
Casas, comércios e o movimento constante da Estrada Iguatemi cercam a Pedreira Lageado, em Guaianases, na Zona Leste de São Paulo. A cratera ultrapassa 150 metros de profundidade e fica a 20 quilômetros do centro da capital. Moradores convivem diariamente com a mineração.
Essa profundidade equivale à altura de um prédio de 45 andares. A proximidade da mineração com as moradias chama a atenção de quem passa pela região pela primeira vez.
InstagramUma cratera que ajudou a erguer a cidade
A extração de pedra bruta transformou a pedreira em fonte de material para a construção civil paulistana. Concreto, asfalto e estruturas de diversos bairros usam material retirado dali, em um processo que já dura cerca de 70 anos.
A operação da pedreira começou em 1957, numa época em que a Zona Leste ainda tinha poucos moradores e pouca infraestrutura urbana. A cidade avançou, e comércios e residências surgiram ao redor da cratera até praticamente cercá-la por completo.
Explosões controladas no meio dos bairros
Para quem mora nas redondezas, barulhos de detonação e pequenas vibrações no chão fazem parte da rotina. A empresa responsável pela mineradora afirma que monitora cada explosão e segue normas de segurança para proteger a população vizinha.
O crescimento acelerado de São Paulo, décadas atrás, exigiu grandes volumes de matéria-prima para sustentar obras e expansão urbana — e foi nesse contexto que o empreendimento ganhou relevância no setor.
Hoje, a Pedreira Lageado segue entre as referências da Região Metropolitana de São Paulo quando o assunto é fornecimento de insumo para construção, ao lado de outras minerações da região.
Monitoramento Ambiental na área da mina
Além de extrair material para avenidas, imóveis e obras de infraestrutura da capital, a operação mantém um programa interno para acompanhar os impactos da mineração. O trabalho inclui ações de recuperação em pontos afetados pela atividade e é registrado periodicamente no Relatório de Desempenho Ambiental (RDA).
O monitoramento também inclui a água: coletas realizadas duas vezes por ano acompanham as condições do córrego Itaquera, curso d’água que corta a região da mina antes de desaguar no Rio Tietê.
Segundo a empresa, o acompanhamento mostra que as características naturais do córrego Itaquera permanecem preservadas e que a atividade da mineradora não contribui para o lançamento de resíduos nem para o assoreamento do leito.
Em meio à malha urbana de uma das maiores metrópoles do país, essa cratera segue ativa e cercada por bairros que cresceram ao seu redor ao longo de quase sete décadas.
