{"id":143842,"date":"2026-08-02T20:04:02","date_gmt":"2026-08-02T23:04:02","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiasbahia360.com.br\/?p=143842"},"modified":"2026-08-02T20:04:02","modified_gmt":"2026-08-02T23:04:02","slug":"de-1891-aos-dias-atuais-ataques-ao-voto-feminino-expoem-machismo-historico-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasbahia360.com.br\/?p=143842","title":{"rendered":"De 1891 aos dias atuais: ataques ao voto feminino exp\u00f5em machismo hist\u00f3rico no Brasil"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Voto-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional.jpg\" alt=\"Voto feminino\"><figcaption>Foto: Acervo Arquivo Nacional<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ag\u00eancia Brasil \u2014 Os ataques ecoam pelo tempo. \u201cMinha mulher n\u00e3o ir\u00e1 votar\u201d, disse o senador constituinte Coelho e Campos, em 1891. No mesmo ano, outro parlamentar, Serzedelo Corr\u00eaa, afirmou que jogar a mulher no meio das paix\u00f5es e das lutas pol\u00edticas \u00e9 \u201ctirar-lhe a santidade\u201d.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1698268&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1698268&amp;o=node\"><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de 135 anos, mais discursos violentos reaparecem. \u201cMulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. As casadas costumam acompanhar o marido\u201d, afirmou o influenciador\u00a0Paulo Figueiredo (neto do ex-presidente Jo\u00e3o Figueiredo).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os reiterados discursos machistas que atacam o voto feminino ao longo da hist\u00f3ria do Brasil podem ser compreendidos em diferentes facetas como rea\u00e7\u00f5es aos avan\u00e7os da cidadania das mulheres, segundo afirmam estudiosas do tema do sufr\u00e1gio.\u00a0<\/strong>Elas explicam que, do ponto de vista hist\u00f3rico e pol\u00edtico, o que chama a aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o ineditismo do discurso, mas a continuidade e as amea\u00e7as.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"844\" src=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Constituicao-de-1891-a-primeira-da-Republica-rejeitou-o-sufragio-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional.jpg\" alt=\"Constitui\u00e7\u00e3o de 1891, a primeira da Rep\u00fablica, rejeitou o sufr\u00e1gio feminino\" class=\"wp-image-677842\" srcset=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Constituicao-de-1891-a-primeira-da-Republica-rejeitou-o-sufragio-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional.jpg 1200w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Constituicao-de-1891-a-primeira-da-Republica-rejeitou-o-sufragio-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-750x528.jpg 750w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Constituicao-de-1891-a-primeira-da-Republica-rejeitou-o-sufragio-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-1000x703.jpg 1000w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Constituicao-de-1891-a-primeira-da-Republica-rejeitou-o-sufragio-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-450x317.jpg 450w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Constituicao-de-1891-a-primeira-da-Republica-rejeitou-o-sufragio-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-150x106.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Constitui\u00e7\u00e3o de 1891, a primeira da Rep\u00fablica, rejeitou o sufr\u00e1gio feminino | Foto: Acervo Arquivo Nacional<\/figcaption><\/figure>\n<h2 id=\"h-luta-permanente\" class=\"wp-block-heading\">\u201cLuta permanente\u201d<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, h\u00e1 inspira\u00e7\u00f5es concretas hist\u00f3ricas, por parte das experi\u00eancias da luta sufragista, para a\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia. \u201cA linguagem mudou, mas a l\u00f3gica patriarcal, mis\u00f3gina e machista \u00e9 a mesma\u201d, afirma a professora de direito Fernanda Abreu, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (Uern).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A\u00a0estudiosa\u00a0destaca\u00a0que o voto feminino no Brasil foi uma conquista obtida contra a resist\u00eancia do Estado e da sociedade machista. N\u00e3o foi uma concess\u00e3o espont\u00e2nea<\/strong>. \u201cDireitos n\u00e3o se mant\u00eam sozinhos. Eles exigem luta permanente\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernanda avalia que essas manifesta\u00e7\u00f5es questionando o voto da mulher ressurgiram, em 2026, com uma for\u00e7a \u201cperturbadora\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cParece absurdo, mas \u00e9 verdade. Do ponto de vista jur\u00eddico-constitucional, qualquer discurso que questione o voto feminino no Brasil viola o Artigo 14 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, que estabelece o sufr\u00e1gio universal sem distin\u00e7\u00e3o de sexo\u201d, explica.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\u00a0professora acrescenta que o discurso ataca o Artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o, que veda qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o.\u00a0Al\u00e9m de inconstitucionais, as manifesta\u00e7\u00f5es operariam um discurso criminoso. Ela pondera que h\u00e1 iniciativas para acionar a Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica para tratar \u201cdessa quest\u00e3o grav\u00edssima\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora diz que\u00a0<strong>as falas do influenciador Paulo Figueiredo conectam-se diretamente com o movimento antifeminista norte-americano, que defende abertamente o fim do sufr\u00e1gio feminino.<\/strong><\/p>\n<h2 id=\"h-inteligencia-diferenciada\" class=\"wp-block-heading\">Intelig\u00eancia diferenciada<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista hist\u00f3rico, a pesquisadora Cibele Ten\u00f3rio, da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), assinala que a recorr\u00eancia dos ataques em mais de um s\u00e9culo \u00e9 \u201cabsurda\u201d, mas n\u00e3o surpreende em uma estrutura de machismo estrutural.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs sufragistas do s\u00e9culo 20 lutaram e tiveram intelig\u00eancia diferenciada para garantir o direito para todas n\u00f3s\u201d, afirma.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"798\" src=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Almerinda-Gama-sufragista-alagoana-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional.jpg\" alt=\"Almerinda Gama, sufragista alagoana \" class=\"wp-image-677841\" srcset=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Almerinda-Gama-sufragista-alagoana-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional.jpg 1200w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Almerinda-Gama-sufragista-alagoana-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-750x499.jpg 750w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Almerinda-Gama-sufragista-alagoana-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-1000x665.jpg 1000w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Almerinda-Gama-sufragista-alagoana-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-450x299.jpg 450w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Almerinda-Gama-sufragista-alagoana-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-150x100.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Almerinda Gama, sufragista alagoana | Foto: Acervo Arquivo Nacional<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jornalista e doutoranda em hist\u00f3ria, Cibele \u00e9 bi\u00f3grafa da sufragista alagoana\u00a0Almerinda Gama (1899 \u2013 1999). Almerinda foi uma das primeiras mulheres negras a atuar na pol\u00edtica brasileira.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cibele Ten\u00f3rio pondera que, diante de ataques que chegam ao tempo presente, \u00e9 necess\u00e1rio manter aten\u00e7\u00e3o a toda e qualquer amea\u00e7a, ainda que n\u00e3o se transforme em uma hipot\u00e9tica e inimagin\u00e1vel proposta de revoga\u00e7\u00e3o de direitos de mulheres.<strong>\u00a0No entanto, as ofensivas antig\u00eanero podem fazer parte de uma estrat\u00e9gia que barre evolu\u00e7\u00f5es de direitos.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMas podem, de alguma forma, gerar inc\u00f4modo ou desest\u00edmulo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 muito perigoso.\u201d\u00a0Cibele lembra que, em 1890, a Constituinte brasileira rejeitou o sufr\u00e1gio feminino, alegando incapacidade da mulher para a pol\u00edtica.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Intimida\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Em 2026, em um cen\u00e1rio em que as mulheres representam mais de 53% do\u00a0<a href=\"https:\/\/sig.tse.jus.br\/ords\/dwapr\/r\/seai\/sig-eleicao-eleitorado\/painel-perfil-eleitorado?session=111313426516891\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">eleitorado brasileiro<\/a>, atacar o voto feminino reveste-se tamb\u00e9m em uma estrat\u00e9gia de intimida\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, apontam as pesquisadores.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE),\u00a0<strong>est\u00e3o aptas a votar, em 2026, 83.877.126 brasileiras. Os homens somam 74.845.001.<\/strong>\u00a0Em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel educacional formal, a maior faixa das mulheres est\u00e1 no ensino m\u00e9dio completo (29,28%, contra 26,35% dos homens). Terminaram a faculdade 13,08% das eleitoras (contra 9,1% dos homens).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Eis um cen\u00e1rio de resist\u00eancia: as mulheres s\u00e3o maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira (51,5%), minorizadas em direitos, e desestimuladas ao mercado de trabalho ou para a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/strong>\u00a0Conforme explica a professora Hildete Pereira, pesquisadora de economia e g\u00eanero da Universidade Federal Fluminense (UFF), a luta n\u00e3o se tornou simples porque, no Brasil, o est\u00edmulo \u00e0s mulheres \u00e9 para a fun\u00e7\u00e3o de cuidadora, e n\u00e3o de representante.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as mulheres que v\u00e3o votar neste ano, 51,76% s\u00e3o pardas, 10,96%, pretas e 35,71% brancas. Outras estat\u00edsticas divulgadas pelo TSE d\u00e3o conta que 50% das eleitoras declararam-se solteiras.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pesquisadoras ouvidas pela reportagem dizem que esses discursos integram o que a teoria feminista tem chamado de\u00a0<em>backlash<\/em>\u00a0(express\u00e3o que pode ser traduzida como \u201cretalia\u00e7\u00e3o\u201d) por parte dos homens.\u00a0<strong>A cada evolu\u00e7\u00e3o de direitos, surge pela estrutura mis\u00f3gina alguma tentativa de viola\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuanto mais as mulheres avan\u00e7am, mais as estruturas que sustentam a misoginia, o patriarcado e o machismo resistem\u201d, diz Fernanda Abreu, da UERN.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Espa\u00e7os de viol\u00eancia<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pesquisadoras identificam que\u00a0<strong>a primeira Constitui\u00e7\u00e3o Republicana, a de 1891, rejeitou\u00a0explicitamente o sufr\u00e1gio feminino com o argumento oficial de que a mulher era intelectualmente incapaz para a vida p\u00fablica e que ela deveria se limitar ao espa\u00e7o dom\u00e9stico.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os ataques comuns, no plano social e cultural, as sufragistas eram ridicularizadas inclusive na imprensa, nas rodas sociais, e chamadas de \u201cmulheres-homens\u201d. Isso porque a mulher casada era legalmente definida como dependente do marido, e a solteira, dependente do pai.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora e historiadora Ana Prestes, da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), acrescenta que a ridiculariza\u00e7\u00e3o na imprensa, inclusive, ocorria, por exemplo, de forma ilustrada.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente tem, nessa \u00e9poca, muitas charges em que aparecem o homem de avental na casa e a mulher com o terno na rua para ridicularizar. Principalmente aqueles homens que chegaram a defender o voto da mulher.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo contextualiza a professora Fernanda Abreu, da Uern, esse argumento era usado para negar \u00e0s mulheres a capacidade do voto consciente. \u201cNo \u00e2mbito jur\u00eddico individual, em 1919, a Leolinda Daltro [1859-1935], que foi a fundadora do Partido Republicano Feminino e uma das l\u00edderes mais combativas do sufragismo, teve sua candidatura \u00e0 Intend\u00eancia Municipal do Distrito Federal negada pelo Poder P\u00fablico.\u201d<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"785\" src=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Leolinda-Daltro-foi-uma-das-lideres-mais-combativas-do-sufragismo-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional.jpg\" alt=\"Leolinda Daltro foi uma das l\u00edderes mais combativas do sufragismo\" class=\"wp-image-677840\" srcset=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Leolinda-Daltro-foi-uma-das-lideres-mais-combativas-do-sufragismo-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional.jpg 1200w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Leolinda-Daltro-foi-uma-das-lideres-mais-combativas-do-sufragismo-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-750x491.jpg 750w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Leolinda-Daltro-foi-uma-das-lideres-mais-combativas-do-sufragismo-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-1000x654.jpg 1000w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Leolinda-Daltro-foi-uma-das-lideres-mais-combativas-do-sufragismo-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-450x294.jpg 450w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Leolinda-Daltro-foi-uma-das-lideres-mais-combativas-do-sufragismo-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-150x98.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Leolinda Daltro foi uma das l\u00edderes mais combativas do sufragismo | Foto: Acervo Arquivo Nacional<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inclusive, Leolinda Daltro foi uma das pessoas mais massacradas pela imprensa brasileira da \u00e9poca, segundo a professora e historiadora Ana Prestes. \u201c[Os jornais]\u00a0encontravam forma de colocar a atividade dela como se fosse praticamente uma baderneira, uma mulher que queria quebrar tudo\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As pesquisadoras exemplificam que o C\u00f3digo Eleitoral de 1932 chegou a incluir a exig\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o do marido para que a mulher casada pudesse votar. A cl\u00e1usula s\u00f3 foi retirada do texto final depois de muita press\u00e3o das sufragistas<\/strong>. \u201cNada ocorreu sem luta e intelig\u00eancia estrat\u00e9gica para conseguir aliados nessa causa\u201d, explica Cibele Ten\u00f3rio, doutoranda na UnB.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Elas s\u00e3o da opini\u00e3o de que a\u00a0resist\u00eancia ao voto feminino n\u00e3o foi ligada\u00a0\u00e0 quest\u00e3o de um conservadorismo pontual.\u00a0<strong>Foi institucionalizada como pol\u00edtica p\u00fablica e norma jur\u00eddica.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estudiosas assinalam que a trajet\u00f3ria de press\u00e3o feminina tem um marco no ano de 1910 com o Partido Republicano Feminino, a primeira legenda desse g\u00eanero que, em 1917, promoveu uma marcha de 90 mulheres pelo centro do Rio de Janeiro defendendo a causa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>As sufragistas criaram jornais e escolas para debater o tema. Inclusive para contrapor os discursos machistas que escorriam pelas p\u00e1ginas dos jornais tradicionais.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante dessa efervesc\u00eancia cultural e cient\u00edfica\u00a0das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 20, as mulheres buscavam diferentes direitos, segundo explica a professora de ci\u00eancia pol\u00edtica Marlise Matos, do N\u00facleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0Ela explica que as mulheres lutavam por duas outras grandes agendas \u2013\u00a0maior acesso \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o e ao mercado de trabalho. \u201cMas, sem d\u00favida, a conquista do voto feminino\u00a0era fundamental para a cidadania efetiva. Isso foi travado com muita tens\u00e3o e disputas\u201d, diz.\u00a0<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"796\" src=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Bertha-Lutz-tambem-lutou-pelo-voto-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional.jpg\" alt=\"Bertha Lutz tamb\u00e9m lutou pelo voto feminino \" class=\"wp-image-677839\" srcset=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Bertha-Lutz-tambem-lutou-pelo-voto-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional.jpg 1200w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Bertha-Lutz-tambem-lutou-pelo-voto-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-750x498.jpg 750w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Bertha-Lutz-tambem-lutou-pelo-voto-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-1000x663.jpg 1000w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Bertha-Lutz-tambem-lutou-pelo-voto-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-450x299.jpg 450w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/Bertha-Lutz-tambem-lutou-pelo-voto-feminino-Foto-Acervo-Arquivo-Nacional-150x100.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Bertha Lutz tamb\u00e9m lutou pelo voto feminino | Foto: Acervo Arquivo Nacional<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o por acaso que Bertha Lutz (1894-1976) ficou reconhecida como um dos principais nomes dessa batalha. \u201cEla sabia acionar pessoas e conversar inclusive com os mais conservadores em busca de aliados\u201d, diz Cibele Ten\u00f3rio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Federa\u00e7\u00e3o Brasileira pelo Progresso Feminino, em 1922, articulou governadores, pressionou o Congresso e organizou manifesta\u00e7\u00f5es. \u201cUsou a imprensa nacional e internacional e estabeleceu muitas conex\u00f5es com o movimento sufragista global\u201d, acrescenta a estudiosa Fernanda Abreu, da UERN.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Avan\u00e7o legislativo<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pesquisadoras ouvidas pela<strong>\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0<\/strong>entendem que\u00a0<strong>o marco mais importante \u00e9 o Decreto 21.076 de 1932, o primeiro c\u00f3digo eleitoral brasileiro a garantir o direito de as mulheres irem \u00e0s urnas\u00a0e tamb\u00e9m de votarem secretamente. O direito foi solidificado na Constitui\u00e7\u00e3o de 1934. O Brasil tornou-se o quarto pa\u00eds do Ocidente a garantir o sufr\u00e1gio feminino (depois do Canad\u00e1, Estados Unidos e Equador).<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No\u00a0<a href=\"https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/declei\/1940-1949\/decreto-lei-9258-14-maio-1946-417156-publicacaooriginal-1-pe.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">C\u00f3digo Eleitoral de 1946<\/a>, o voto feminino passa a ser obrigat\u00f3rio para mulheres alfabetizadas. Esse novo marco completou 80 anos em maio. A\u00a0<a href=\"https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/declei\/1940-1949\/decreto-lei-9258-14-maio-1946-417156-publicacaooriginal-1-pe.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o<\/a>, promulgada em 18 setembro do mesmo ano, confirma a regra. A \u00faltima Carta, a de 1988, eliminou o requisito da alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a professora da UFMG\u00a0Marlise Matos,\u00a0<strong>o Estado brasileiro tem que reafirmar o seu compromisso com os direitos pol\u00edticos das mulheres brasileiras e refor\u00e7ar campanhas informativas e publicit\u00e1rias sobre a participa\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ana Prestes, da UnB, aponta que um\u00a0<strong>caminho da resist\u00eancia \u00e9 o refor\u00e7o nos processos de educa\u00e7\u00e3o formal<\/strong>. \u00a0\u201cUma coisa que eu observo nas minhas pesquisas \u00e9 que muitas sufragistas eram professoras ou atuavam em cursos.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEram pessoas que defendiam o ensinamento e a criatividade tamb\u00e9m\u201d, completa.\u00a0Ela recorda que Bertha Lutz chegou a arrumar um avi\u00e3o para fazer um sobrevoo com panfletos, no Rio de Janeiro. \u201cEram ousadas, persistentes e h\u00e1beis articuladoras\u201d, diz a professora e historiadora<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio romper com o apagamento e com a invisibilidade de mulheres que lutaram por grandes causas, como a do voto feminino, a da educa\u00e7\u00e3o e a do trabalho,\u00a0defende a professora Hildete Pereira, pesquisadora da UFF.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A depend\u00eancia financeira funcionaria como um obst\u00e1culo social de subalternidade, inclusive no tempo presente. Al\u00e9m disso, o pr\u00f3prio mercado de trabalho garante sal\u00e1rios melhores aos homens em vista do machismo estrutural. Historicamente, segundo salienta, pol\u00edticas p\u00fablicas devem refor\u00e7ar o papel da mulher na sociedade, como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEssas mulheres do final do s\u00e9culo 19 e in\u00edcio do s\u00e9culo 20 nos ensinam, tanto tempo depois, que \u00e9 preciso participar e n\u00e3o desistir\u201d, ressalta\u00a0Hildete Pereira.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Siga o Acorda Cidade no\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/search?q=acorda%20cidade&amp;hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\"><strong><em>Google Not\u00edcias<\/em><\/strong><\/a><em>\u00a0e receba os principais destaques do dia. 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