3 de November de 2026
Rua São José_ bairro Rocinha_Foto Paulo José_Acorda Cidade (1)
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são consideradas favelas as localidades onde predominam domicílios com insegurança jurídica da posse e que apresentem pelo menos uma característica relacionada à precariedade urbana, como deficiência de serviços públicos, infraestrutura construída fora dos padrões urbanísticos definidos pelo poder público ou ocupação de áreas não permitidas por lei.

Com base nesse conceito, segundo o IBGE, Feira de Santana tem 49 favelas, onde vivem 44.699 pessoas. Os números são do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo órgão em alusão ao Dia da Favela, lembrado nesta quarta-feira, dia 4 de novembro.

O levantamento coloca a segunda maior cidade da Bahia como também a segunda com a maior quantidade dessas localidades e a quarta em número de moradores. Só para ter uma ideia, Feira de Santana tem 616.272 habitantes no Censo 2022. Portanto, aproximadamente 7,3% da população recenseada no município vivia em favelas.

O Dia da Favela faz referência à primeira vez em que o termo “favela” foi utilizado em um documento oficial, no Rio de Janeiro, em 1900. Após 50 anos, o IBGE voltou a utilizar a nomenclatura “favela” no Censo Demográfico 2022, depois de consultas a especialistas e movimentos sociais.

Quais são as favelas de Feira de Santana?

Segundo dados do Censo Demográfico 2022 IBGE, disponibilizados ao portal Acorda Cidade, a maior comunidade é a Rocinha, com 3.470 moradores. Em seguida aparecem Santa Mônica II (2.374), Avenida de Canal (1.871), Agrovila 6 (1.848) e Nova Esperança (1.797). Juntas, as cinco reúnem 11.360 pessoas. No total, 17 comunidades têm mais de mil moradores. Entre as menores estão Conjunto Liberdade (164), Limoeiro (218), São João do Cazumbá (232), Asa Branca (236) e Vila Fluminense (273).

As 10 maiores favelas ou comunidades de Feira de Santana

  1. Rocinha: 3.470
  2. Santa Mônica II: 2.374
  3. Avenida de Canal: 1.871
  4. Agrovila 6: 1.848
  5. Nova Esperança: 1.797
  6. Lagoa do Chico Maia: 1.784
  7. 35 BI: 1.704
  8. Rua Nova: 1.582
  9. Gabriela I: 1.580
  10. Jussara 1 e 2: 1.553

Tabela completa por ordem alfabética: população residente em favelas e comunidades urbanas de Feira de Santana (BA)

População

  1. 35 BI 1.704
  2. Agrovila 6 – 1.848
  3. Alto do Papagaio 532
  4. Asa Branca 236
  5. Avenida Anchieta/Ayrton Senna 360
  6. Avenida de Canal 1.871
  7. Conjunto Liberdade 164
  8. Estrada da Ferradura 1.079
  9. Estrada da Terra Dura 312
  10. Feira 5 566
  11. Feira X 777
  12. Frei Inácio Loiola 288
  13. Gabriela I 1.580
  14. Humildes 833
  15. Invasão do Feira IV 346
  16. Irmã Rosa 580
  17. Jaíba 859
  18. Jussara 1 e 2 1.553
  19. Lagoa do Chico Maia 1.784
  20. Lagoa do Prato Raso 1.450
  21. Loteamento Armando Araújo/Jardim Brasil 698
  22. Loteamento da Lagoa 925
  23. Loteamento Parque São José 810
  24. Loteamento Tupinambá 418
  25. Mangabeira I 310
  26. Monte Pascoal 1.322
  27. Nossa Senhora da Paz 512
  28. Nova Esperança 1.797
  29. Alto do Papagaio 1.350
  30. Parque das Águas 698
  31. Parque Regência 1.287
  32. Parque São Jorge/Lagoa Juca Campelo 505
  33. Renascer 1.060
  34. Rua Lençóis 298
  35. Rua Nova 1.582
  36. Santa Rita 668
  37. São João do Cazumbá 232
  38. Sérgio Carneiro 697
  39. Três Riachos 611
  40. Vila Fluminense 273
  41. Vila São José 298
  42. Limoeiro 218
  43. Loteamento Campelo/Parque Zé Matim 1.549
  44. Marcos Figueiredo 841
  45. Santa Quitéria 383
  46. Santo Antônio dos Prazeres 338
  47. Zé Ronaldo (Campo Limpo) 453
  48. Santa Mônica II 2.374
  49. Rocinha 3.470

Fonte da tabela: IBGE – Censo Demográfico 2022, cedido ao Acorda Cidade. Tabela 9884. Dados do Universo.

Favelas na Bahia

Conforme o IBGE, na Bahia, foram identificadas 572 favelas em 2022, o equivalente a 4,6% das 12.348 registradas em todo o Brasil. O estado tinha o oitavo maior número dessas localidades no país.

Dos 417 municípios baianos, 28 (6,7%) tinham favelas. Salvador concentrava quase metade do total estadual, com 262 localidades, o equivalente a 45,8%. A capital baiana tinha o quinto maior número de favelas do Brasil.

Depois de Salvador e Feira de Santana, os municípios baianos com mais favelas eram Camaçari, com 47; Lauro de Freitas, com 35; e Itabuna, com 34.

Gráfico de cidades com mais favelas na Bahia
Fonte: IBGE

Bahia tem mais de 1,3 milhão de moradores em favelas

O Censo 2022 identificou 1.370.202 pessoas vivendo em favelas na Bahia. Isso significa que aproximadamente um em cada dez moradores do estado estava nessas localidades.

O número representa 9,7% da população baiana, colocando o estado na quarta posição nacional em quantidade de moradores de favelas e na sétima em proporção da população.
Salvador tinha a quarta maior população residente em favelas entre os municípios brasileiros: eram 1.033.258 pessoas, o equivalente a 42,7% dos habitantes da capital, cerca de quatro em cada dez moradores.

Na sequência, entre os municípios baianos com maiores populações nessas áreas, aparecem:

• Ilhéus: 64.364 moradores;
• Camaçari: 54.526 moradores;
• Feira de Santana: 44.699 moradores;
• Lauro de Freitas: 42.079 moradores.

As favelas mais populosas da Bahia

A favela de Beiru/Tancredo Neves, em Salvador, era a mais populosa da Bahia em 2022, com 38.871 moradores. No ranking nacional, ocupava a décima posição. Em seguida, aparece Pernambués, também na capital baiana, com 35.110 habitantes, sendo a 11ª mais populosa do Brasil.

O top 5 estadual é completado por outras três localidades de Salvador:

• Valéria: 21.635 moradores;
• Bairro da Paz: 20.509 moradores;
• Santa Cruz: 19.833 moradores.

Fora da capital, a favela mais populosa da Bahia era Teotônio Vilela, em Ilhéus, com 12.788 moradores. Ela ocupava a 14ª posição no ranking estadual.

População é mais feminina, preta e menos longeva

O levantamento do IBGE obtido pelo portal Acorda Cidade também identificou diferenças no perfil da população que vive nas favelas baianas em comparação com o conjunto dos moradores do estado. Nas favelas, as mulheres representam 53,4% da população, o equivalente a 732.068 pessoas.

Na Bahia como um todo, essa proporção é de 51,7%. A população residente nessas localidades também é menos longeva. Apenas 12,7% dos moradores têm 60 anos ou mais, o que corresponde a 174.399 pessoas. No conjunto do estado, a proporção de idosos é de 15,3%.

Outro dado que chama atenção é a proporção de pessoas que se declaram pretas. Nas favelas baianas, elas representam 39,2% dos moradores, ou 537.030 pessoas. O percentual é quase o dobro do registrado na população estadual como um todo, de 22,4%.

Infraestrutura urbana apresenta maiores carências

Os dados do Censo 2022 também apontam diferenças nas condições de infraestrutura urbana entre as favelas e as demais áreas da Bahia. A presença de calçadas ou passeios é uma das desigualdades identificadas. Apenas 40,1% dos moradores de favelas viviam em ruas com esse tipo de estrutura. Fora dessas localidades, o percentual chegava a 78,8%.

A arborização também é uma questão importante. Nas favelas baianas, três em cada quatro pessoas (74,5% da população) moravam em ruas sem árvores. Nas áreas fora de favelas, esse percentual era de 51,8%.

Outro indicador é a acessibilidade. Apenas 1,5% dos moradores de favelas contavam com rampa para cadeirantes nas ruas onde viviam. Fora dessas localidades, a proporção era de 10,9%.

Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e do grupo no Telegram.