5 de November de 2026
Falta de água - seca - povoado de Formiga, no distrito de Maria Quitéria
Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

Como já divulgado pelo Acorda Cidade, diversos moradores da zona rural de Feira de Santana têm enfrentado períodos prolongados sem abastecimento de água. A situação afeta principalmente comunidades dos distritos de Matinha, Maria Quitéria e Tiquaruçu, onde as dificuldades de acesso à água têm gerado reclamações frequentes da população.

O problema foi relatado diversas vezes ao Acorda Cidade por moradores de diferentes localidades. Ouvintes também mencionaram períodos de até 60 dias sem receber água nas torneiras. Entre as reclamações, há relatos de falta de abastecimento em Tiquaruçu e na região de Igarapé, no distrito de São José, onde um morador afirmou estar há mais de dois meses sem água.

Em entrevista ao programa, nesta quinta-feira (5), o presidente da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), Gildeone Almeida, explicou que o abastecimento de Feira de Santana passa por uma obra de ampliação na estação de tratamento, responsável pela capacidade de produção de água. 

Segundo ele, o aumento do consumo, associado às temperaturas elevadas, tem agravado as dificuldades enfrentadas pelo sistema.

“A gente vem enfrentando agora um fenômeno El Niño, que agravou e aumentou as temperaturas em todo o estado da Bahia, e Feira de Santana tem temperaturas na casa dos 41 graus, acima da média dos últimos anos. Temperaturas elevadas, isso requer mais água, porque a população toma mais banho, precisa de mais água no decorrer do dia.”

Gildeone Almeida, presidente da Embasa
Gildeone Almeida, presidente da Embasa | Foto: Kaio Souza/Acorda Cidade

Obras de ampliação

De acordo com o presidente, as obras de ampliação devem ser concluídas até o final deste mês de novembro, com previsão de início dos testes em dezembro. Com a intervenção, a capacidade de produção deverá passar de 1.700 para 2.300 litros por segundo, um aumento de quase 50%. 

“A gente tem um sistema de abastecimento de água de Feira de Santana, que vem passando por uma obra de ampliação, nessa obra a gente aumenta em 50% a produção de água. Fizemos alguns ajustes nos últimos anos e chegamos a 1.700 litros na média. Com a ampliação, vai sair de 1.700, que é o que está produzindo hoje, para 2.300 litros por segundo. Ou seja, a gente aumenta quase 50%.”

Além das obras de ampliação, Gildeone destacou que a Embasa tem atuado com manobras na rede de distribuição e disponibilizado caminhões-pipa para atender comunidades onde a água não chega pelas tubulações.

Para acompanhar a situação do abastecimento, a Embasa também investiu em um sistema de automação que permite monitorar cerca de 300 pontos de Feira de Santana, nas zonas urbana e rural. De acordo com Gildeone, a ferramenta possibilita identificar as ruas e localidades sem água e direcionar o atendimento, seja por meio de caminhões-pipa ou de manobras na rede de distribuição.

“A gente tem feito monitoramento diário, a gente tem feito manobras. O que é manobra? A gente monitora o abastecimento da região, aquela região que já está abastecida, a gente fecha e direciona água para a localidade que ainda não recebeu água pela rede”, explicou.

Falta de água - seca - povoado de Formiga, no distrito de Maria Quitéria
Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

Como solicitar um carro-pipa

O presidente também orientou os moradores sobre como solicitar o atendimento com carro-pipa. O pedido deve ser feito pelos canais de atendimento da Embasa, principalmente pelo telefone 0800 0555 195, com a informação da matrícula do imóvel.

Gildeone ressaltou, porém, que o serviço é destinado apenas a consumidores com ligações ativas e regularizadas junto à empresa. Ele explicou que moradores com ligações inativas, seja por falta de pagamento ou outro motivo, não podem receber o abastecimento por meio dos caminhões-pipa.

“Para esses casos, a gente não tem como abastecer através de carro-pipa, porque a gente só pode entregar água através de carro-pipa para o consumidor ativo, aquele que está regular com a Embasa.”

Gerente regional da Embasa

Apesar das obras de ampliação, as reclamações sobre a falta de água continuam concentradas principalmente nas comunidades da zona rural. O gerente regional da Embasa, Raimundo Neto, também participou da entrevista com o Acorda Cidade e reforçou que a maior parte das reclamações sobre o abastecimento em Feira de Santana vem dessas localidades.

“Em torno de 80% a 90% das reclamações vêm da zona rural, basicamente em três distritos: Maria Quitéria, Matinha e Tiquaruçu, do Sistema Integrado de Feira de Santana.” 

Raimundo explicou que a distribuição de água na zona rural exige uma operação mais complexa devido à distância entre as comunidades e à extensão da rede necessária para atender os moradores. Ele também ressaltou que o abastecimento dessas localidades depende da pressurização da rede, que ocorre após o atendimento da região central da cidade.

Raimundo Neto, gerente regional da Embasa
Raimundo Neto, gerente regional da Embasa | Foto: Kaio Souza/Acorda Cidade

Loteamentos irregulares

O gerente regional também apontou o crescimento de loteamentos irregulares como um dos fatores que dificultam o abastecimento em algumas localidades da zona rural. Segundo ele, há casos em que moradores constroem imóveis sem solicitar previamente a viabilidade de atendimento à Embasa e acabam realizando ligações clandestinas na rede de distribuição.

“Nessa região desses distritos tem surgido uma grande quantidade de loteamentos irregulares. A pessoa adquire uma propriedade de terra, não faz o pedido de viabilidade da Embasa, constroem suas casas e, na maioria das vezes, realizam ligações clandestinas. A Embasa busca regularizar essa situação, mas surgem outros.”

Desses distritos, Raimundo destacou a localidade de Jacu, em Matinha, onde a sede já está sendo abastecida. Segundo ele, algumas áreas ainda estão em processo de regularização, e equipes da Embasa foram direcionadas ao local no início da semana para agilizar o atendimento.

Raimundo também afirmou que os distritos de Jaguara e Bonfim de Feira são atendidos pelo Sistema Integrado de Santo Estêvão, que também abastece os municípios de Ipecaetá, Anguera e Serra Preta. Segundo ele, a Embasa está realizando intervenções na captação e na adução do sistema para melhorar o fornecimento de água nessas localidades.

“Esse sistema sofreu uma ampliação no ano de 2016 e nós, nesse momento, também estamos fazendo intervenção, tanto na captação como na adução do sistema para fazer chegar em Bonfim de Feira e Jaguara.”

Baldes vazios na praça em protesto contra falta de água
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Sistema Integrado de Santo Estêvão

Ao Acorda Cidade, um ouvinte de Anguera relatou estar há 15 dias sem água. Sobre a situação, Raimundo explicou que o Sistema Integrado de Santo Estêvão, que também atende o município, passa por duas intervenções, uma na captação e outra na distribuição de água.

Sobre o distrito de Ipuaçu, o gerente regional explicou que o abastecimento é feito por um sistema próprio, construído e entregue pela Embasa em 2015. Ele acrescentou que a estrutura também passa por melhorias na rede de distribuição.

Raimundo também apontou as constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica como outro fator que compromete o abastecimento. Segundo ele, os problemas afetam Santo Estêvão, Anguera, Ipecaetá, Serra Preta e os distritos de Bravo, Bonfim de Feira e Jaguara.

“Em relação a Bonfim de Feira e Jaguara, que fazem parte do Sistema de Santo Estêvão, nós sofremos de forma constante, recentemente, com problemas no fornecimento de energia elétrica que afetam todo o sistema integrado. Então, tanto Santo Estêvão, Anguera e Ipecaetá, Serra Preta, o distrito do Bravo, e também Bonfim de Feira e Jaguara têm sido afetados por essas interrupções da energia elétrica.”

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