{"id":133364,"date":"2026-05-28T17:00:19","date_gmt":"2026-05-28T20:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiasbahia360.com.br\/?p=133364"},"modified":"2026-05-28T17:00:19","modified_gmt":"2026-05-28T20:00:19","slug":"dor-menstrual-afasta-4-em-cada-10-alunas-das-salas-de-aula-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasbahia360.com.br\/?p=133364","title":{"rendered":"Dor menstrual afasta 4 em cada 10 alunas das salas de aula no Brasil"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Foto-ilustrativa-Memo-Soul-4-sala-de-aula-rede-estadual-professores-estudantes-.jpg\" alt=\"Sabe Sala de aula - Rede Estadual (estudantes e professora)\"><figcaption>Foto: Memo Soul<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Ag\u00eancia Brasil \u2014 <strong>Seis em cada dez estudantes dos ensinos fundamental e m\u00e9dio que menstruam relatam ter c\u00f3licas fortes e moderadas que atrapalham sua rotina escolar e exigem uso de medica\u00e7\u00e3o. E cerca de quatro em cada dez alunas (37,1%) faltam \u00e0s aulas mensalmente por dores menstruais.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1691303&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1691303&amp;o=node\"><\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o de pesquisa realizada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info e foi divulgada nesta quarta-feira (27), Dia Internacional da Dignidade Menstrual, celebrado nesta quinta-feira (28). A data tem o objetivo de promover a discuss\u00e3o e combater o estigma e a pobreza menstrual.<\/p>\n<p>O levantamento foi feito em fevereiro deste ano com 2.551 estudantes \u2013 sendo 770 estudantes que menstruam \u2013, 303 docentes e 181 gestores escolares, das redes p\u00fablica e privada de ensino de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sintomas-menstruais\">Sintomas menstruais<\/h2>\n<p>A sondagem in\u00e9dita revela que o principal sintoma menstrual que impede as alunas de irem \u00e0s aulas \u00e9 a c\u00f3lica: mencionado por 57,7% das entrevistadas. As demais manifesta\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 menstrua\u00e7\u00e3o apontados s\u00e3o:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>cansa\u00e7o e dores no corpo, citado por 30,1% das entrevistadas;<\/li>\n<li>dores de cabe\u00e7a (28%);<\/li>\n<li>dor de barriga, por 20,1%;<\/li>\n<li>vergonha e medo de vazamento, por 19,3%;<\/li>\n<li>falta de banheiro ou produtos de higiene, por 8,2%.<\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-ausencias-e-atrasos\">Aus\u00eancias e atrasos<\/h2>\n<p>Os dados coletados revelam que os sintomas do fluxo menstrual podem levar a, aproximadamente, dois dias de falta por m\u00eas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"799\" src=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/alana-sofia-reinach.jpg\" alt=\"Dor menstrual afasta 4 em cada 10 alunas das salas de aula no Brasil\" class=\"wp-image-658612\" srcset=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/alana-sofia-reinach.jpg 1200w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/05\/alana-sofia-reinach-750x499.jpg 750w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/05\/alana-sofia-reinach-1000x666.jpg 1000w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/05\/alana-sofia-reinach-450x300.jpg 450w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/05\/alana-sofia-reinach-150x100.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">L\u00edder da iniciativa de endometriose, dor p\u00e9lvica e sa\u00fade menstrual do Alana Sofia Reinach \u2013 Alana Sofia Reinach\/Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>A l\u00edder da iniciativa de Endometriose, Dor P\u00e9lvica e Sa\u00fade Menstrual do Instituto Alana, Sofia Reinach, explica que o absente\u00edsmo (faltas ou do n\u00e3o cumprimento da carga hor\u00e1ria escolar) nos dias de dor pode afetar a aprendizagem, o v\u00ednculo com a escola e as oportunidades educacionais ao longo da trajet\u00f3ria, por isso, deve ser tratado com seriedade.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cQuase 40% das meninas no Brasil est\u00e3o perdendo pelo menos um dia de aula por m\u00eas por conta das dores [menstruais]: uma parcela muito grande da popula\u00e7\u00e3o que deve ser cuidada para que isso n\u00e3o signifique defasagem escolar e uma desvantagem cr\u00f4nica na aprendizagem\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O estudo verificou que parte das aus\u00eancias, quando associada a sintomas menstruais, ainda \u00e9 tratada como quest\u00f5es individuais, privadas ou inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>O Instituto Alana enfatiza ser preciso reconhecer a dor como problema coletivo e sugere a ado\u00e7\u00e3o de protocolos de faltas justificadas e orienta\u00e7\u00e3o ao corpo docente. A expectativa \u00e9 que as mudan\u00e7as possam reduzir o constrangimento das alunas e melhorar o registro destes casos.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desigualdade racial na menstrua\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O estudo aponta para disparidade racial. Apesar das meninas negras falarem que sentem menos c\u00f3licas fortes, por outro lado, elas faltam mais \u00e0s aulas.<\/p>\n<p>Neste recorte racial, as alunas negras perdem at\u00e9 1,5 vez mais dias de aula (dois a cinco dias por m\u00eas) que alunas brancas: 14,5% das alunas negras faltam de dois a cinco dias\/m\u00eas por motivos menstruais. Entre as alunas brancas, o \u00edndice de faltas cai para 9,6%.<\/p>\n<p>Quando observada a experi\u00eancia de dor no per\u00edodo menstrual, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 uniformidade entre os grupos raciais. As meninas brancas relatam ter mais dor intensa. Entre as entrevistadas brancas, 37,5% descrevem suas c\u00f3licas como fortes. Entre as meninas e adolescentes negras, esse \u00edndice \u00e9 menor (25,9%). Ao mesmo tempo, 16% das meninas negras dizem n\u00e3o sentir c\u00f3licas menstruais, contra 8,5% das brancas que informam n\u00e3o sentir dor em intensidade alguma.<\/p>\n<p>A porta-voz do Instituto Alana, Sofia Reinach, conclui que, na realidade, o indicador de dores fortes subestima o problema entre as alunas negras. Isto porque as meninas negras normalizam mais suas dores porque s\u00e3o ensinadas culturalmente a acreditar que a dor n\u00e3o deve ser considerada como algo que precisa de tratamento.<\/p>\n<p>\u201cAs meninas negras nomeiam menos a sua dor como forte. Aparentemente, elas t\u00eam um limiar de dor maior, portanto, reconhecem menos como uma dor incapacitante. Mas, na pr\u00e1tica, o impacto da dor as tira de suas atividades e da escola\u201d, concluiu Sofia Reinach.<\/p>\n<p>A especialista defende que os profissionais das \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade \u201cdesaprendam esse vi\u00e9s antigo de que corpos negros sentem menos dor\u201d ou que s\u00e3o mais resilientes.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201c\u00c9 muito importante que essa percep\u00e7\u00e3o mude, porque as meninas negras est\u00e3o sentindo dor, mas falam menos sobre ela. Os ouvidos dos profissionais t\u00eam que estar mais atentos. A escola deve fazer parte de uma rede de cuidado\u201d, frisa Sofia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para que a menina negra seja acompanhada adequadamente e os impactos da dor sejam os menores poss\u00edveis, a especialista em sa\u00fade menstrual e dor p\u00e9lvica destaca a necessidade de os professores perceberem a dor das alunas, de gestores escolares perguntarem a respeito e das fam\u00edlias delas que devem ser acionadas.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Assimetrias regionais<\/h2>\n<p>As regi\u00f5es Norte e Centro-Oeste sofrem mais com a falta de infraestrutura e produtos. Falta de banheiro e de produtos de higiene menstrual aparecem como motivos de aus\u00eancias nas aulas especialmente no Norte (18,9%) e Centro-Oeste (30,2%).<\/p>\n<p>O estudo considera que o acesso \u00e0 infraestrutura adequada \u00e9 condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de perman\u00eancia escolar.<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia, a estudante de publicidade e propaganda Ana Clara Maimoni mobilizou os vizinhos e as pessoas conhecidas para arrecadar absorventes.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEu sempre achei um absurdo como os postos d\u00e3o camisinha de gra\u00e7a, mas n\u00e3o d\u00e3o absorventes e como isso afeta a nossa vida\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ana Clara conseguiu arrecadar cerca de 1 mil absorventes, que foram doados a uma escola na qual as alunas n\u00e3o tinham pleno acesso a eles. O estoque foi suficiente para atender \u00e0s meninas por seis meses.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"1657\" src=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ana-clara-maimoni-280526.jpg\" alt=\"Dor menstrual afasta 4 em cada 10 alunas das salas de aula no Brasil\" class=\"wp-image-658613\" srcset=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ana-clara-maimoni-280526.jpg 1200w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/05\/ana-clara-maimoni-280526-750x1036.jpg 750w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/05\/ana-clara-maimoni-280526-1000x1381.jpg 1000w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/05\/ana-clara-maimoni-280526-1112x1536.jpg 1112w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/05\/ana-clara-maimoni-280526-450x621.jpg 450w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/05\/ana-clara-maimoni-280526-150x207.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Ana Clara Maimoni, A\u00e7\u00e3o do Projeto Contra a Pobreza Menstrual, no Centro de Ensino Vila Planalto. Foto: Projeto Contra a Pobreza Menstrual\/Divulga\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure>\n<p>O Projeto Contra a Pobreza Menstrual contou tamb\u00e9m com palestra com profissionais de sa\u00fade para informar as estudantes, na Vila Planalto, no centro da capital federal. \u201cAs meninas adoraram e participaram bastante, fizeram v\u00e1rias perguntas\u201d, disse Ana Clara.<\/p>\n<p>Para a realizadora do projeto, a escola \u00e9 um espa\u00e7o estrat\u00e9gico para abordar essa quest\u00e3o, e \u00e9 justamente da educa\u00e7\u00e3o que essas meninas acabam sendo privadas quando n\u00e3o t\u00eam acesso ao m\u00ednimo necess\u00e1rio para a dignidade menstrual.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cIsso s\u00f3 escancara a nossa desigualdade, principalmente, porque os homens n\u00e3o passam por isso, pessoas que n\u00e3o menstruam n\u00e3o passam por isso e as mulheres acabam tendo que lidar sozinhas\u201d, conta Ana Clara Maimoni.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>\u201cMuitas vezes, elas n\u00e3o falam sobre porque ainda \u00e9 considerado um tabu em muitos lugares e essas meninas jovens que n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00e3o e muito pouco conhecimento\u201d, ressalta.<\/strong><\/p>\n<p>O projeto foi pontual e acabou n\u00e3o tendo continuidade, mesmo assim, no entendimento de Ana Clara, \u00e9 um passo para uma mudan\u00e7a maior. \u201c\u00c9 uma conquista, mesmo que pequena, porque eu consegui trabalhar s\u00f3 com uma escola, mas de pouquinho em pouquinho a gente conquista grandes coisas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Menarca precoce e c\u00f3licas<\/h2>\n<p><strong>A pesquisa demonstra que a menarca (primeira menstrua\u00e7\u00e3o) \u00e9 cada vez mais precoce no Brasil. Em m\u00e9dia, 65,2% das meninas ouvidas menstruaram at\u00e9 os 11 anos e 36,5% at\u00e9 os 10 anos.<\/strong><\/p>\n<p>A preval\u00eancia de menarca precoce tamb\u00e9m varia por regi\u00e3o: as maiores propor\u00e7\u00f5es est\u00e3o no Nordeste (45,5%) e no Sul (43,9%) e a menor no Centro-Oeste (16,1%).<\/p>\n<p>Na m\u00e9dia nacional, a propor\u00e7\u00e3o de menarca precoce \u00e9 semelhante entre as popula\u00e7\u00f5es brancas e negras.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Na regi\u00e3o Sul, 64% das alunas negras e 32,9% das brancas tiveram menarca precoce.<\/li>\n<li>No Sudeste, esse \u00edndice sobe para 61,6% entre as meninas negras e 5,3% das brancas.<\/li>\n<li>No Nordeste, 53,9% das brancas e 35,4% das negras.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O estudo ainda associa diretamente a menarca precoce a dores mais intensas. Entre as alunas que menstruaram aos 10 anos, 43% relataram c\u00f3licas fortes. O \u00edndice cai para 27% entre aquelas que menstruaram aos 11 ou 12 anos. Entre as estudantes que menstruaram aos 13 anos, um quarto diz sentir c\u00f3licas fortes. Quando contabilizadas as que tiveram a primeira menstrua\u00e7\u00e3o aos 14 anos ou mais e sentiram dores, o percentual \u00e9 28%.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cPara muitas meninas, menstruar n\u00e3o significa apenas lidar com uma nova fase do corpo, mas tamb\u00e9m com dores que podem afetar a frequ\u00eancia \u00e0s aulas, a concentra\u00e7\u00e3o, a pr\u00e1tica de esportes e a conviv\u00eancia com colegas\u201d, informa o estudo do Instituto Alana.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Educa\u00e7\u00e3o menstrual<\/h2>\n<p>Muitas estudantes chegam \u00e0 primeira menstrua\u00e7\u00e3o sem nenhuma orienta\u00e7\u00e3o sobre o ciclo e, por este motivo, o Instituto Alana refor\u00e7a a import\u00e2ncia de falar sobre sa\u00fade menstrual antes da primeira menstrua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos antecipar os debates sobre sa\u00fade menstrual nas escolas para o ensino fundamental 1. Al\u00e9m disso, ter um olhar cuidadoso, ampliar as estrat\u00e9gias de cuidado para essa faixa et\u00e1ria, em especial, para que as meninas com muita dor com menarca precoce tenham um acompanhamento mais pr\u00f3ximo\u201d, prioriza Sofia Reinach.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Trabalhadoras da educa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>As escolas brasileiras sofrem duplamente com as faltas tanto de alunas quanto professoras.\u00a0<strong>No universo pesquisado, 28,3% das gestoras escolares confirmaram ter c\u00f3licas fortes e 16,9% das entrevistadas j\u00e1 faltaram ao trabalho por motivos menstruais.<\/strong><\/p>\n<p>Dentro de sala de aula, 15,8% das professoras descreveram ter c\u00f3licas fortes e uma em cada dez professoras (12,1%) faltou ao trabalho ao menos uma vez no \u00faltimo ano por motivos menstruais.<\/p>\n<p>Considerando que 37,1% das alunas faltam mensalmente por menstrua\u00e7\u00e3o e 64% relataram c\u00f3licas moderadas ou fortes, o estudo sugere que percentual mais reduzido entre as profissionais de educa\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s estudantes pode refletir, em parte, maior acesso a diagn\u00f3sticos, acompanhamento e tratamento da dor entre as profissionais e a responsabilidade da vida adulta.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cAs professoras faltam menos do que alunas. A cada momento da vida em que a responsabilidade aumenta e que as profissionais veem o seu trabalho amea\u00e7ado por conta das dores, as professoras se esfor\u00e7am mais para conviver com essa dor no seu ambiente profissional\u201d, observa o estudo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Sofia Reinach defende a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de sa\u00fade menstrual no ambiente escolar que incluam estudantes e trabalhadoras, com protocolos adequados para cada perfil.\u00a0<strong>\u201cPrecisamos entender que a dor menstrual tira meninas e mulheres do cotidiano escolar e torna isso um fen\u00f4meno cumulativo. As escolas est\u00e3o sofrendo duplamente com essas faltas, tanto de alunas quanto professoras.\u201d<\/strong><\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desconhecimento dos meninos<\/h2>\n<p>A menstrua\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 pouco compreendida como uma quest\u00e3o coletiva dentro da escola.<strong>\u00a0Os dados mostram que 36,8% dos estudantes do sexo masculino afirmam n\u00e3o pensar muito sobre o tema \u2013 quase duas vezes maior que o registrado entre as meninas, de 19,7%.<\/strong><\/p>\n<p>A diferen\u00e7a tamb\u00e9m aparece na percep\u00e7\u00e3o sobre os impactos do ciclo menstrual na rotina: cerca de um quarto dos meninos e adolescentes (23,7%) acredita que a menstrua\u00e7\u00e3o pode atrapalhar a escola ou a pr\u00e1tica esportiva, enquanto 41,2% das alunas reconhecem esse efeito negativo.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a do Alana diz que \u00e9 preciso envolver os meninos nos debates sobre a tem\u00e1tica.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201c\u00c9 fundamental que o assunto menstrua\u00e7\u00e3o deixe de ser um tabu. E para isso, a gente precisa trazer os meninos para as conversas cotidianas. N\u00e3o tem mais como menstrua\u00e7\u00e3o ser um assunto apenas de meninas e mulheres na sua intimidade\u201d, constata Sofia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A ideia \u00e9 que os meninos e rapazes deixem de ser espectadores passivos ou agentes de constrangimento e passem a fazer parte de uma rede de apoio \u00e0s meninas e jovens.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impactos da naturaliza\u00e7\u00e3o da dor<\/h2>\n<p>Tratar a dor menstrual como algo normal na adolesc\u00eancia pode gerar impactos que v\u00e3o al\u00e9m da trajet\u00f3ria escolar das meninas.<\/p>\n<p>A invisibilidade das c\u00f3licas e dores que come\u00e7a com faltas, afastamento de atividades f\u00edsicas, perda de concentra\u00e7\u00e3o e, consequentemente, da diminui\u00e7\u00e3o do rendimento escolar pode prejudicar a sa\u00fade, a renda e a qualidade de vida das mulheres.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o relata que mulheres que aprenderam a conviver com dores intensas tendem a seguir trabalhando apesar dos sintomas menstruais.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Atraso de diagn\u00f3sticos<\/h2>\n<p>A naturaliza\u00e7\u00e3o da dor tamb\u00e9m pode atrasar o diagn\u00f3stico de condi\u00e7\u00f5es mais graves.\u00a0<strong>\u201cA normaliza\u00e7\u00e3o da dor faz com que uma menina aprenda que c\u00f3lica \u00e9 normal. Ela para de reclamar e, no entorno, os adultos param de investigar se essa dor poderia ter um tratamento ou n\u00e3o\u201d, relata Sofia.<\/strong><\/p>\n<p>O estudo destaca que as dores incapacitantes tratadas como \u201cnormais\u201d, que come\u00e7am ainda na <a href=\"https:\/\/www.acordacidade.com.br\/tag\/adolescencia\/\" type=\"post_tag\" id=\"138035\">adolesc\u00eancia<\/a> e podem piorar com o tempo, somente ser\u00e3o investigadas na vida adulta, quando j\u00e1 podem ter evolu\u00eddo para uma doen\u00e7a ginecol\u00f3gica ou outra condi\u00e7\u00e3o que afeta diferentes dimens\u00f5es da vida de uma mulher.<\/p>\n<p>O estudo exemplifica as ocorr\u00eancias de endometriose, doen\u00e7a inflamat\u00f3ria causada pela presen\u00e7a de tecido do endom\u00e9trio em outras regi\u00f5es do corpo. A endometriose \u2013 geralmente com in\u00edcio silencioso na adolesc\u00eancia \u2013 afeta uma em cada dez mulheres e pode levar at\u00e9 12 anos para ser diagnosticada.<\/p>\n<p>Por fim, com base na an\u00e1lise dos dados apurados, o Instituto Alana reafirma que investir em sa\u00fade menstrual nas escolas \u00e9 essencial, tanto para garantir o direito \u00e0 aprendizagem quanto para reduzir desigualdades que come\u00e7am no corpo e se acumulam na trajet\u00f3ria escolar.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cIncluir sa\u00fade menstrual nos protocolos, no curr\u00edculo e na infraestrutura, priorizando as estudantes mais afetadas, \u00e9 uma oportunidade de promover equidade e favorecer uma escola que reconhece a realidade de todas as crian\u00e7as e adolescentes\u201d, destaca a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><em>Siga o Acorda Cidade no\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/search?q=acorda%20cidade&amp;hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\"><strong><em>Google Not\u00edcias<\/em><\/strong><\/a><em>\u00a0e receba os principais destaques do dia. 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