{"id":145047,"date":"2026-08-10T16:01:58","date_gmt":"2026-08-10T19:01:58","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiasbahia360.com.br\/?p=145047"},"modified":"2026-08-10T16:01:58","modified_gmt":"2026-08-10T19:01:58","slug":"falta-de-mao-de-obra-no-campo-e-desafio-para-o-setor-agropecuario-na-bahia-diz-faeb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasbahia360.com.br\/?p=145047","title":{"rendered":"Falta de m\u00e3o de obra no campo \u00e9 desafio para o setor agropecu\u00e1rio na Bahia, diz Faeb"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/agronegocio.png\" alt=\"agroneg\u00f3cio\"><figcaption>Foto: CNA\/ Wenderson Araujo\/Trilux<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A falta de m\u00e3o de obra dispon\u00edvel para trabalhar no campo \u00e9 um dos principais desafios enfrentados pelo setor agropecu\u00e1rio na Bahia e, junto com outros fatores, tem preocupado o fortalecimento do segmento produtivo no estado.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A informa\u00e7\u00e3o foi divulgada por Humberto Miranda, presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado da Bahia (Faeb), durante uma entrevista ao programa Acorda Cidade, na manh\u00e3 desta segunda-feira (10).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presidente explicou que o problema est\u00e1 relacionado a fatores como a migra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o rural para os grandes centros, a percep\u00e7\u00e3o negativa sobre a vida no campo, a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a na zona rural e a falta de infraestrutura.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Humberto estava acompanhado de Beto Falc\u00e3o, presidente da Cooperfeira. A dupla tamb\u00e9m falou sobre um evento promovido pela Faeb em parceria com o Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em Feira de Santana, para apresentar a\u00e7\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es e discutir o cen\u00e1rio do agro baiano. O encontro aconteceu tamb\u00e9m nesta segunda (10).<\/p>\n<h2 id=\"h-escassez\" class=\"wp-block-heading\">Escassez<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Humberto, a discuss\u00e3o sobre a escassez de trabalhadores precisa partir da compreens\u00e3o das causas do problema. O presidente come\u00e7ou questionando por que um estado com cerca de 15 milh\u00f5es de habitantes (Censo IBGE 2022) enfrenta dificuldade para encontrar jovens dispostos a trabalhar no campo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEsta \u00e9 a pergunta: <strong>Por que est\u00e1 faltando m\u00e3o de obra se a gente \u00e9 um pa\u00eds de mais de 200 milh\u00f5es de habitantes? <\/strong>Por que est\u00e1 faltando m\u00e3o de obra se o jovem est\u00e1 precisando de oportunidade, o jovem est\u00e1 querendo crescer, ganhar dinheiro, melhorar de vida, e mesmo assim n\u00e3o estamos encontrando?\u201d, questionou Humberto.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para concluir o in\u00edcio do racioc\u00ednio, o presidente afirmou que uma das raz\u00f5es \u00e9 justamente a migra\u00e7\u00e3o de moradores de pequenas cidades para os grandes centros urbanos e relacionou o fen\u00f4meno \u00e0 forma como o campo foi apresentado historicamente na educa\u00e7\u00e3o e na sociedade.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs incha\u00e7os das grandes cidades \u00e9 uma quest\u00e3o estrutural no Brasil por uma s\u00e9rie de quest\u00f5es, inclusive por causa da educa\u00e7\u00e3o brasileira que ensina as pessoas para irem embora do campo, mostrando que o campo n\u00e3o \u00e9 lugar de se viver, que o campo \u00e9 o lugar do Jeca, \u00e9 o lugar do Tabar\u00e9u, \u00e9 o local do cara que fala errado, que t\u00e1 com chap\u00e9u de palha rasgado, com a cal\u00e7a furada sem condi\u00e7\u00e3o de comprar uma nova, e n\u00e3o \u00e9 assim\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Miranda tamb\u00e9m criticou o estere\u00f3tipo de que o campo seria um lugar sem oportunidades ou qualidade de vida. Para ele, essa percep\u00e7\u00e3o contribuiu para afastar ainda mais os jovens das atividades rurais, privando o grupo de grandes oportunidades.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe a gente olhar para os n\u00fameros, quem sustenta a economia brasileira \u00e9 o campo brasileiro. Ent\u00e3o temos que ter muito orgulho de dizer que somos da ro\u00e7a, que nascemos na ro\u00e7a, que ajudamos esse Brasil, que ajudamos a Bahia a gerar emprego, a gerar renda\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cUm pouco da  falta de m\u00e3o de obra vem em decorr\u00eancia disso, dessa baixa autoestima do jovem de morar no campo, de querer n\u00e3o ser o vaqueiro da fazenda, ser o gerente da fazenda\u201d, completou Humberto.<\/p>\n<h2 id=\"h-novos-ventos\" class=\"wp-block-heading\">Novos ventos<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presidente da Faeb destacou que as condi\u00e7\u00f5es de trabalho no campo mudaram e que as atividades rurais passaram a exigir profissionais qualificados para operar m\u00e1quinas e lidar com tecnologia. Em contrapartida, a exig\u00eancia por uma melhor qualifica\u00e7\u00e3o garantiu aos trabalhadores a oportunidade de evoluir economicamente e obter melhores remunera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHoje o cara mora no campo e \u00e0s vezes voc\u00ea d\u00e1 a ele a casa, voc\u00ea d\u00e1 energia, voc\u00ea d\u00e1 \u00e1gua. Ent\u00e3o o sal\u00e1rio no campo hoje \u00e9 um sal\u00e1rio digno, \u00e0s vezes paga at\u00e9 melhor do que fora da zona rural. Por exemplo, n\u00f3s temos um tratorista no oeste da Bahia que ganha R$ 10.000. Se ele for de uma m\u00e1quina colheitadeira, ele pode chegar a R$ 15 mil, R$ 20 mil\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A moderniza\u00e7\u00e3o do setor, segundo Miranda, tamb\u00e9m ampliou a variedade de profiss\u00f5es relacionadas ao campo. Ele citou advogados, administradores, programadores e profissionais ligados ao mercado internacional entre as \u00e1reas que podem encontrar oportunidades no agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHoje o campo \u00e9 um lugar que tem seguran\u00e7a trabalhista, o cara trabalha hoje com equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual, com carteira assinada, com todos os direitos, que n\u00e3o \u00e9 mais do que a obriga\u00e7\u00e3o do produtor brasileiro fazer isso, mas \u00e9 bom que se diga isso, porque \u00e0s vezes nem em todos os lugares tem isso, mas com todas as seguran\u00e7a trabalhista e acima de tudo com qualidade de vida\u201d, afirmou.<\/p>\n<h2 id=\"h-um-amplo-projeto\" class=\"wp-block-heading\">Um amplo projeto<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para enfrentar a falta de trabalhadores e reduzir a concentra\u00e7\u00e3o populacional nos grandes centros, Miranda defendeu a interioriza\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico. Segundo o presidente, \u00e9 necess\u00e1rio criar um projeto para desenvolver as pequenas cidades e fortalecer a perman\u00eancia de profissionais qualificados no campo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPrecisamos ter um projeto urgente de interioriza\u00e7\u00e3o do desenvolvimento da Bahia para que a gente possa ter as pequenas cidades, para que a gente possa ter o campo de volta com pessoas com capacidade, com forma\u00e7\u00e3o, com compet\u00eancia para a gente descentralizar a economia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Humberto, a concentra\u00e7\u00e3o populacional nas grandes cidades tamb\u00e9m contribui para problemas sociais, como falta de moradia, defici\u00eancia de saneamento e viol\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele citou ainda a informalidade como outro ponto que precisa ser considerado na an\u00e1lise do mercado de trabalho. Segundo o presidente da Faeb, quase 40% da popula\u00e7\u00e3o brasileira trabalha informalmente, sem carteira assinada e sem os direitos trabalhistas associados ao emprego formal.<\/p>\n<h2 id=\"h-falta-de-seguranca-afasta-trabalhadores\" class=\"wp-block-heading\">Falta de seguran\u00e7a afasta trabalhadores<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da migra\u00e7\u00e3o e da percep\u00e7\u00e3o sobre o trabalho rural, Miranda apontou a seguran\u00e7a como um dos obst\u00e1culos para a perman\u00eancia de trabalhadores nas propriedades. Segundo ele, a dificuldade \u00e9 especialmente percebida na contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores que precisam morar nas fazendas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente tem um problema grav\u00edssimo. A Bahia, como voc\u00ea sabe, tem esse problema da seguran\u00e7a. Ele \u00e9 transversal da cidade at\u00e9 o campo. Hoje, para voc\u00ea arrumar um vaqueiro para morar na fazenda \u00e9 dif\u00edcil. O cara diz: \u2018N\u00e3o, eu at\u00e9 vou l\u00e1 trabalhar, mas de noite eu tenho que voltar para dormir\u2019 no povoado ou na cidade\u201d, explicou.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPara o homem morar no campo, ele n\u00e3o precisa s\u00f3 de dinheiro, ele precisa de lazer, ele precisa de sa\u00fade. Ele precisa de seguran\u00e7a, ele precisa de todas as coisas que o cara da cidade precisa, ele tamb\u00e9m precisa. Ent\u00e3o, se os governos municipais, estadual e federal n\u00e3o d\u00e3o essa condi\u00e7\u00e3o do homem ficar no campo, ele n\u00e3o fica\u201d, complementou Beto Falc\u00e3o.<\/p>\n<h2 id=\"h-infraestrutura-e-conectividade\" class=\"wp-block-heading\">Infraestrutura e conectividade<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro desafio apontado pelo presidente da Faeb \u00e9 a infraestrutura. Ele criticou as condi\u00e7\u00f5es das rodovias que cortam a Bahia e citou a BR-242 e a BR-324 como exemplos de problemas que afetam o setor agropecu\u00e1rio no estado.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPassei na BR-242 h\u00e1 poucos dias indo pro oeste da Bahia e, infelizmente, a estrada t\u00e1 numa condi\u00e7\u00e3o absurda de transporte. E \u00e9 de l\u00e1 que v\u00eam os nossos gr\u00e3os. A Bahia \u00e9 um grande produtor de gr\u00e3os que ajuda a exporta\u00e7\u00e3o, mas como a gente n\u00e3o tem transporte ferrovi\u00e1rio que foi extinto, acabou na Bahia e no Brasil, dificulta\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/BA-649-entre-Ilheus-e-Itabuna-Foto-Ze-Drone-090726-edited.jpg\" alt=\"BA-649, entre Ilh\u00e9us e Itabuna\" class=\"wp-image-680224\" srcset=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/BA-649-entre-Ilheus-e-Itabuna-Foto-Ze-Drone-090726-edited.jpg 1200w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/BA-649-entre-Ilheus-e-Itabuna-Foto-Ze-Drone-090726-edited-750x422.jpg 750w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/BA-649-entre-Ilheus-e-Itabuna-Foto-Ze-Drone-090726-edited-1000x563.jpg 1000w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/BA-649-entre-Ilheus-e-Itabuna-Foto-Ze-Drone-090726-edited-450x253.jpg 450w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/08\/BA-649-entre-Ilheus-e-Itabuna-Foto-Ze-Drone-090726-edited-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">BA-649, entre Ilh\u00e9us e Itabuna | Foto: Z\u00e9 Drone <\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a entrevista, Humberto tamb\u00e9m apontou a conectividade como outro fator importante para a perman\u00eancia de jovens no campo. Segundo ele, o acesso \u00e0 internet passou a ser essencial para educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e capacita\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNo Senar n\u00f3s temos mais de 300 cursos, onde, atrav\u00e9s de uma plataforma, um jovem pode estar morando na ro\u00e7a, como a gente diz, em qualquer lugar da Bahia, e ele entrar, tomar um curso e se qualificar como m\u00e3o de obra para exercer qualquer atividade no campo\u201d, afirmou.<\/p>\n<h2 id=\"h-capacitacao\" class=\"wp-block-heading\">Capacita\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a entrevista, tamb\u00e9m foi explicado que a unidade do Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) em Feira de Santana, que faz parte do sistema Faeb, atua na forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o de trabalhadores e produtores rurais. Ao todo, s\u00e3o 11 centros regionais na Bahia.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"789\" src=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Curso-do-Senar-2.webp\" alt=\"Senar leva curso de capacita\u00e7\u00e3o para trabalhadores rurais de Ant\u00f4nio Cardoso\" class=\"wp-image-651241\" srcset=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Curso-do-Senar-2.webp 1200w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/04\/Curso-do-Senar-2-750x493.webp 750w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/04\/Curso-do-Senar-2-1000x658.webp 1000w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/04\/Curso-do-Senar-2-450x296.webp 450w, https:\/\/uploads.acordacidade.com.br\/2026\/04\/Curso-do-Senar-2-150x99.webp 150w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Senar<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sistema tamb\u00e9m oferece assist\u00eancia t\u00e9cnica aos pequenos produtores e cursos de curta dura\u00e7\u00e3o. Segundo Miranda, em 2025 foram atendidos quase 200 mil baianos entre jovens, mulheres, trabalhadores e produtores rurais.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Siga o Acorda Cidade no\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/search?q=acorda%20cidade&amp;hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\"><strong><em>Google Not\u00edcias<\/em><\/strong><\/a><em>\u00a0e receba os principais destaques do dia. 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