
O Museu Casa do Sertão da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) apresenta a exposição O Sertão de Canudos por Trípoli Gaudenzi. A mostra reúne treze obras, doadas pelo artista à instituição em 1999, que recriam o Arraial de Bello Monte, sua vegetação, seus habitantes, as expedições militares e o drama humano que marcou o conflito.
Entre cores, formas e personagens, Gaudenzi transfigura a narrativa histórica em uma experiência visual, transformando acontecimentos e personagens em memória viva, trazendo à superfície as marcas profundas deixadas pela violência, destruição e a luta de um povo.
Nascido em Salvador, na Bahia, Trípoli Gaudenzi iniciou sua trajetória artística na década de 1960, quando integrou o Grupo Bazarte. Ao longo da carreira, participou de exposições no Brasil e no exterior, e suas experiências na Europa contribuíram para o desenvolvimento de sua produção artística. Inspirado pela leitura de Os Sertões, de Euclides da Cunha, iniciou pesquisas sobre Canudos e desenvolveu, a partir de 1990, o Projeto Canudos, uma extensa série de desenhos e pinturas dedicadas à história do conflito.
A exposição conta também com esculturas de Evaldo Oliveira, artesão natural de Canudos e pesquisador do movimento conselheirista. Sua relação com a escultura começou com o entalhe de uma coruja em madeira, figura que se tornou sua marca artística e inspirou a criação de peças relacionadas à história de Canudos e de Belo Monte. Dedicado à preservação e à divulgação da memória local, Evaldo tem obras presentes em espaços culturais e memoriais no Brasil.

A presença de Evaldo Oliveira amplia a representação artística da história de Canudos na exposição, reunindo a pintura e a escultura como formas de expressão da memória, da identidade e da cultura sertaneja.
A mostra contribui para manter viva a memória de um acontecimento fundamental da história brasileira. Ao reunir pinturas e esculturas inspiradas nesse contexto, a exposição valoriza diferentes expressões artísticas e destaca a importância de preservar e divulgar a história e a cultura do sertão baiano, aproximando o público dos acontecimentos e das experiências humanas que marcaram esse período.
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