
Pesquisadores encontraram, no Oceano Atlântico, um pepino-do-mar com estruturas pontiagudas saindo do corpo. Cientistas batizaram a criatura marinha de “Loki”, que foi localizado a 2.577 metros abaixo da superfície.
Durante uma expedição que mapeou o fundo do mar perto da Argentina e identificou 57 possíveis novas espécies marinhas e cinco possíveis novos gêneros ainda desconhecidos para a ciência.
A campanha de coleta aconteceu em agosto de 2025, no cânion submarino de Mar del Plata, mas a análise detalhada só foi concluída em outubro de 2026. Cientistas do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina, do Ocean Census e do Schmidt Ocean Institute divulgaram os achados.
A expedição original, Talud Continental IV, durou 21 dias, e suas transmissões ao vivo alcançaram aproximadamente 4 milhões de pessoas e somaram cerca de 22 milhões de visualizações. O robô submarino SuBastian capturou imagens de criaturas que nunca haviam sido vistas ou registradas em vídeo.
A história por trás do apelido Loki

O pepino-do-mar do gênero Peniagone recebeu o apelido inspirado em Loki, personagem da mitologia nórdica frequentemente retratado com chifres. A semelhança chamou a atenção dos cientistas quando eles avistaram os apêndices curvos saindo do corpo da criatura nas imagens do robô submarino.
Pertencente ao grupo dos equinodermos — que também inclui estrelas-do-mar e ouriços —, Loki é inofensivo aos humanos apesar de sua aparência peculiar.
Embora os pesquisadores tenham reconhecido o gênero, a identificação definitiva da espécie depende de análises taxonômicas adicionais. Segundo o Ocean Census, Loki é uma entre até dez possíveis novas espécies de pepinos-do-mar encontradas durante o trabalho de laboratório, que durou duas semanas em Buenos Aires.
Variedade no fundo do Oceano
Entre 13 e 24 de julho de 2026, vinte especialistas de países da América Latina e da Europa analisaram as amostras colhidas nas profundezas. A equipe catalogou 22 equinodermos, 20 copépodes (pequenos crustáceos marinhos), 14 cnidários (corais e estruturas similares a penas) e um molusco escafópode que vive nos sedimentos do fundo.
Nos copépodes, os cientistas examinaram apenas 10% das amostras coletadas e identificaram 20 espécies que provavelmente nunca foram descritas. A expedição também encontrou um coral avermelhado do gênero Orstomisis e uma pena-do-mar do gênero Pseudumbellula.
Preparando o retorno às profundezas
Os achados motivaram os pesquisadores a planejar uma nova missão. Entre fevereiro e março de 2027, o Schmidt Ocean Institute e cientistas argentinos pretendem explorar os cânions submarinos Ameghino e Almirante Brown, próximos à costa de Chubut.
A próxima expedição, intitulada Talud Continental V, contará com 19 cientistas de instituições argentinas e oferecerá transmissão ao vivo pela internet para que o público acompanhe as descobertas em tempo real.
Durante as operações anteriores, o robô submarino alcançou profundidades de até 3.900 metros. Os espécimes coletados serão preservados em acervos como o Museu Argentino de Ciências Naturais.
A transmissão da campanha anterior atingiu quatro milhões de pessoas e acumulou quase 22 milhões de visualizações no total. Números que demonstram o interesse global em conhecer o que habita as regiões mais remotas do planeta.