
O Hospital Estadual da Criança (HEC), em Feira de Santana, realizou, no dia 30 de outubro, sua primeira infusão intratecal de nusinersena, medicamento utilizado no tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME). O procedimento foi realizado em uma criança de dois anos, residente em Santo Estêvão, que já era acompanhada pela equipe especializada do hospital e se tornou a primeira paciente a receber essa terapia na instituição.
A nusinersena é uma terapia modificadora da doença que atua sobre o gene SMN2, favorecendo a produção da proteína SMN funcional, essencial para a sobrevivência dos neurônios motores. Embora não represente uma cura, o medicamento pode modificar a evolução da AME, contribuindo para preservar ou melhorar a função motora.
Disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes que atendem aos critérios clínicos estabelecidos no protocolo nacional, o tratamento é administrado por via intratecal, diretamente no espaço que contém o líquido cefalorraquidiano. Por exigir estrutura hospitalar adequada e profissionais capacitados, sua aplicação demanda organização específica dos serviços de saúde.
Nesse contexto, a realização da primeira infusão de nusinersena representa um avanço para o HEC e para a assistência especializada na região centro-leste da Bahia. Referência em atendimento materno-infantil de média e alta complexidade, a unidade recebe pacientes de diferentes municípios baianos e fortalece sua atuação no cuidado a crianças com condições neurológicas complexas.
A realização do procedimento em sua própria estrutura amplia as possibilidades de assistência oferecidas pelo hospital e representa um passo importante para aproximar tratamentos de alta complexidade das famílias do interior, contribuindo para reduzir a necessidade de deslocamentos para outras localidades em busca desse tipo de atendimento.

O procedimento foi conduzido pela equipe de Neurologia, formada por Lígia Campos e Nadson Bruno, em parceria com os profissionais do Centro Cirúrgico: Magnum, anestesiologista; Jaslany, enfermeira; e Joice, técnica de enfermagem. Para a neurologista Lígia Campos, a realização da infusão representa uma conquista importante para os pacientes e suas famílias.
“A AME é uma doença genética rara que afeta os neurônios responsáveis pelo movimento do corpo. Com o tempo, as crianças podem perder força muscular, o que compromete atividades básicas, como andar, engolir e até respirar. Hoje, temos tratamentos que podem modificar a evolução da doença. Esse procedimento foi um verdadeiro trabalho em equipe e demonstra que a saúde pública está trazendo tratamentos de alta complexidade para mais perto das famílias da nossa região”, destaca.
O HEC conta com ambulatório de Neuropediatria e Neuromuscular, onde são avaliadas e acompanhadas crianças com diferentes condições neurológicas, incluindo a AME. A atuação desses serviços integra o cuidado especializado oferecido pela instituição a pacientes que necessitam de acompanhamento neurológico contínuo.
O Hospital Estadual da Criança é uma unidade materno-infantil de média e alta complexidade, 100% SUS, pertencente à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e gerida pela Liga Álvaro Bahia, onde o cuidado com a infância é prioridade todos os dias.
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