo e regionalismo: a brasilidade de Afrânio Peixoto”, com o acadêmico Arno Wehling, da Academia Brasileira de Letras (ABL), e mediação de Aleilton Fonseca, presidente da ALB. Para Wehling, o Brasil precisa redescobrir a genialidade de Afrânio Peixoto. “Resgatar sua vida e obra envolve vários aspectos, como a valorização de um polígrafo, que foi grande romancista, ensaísta, autor de livros técnicos de medicina e educador, numa época como a de hoje em que o saber é cada vez mais especializado”, avalia.

Afrânio Peixoto foi fundador da Cadeira nº 25 da Academia de Letras da Bahia. Aleilton Fonseca, presidente da ALB, destaca a abrangência e o caráter precursor da obra do escritor baiano ao tratar de temas que valorizavam a cultura nacional. “Ele foi o mais importante escritor de sua época. Fez abordagens e procedimentos narrativos que inserem a representação das manifestações culturais, sobretudo da Chapada Diamantina (Lençóis) e do Sul da Bahia (Canavieiras), contribuindo para a ampliação do mapa literário da Bahia e do Brasil”, afirma.

Arno Wehling também define Afrânio Peixoto como um intelectual preocupado com o fortalecimento da identidade nacional, tanto pelas ações quanto pelas obras. “Em minha conferência na Academia de Letras da Bahia vou destacar justamente este ponto, o de que Afrânio Peixoto soube conciliar nacionalismo e regionalismo, justapondo-os e não os opondo. Em outras palavras, um nacionalista moderado, sem xenofobia e sem recusa do espírito local”, conclui.

Feira de Santana

Nos dias 5 e 6 de novembro, o III Seminário Afrânio Peixoto vai reunir pesquisadores e estudiosos na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). “A programação inclui conferências, mesas-redondas e sessões de comunicação dedicadas à vida e à obra do autor”, explica o professor Patrício Barreiros, coordenador do evento.

Na abertura, dia 5, Marcos Antonio de Moraes (IEB-USP-CNPq) profere a palestra “Acervos de Escritores e os Estudos Literários no Brasil: o caso do acervo de Mário de Andrade”, e, à tarde, acontece a mesa “Arquivos Baianos”, com pesquisadoras da Ufba, do Centro de Memória da Bahia/Fundação Pedro Calmon e da Uefs.

No segundo dia, 6 de novembro, a programação é dividida em sessões de comunicação sobre edição de cartas e sobre propostas de edição de obras literárias e não literárias de Afrânio Peixoto e de outros autores baianos, reunindo estudantes e pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL) da Uefs. Às 10h30, o acadêmico Arno Wehling profere mais uma palestra, desta vez com o tema “Essência e Historicidade em Afrânio Peixoto”. O encerramento será com a palestra “Por uma filologia dos acervos de escritores”, de Patrício Nunes Barreiros (Uefs-CNPq).

Este seminário também resulta do Convênio de Cooperação Técnica nº 033/2023, firmado entre a Uefs e a Fundação Pedro Calmon, em parceria com o Centro de Memória da Bahia e a Casa Memorial Afrânio Peixoto. O projeto tem financiamento da Finep, da Capes, do CNPq e da Uefs.

Trajetória

Júlio Afrânio Peixoto foi um médico, político, professor, crítico literário, ensaísta, romancista e historiador brasileiro. Ocupou a Cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL), para a qual foi eleito em 7 de maio de 1910, e a Cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Filologia, da qual foi fundador. Foi o terceiro ocupante da Cadeira nº 7, na sucessão de Euclides da Cunha, sendo recebido em 14 de agosto de 1911 pelo acadêmico Araripe Júnior.

Nasceu em 17 de dezembro de 1876 na cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina. Criado no interior da Bahia, cujos cenários constituem a situação de muitos dos seus romances, sua formação intelectual se fez em Salvador, onde se diplomou em Medicina, em 1897, como aluno laureado. Em 1902, a chamado de Juliano Moreira, mudou-se para o Rio, onde foi inspetor de Saúde Pública (1902) e diretor do Hospital Nacional de Alienados (1904).

A sua estreia na literatura se deu dentro da atmosfera do simbolismo, com a publicação, em 1900, do drama Rosa Mística, curioso e original drama em cinco atos, luxuosamente impresso em Leipzig, com uma cor para cada ato. O próprio autor renegou essa obra, anotando, no exemplar existente na Biblioteca da Academia, a observação: “incorrigível. Só o fogo.” Em 1941, visitou a terra natal, Bahia, depois de 30 anos de ausência, e publicou dois livros: Breviário da Bahia (1945) e Livro de Horas (1947).

O escritor baiano foi presidente da ABL de 1922 a 1924. Na Academia, pertenceu à Comissão de Redação da Revista (1911-1920), à Comissão de Bibliografia (1918) e à Comissão de Lexicografia (1920 e 1922). Presidente da Casa de Machado de Assis em 1923, promoveu, junto ao embaixador da França, Alexandre Conty, a doação pelo governo francês do palácio Petit Trianon, construído para a Exposição da França no Centenário da Independência do Brasil. Em 1923, criou a Biblioteca de Cultura Nacional, dividida em: História, Literatura, Dispersos e Bio-bibliografia, iniciando esta série com a biografia de Castro Alves. Em sua homenagem, a coleção passou a ter o nome de Coleção Afrânio Peixoto.

Era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Nacional de Medicina Legal, do Instituto de Medicina de Madri e de outras instituições. Faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 12 de janeiro de 1947, aos 70 anos.

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