6 de November de 2026
Família veio ao Brasil para reconstruir fazenda
Foto: REGUA

Uma família gringa plantou 840 mil árvores nativas ao longo de 25 anos em uma antiga fazenda de gado explorada desde 1907. O trabalho devolveu à região espécies que haviam desaparecido há mais de um século, incluindo as antas.

O trabalho de restauração na bacia do Guapiaçu, no Rio de Janeiro, mostrou que habitats degradados podem se recuperar com esforço contínuo e planejamento integrado. A transformação começou quando a família Locke decidiu proteger as últimas matas remanescentes.

Foto: Acervo Projeto Guapiaçu

Em 607 hectares antes ocupados apenas por pastagens, os técnicos plantaram mudas nativas e construíram barragens de terra para transformar pastos abandonados em lagoas funcionais. Essas áreas úmidas restauradas agora abrigam capivaras, jacarés-de-papo-amarelo, garças e diversas aves aquáticas.

Habitat reconstruído ao longo de décadas

Pontos-chave
Pontos-chave da restauração na bacia do Guapiaçu
✓
Família Locke plantou 840 mil árvores nativas ao longo de 25 anos em antiga fazenda de gado.
✓
Restauração ocorreu em 607 hectares de pastagens com mudas nativas e barragens de terra para criar lagoas funcionais.
✓
Registros oficiais apontam mais de 1 milhão de mudas em 710 hectares sob proteção ativa e produção local de mudas.
✓
Áreas úmidas restauradas agora abrigam capivaras, jacarés-de-papo-amarelo, garças e aves aquáticas.
✓
Antas foram reintroduzidas em 2017; atualmente há 11 antas em liberdade e três filhotes nascidos na natureza.
✓
Reflorestamento precisou de reintrodução e proteção contínua; recuperação depende de monitoramento e parcerias locais.

O trabalho inicial se concentrou na criação de corredores de floresta para que as espécies pudessem se mover livremente. Os registros oficiais indicam mais de 1 milhão de mudas plantadas em 710 hectares sob proteção ativa. A produção local de mudas conectou os corredores e permitiu que animais menores voltassem espontaneamente à bacia.

Animais grandes, porém, enfrentaram barreiras ao retorno natural. Estradas fragmentadas e propriedades agrícolas vizinhas impediam que as antas voltassem sozinhas à região. O retorno só foi possível com intervenção direta.

O retorno das Antas através de reintrodução

Em 2017, a Reserva Ecológica de Guapiaçu fez uma parceria com o Projeto Refauna e o Instituto Federal do Rio de Janeiro para lançar um programa de reintrodução. Os pesquisadores soltaram três antas na mata restaurada e monitoraram seus movimentos com colares de rádio e armadilhas fotográficas.

Os animais logo se adaptaram à floresta, alimentaram-se de plantas nativas e dispersaram sementes pela bacia, ajudando a regenerar a vegetação. Pouco depois, nasceram os primeiros filhotes selvagens, indicando que as antas conseguiam sobreviver e se reproduzir sem intervenção humana contínua.

Os registros atuais da Reserva indicam 11 antas em liberdade, incluindo três filhotes nascidos na natureza. O monitoramento regional sugere que a população total na área e em seu entorno pode chegar a 25 indivíduos.

Plantar árvores não é suficiente

Foto: REGUA

O sucesso do Guapiaçu mostra que terras degradadas podem recuperar a biodiversidade com esforço sustentado ao longo de décadas. Porém, pesquisadores alertam que o reflorestamento sozinho não bastaria para trazer as antas de volta: sem reintrodução ativa e proteção contínua, esses herbívoros continuariam ausentes da região.

Reconstruir um ecossistema exige reparar o ambiente físico e devolver a fauna que lhe pertence. Enquanto os corredores de floresta se expandem, a equipe monitora a qualidade da água, a estabilidade do solo e a diversidade de plantas na bacia. A recuperação no longo prazo depende de parcerias com comunidades locais e da proteção contínua dos corredores de terra.