{"id":158862,"date":"2026-10-29T21:03:03","date_gmt":"2026-10-30T00:03:03","guid":{"rendered":"https:\/\/noticiasbahia360.com.br\/?p=158862"},"modified":"2026-10-29T21:03:03","modified_gmt":"2026-10-30T00:03:03","slug":"literatura-negra-e-letramento-racial-sao-destaques-na-flica-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticiasbahia360.com.br\/?p=158862","title":{"rendered":"Literatura negra e letramento racial s\u00e3o destaques na Flica 2026"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/noticiasbahia360.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Nina-da-Hora-Acervo-pessoal-Sued-Nunes-Rodrigo-Ladeira-Nilma-Lino-Gomes-Foto-Leticia-Souza-foto-.jpg\" alt=\"Nina da Hora, Sued Nunes e Nilma Lino Gomes\"><figcaption>Nina da Hora, Sued Nunes e Nilma Lino Gomes | Foto: Arte \/ Divulga\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Formar leitores tamb\u00e9m \u00e9 ampliar os olhares sobre o mundo, reconhecer diferentes hist\u00f3rias e compreender as rela\u00e7\u00f5es que atravessam a sociedade. Na <strong>14\u00aa Festa Liter\u00e1ria Internacional de Cachoeira \u2013 Flica<\/strong>, que acontece de 5 a 8 de novembro, essa perspectiva ganha for\u00e7a com uma programa\u00e7\u00e3o que aproxima letramento liter\u00e1rio e racial durante o M\u00eas da Consci\u00eancia Negra. Na Tenda Paragua\u00e7u, debates sobre intelig\u00eancia artificial, racismo algor\u00edtmico, ancestralidade e narrativas negras prop\u00f5em reflex\u00f5es sobre a conex\u00e3o entre literatura, educa\u00e7\u00e3o e tecnologia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os nomes que contribuem para essa discuss\u00e3o est\u00e1 <strong>Nina da Hora<\/strong>, cientista da computa\u00e7\u00e3o, pesquisadora e ativista antirracista, que dividir\u00e1 a mesa de abertura da Tenda Paragua\u00e7u com a jornalista Miriam Leit\u00e3o, na quinta-feira (5), \u00e0s 11h. Guiada pelo tema <strong>\u201cPenso, logo\u2026 IA: distopias \u00e0 vista?\u201d<\/strong> e mediada pelo especialista em cultura Zulu Ara\u00fajo, a conversa traz os impactos da intelig\u00eancia artificial na sociedade, com aten\u00e7\u00e3o aos dilemas \u00e9ticos que podem reproduzir desigualdades raciais.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na ocasi\u00e3o, Nina lan\u00e7a o livro \u201c<em>Do rosto ao vetor: uma hist\u00f3ria da medi\u00e7\u00e3o do rosto, da eugenia ao algoritmo\u201d<\/em>, no qual investiga o conceito de epistemic\u00eddio computacional, que trata do apagamento ou da distor\u00e7\u00e3o de conhecimentos e identidades de grupos historicamente marginalizados.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na vis\u00e3o de Nina da Hora, as desigualdades raciais presentes nos sistemas de intelig\u00eancia artificial est\u00e3o relacionadas aos dados usados para trein\u00e1-los e \u00e0 forma como as pessoas s\u00e3o representadas, quest\u00e3o que ela aprofunda em sua pesquisa. \u201cA IA aprende com dados, e os dados que temos no Brasil carregam a nossa hist\u00f3ria: quem foi abordado pela pol\u00edcia, quem conseguiu cr\u00e9dito, quem foi fotografado e quem nunca entrou nos registros. Um sistema treinado com isso aprende essas diferen\u00e7as como se fossem normais e devolve o resultado com cara de decis\u00e3o t\u00e9cnica. O erro come\u00e7a antes da m\u00e1quina, na forma como a gente classifica e representa as pessoas\u201d, analisa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dedicada a temas mais profundos e maduros, a Tenda Paragua\u00e7u explora a revolu\u00e7\u00e3o da IA no campo das letras. Segundo o curador Marielson Carvalho, o letramento liter\u00e1rio passa pela compreens\u00e3o dessas transforma\u00e7\u00f5es na forma como as pessoas se relacionam com a leitura.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00f3s estamos vendo o quanto os algoritmos est\u00e3o dando um n\u00f3 nas legisla\u00e7\u00f5es e como h\u00e1 uma necessidade de regula\u00e7\u00e3o da IA. Tem pesquisadores alertando sobre os perigos da superintelig\u00eancia descontrolada. Eu acho isso meio dist\u00f3pico, o que \u00e9 at\u00e9 tema da mesa de abertura. \u00c9 preciso pensar nos benef\u00edcios e malef\u00edcios da IA e nos caminhos para lidar com ela no futuro, tanto na literatura quanto nas rela\u00e7\u00f5es pessoais\u201d, pontua Marielson.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vozes negras no palco da Flica \u2013<\/strong> Ainda na quinta-feira (5), \u00e0s 19h, o espa\u00e7o recebe o sarau <strong>\u201cSued Nunes N\u00e3o Anda S\u00f3\u201d<\/strong>, encontro que re\u00fane vozes negras baianas em performances liter\u00e1rias e musicais refletidas por experi\u00eancias coletivas de luta contra o racismo. Ao lado da cantora e compositora <strong>Sued Nunes<\/strong>, participam <strong>Afropecado<\/strong>, poeta marginal, MC e produtora cultural; <strong>Duda Santhana<\/strong>, jovem poeta e declamadora; <strong>MC Jaynne<\/strong>, rapper e compositora; e <strong>Matheus Kawan<\/strong>, escritor, poeta e pesquisador. A proposta valoriza a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica da Bahia e do Rec\u00f4ncavo, real\u00e7ando a diversidade de express\u00f5es culturais e a for\u00e7a das viv\u00eancias negras na arte.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Matheus Kawan comenta que o pr\u00f3prio t\u00edtulo do sarau refor\u00e7a a ideia de que nenhuma trajet\u00f3ria, seja art\u00edstica ou n\u00e3o, se constr\u00f3i sozinha.\u00a0 \u201cAcredito que nossas vozes e linguagens art\u00edsticas, embora distintas, ir\u00e3o se conectar a partir do senso de comunidade e pertencimento. Quando nosso eu se reflete em quem se parece com a gente, os caminhos se povoam pelas experi\u00eancias compartilhadas. O p\u00fablico pode esperar um encontro cr\u00edtico e sens\u00edvel, marcado pelo afeto, ancestralidade e pela pot\u00eancia criativa, em que cada voz fortalece a outra para que, juntos, possamos construir uma narrativa ainda mais poderosa e coletiva\u201d, avalia o poeta.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A produ\u00e7\u00e3o assume um significado pol\u00edtico, especialmente durante o M\u00eas da Consci\u00eancia Negra. Ele refor\u00e7a que a presen\u00e7a da literatura afro-baiana na FLICA, destaca o compromisso do evento com a intelig\u00eancia ancestral. \u201cEsse reconhecimento nos faz perceber que nossas viv\u00eancias t\u00eam transcendido a dor, se afirmando cada vez mais em sua pot\u00eancia est\u00e9tica, art\u00edstica e pol\u00edtica. Temos muito a escrever, dizer, criar, oferecer e prosperar. Nenhuma hist\u00f3ria opressora pode se sobrepor a uma luta memor\u00e1vel\u201d, declara.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que a mem\u00f3ria n\u00e3o deixa apagar \u2013<\/strong> Na sexta-feira (6), \u00e0s 15h, chega a vez da mesa \u201cIntelig\u00eancia ancestral, mem\u00f3rias afrofuturistas\u201d, que reconhecer\u00e1 as oralidades africanas e diasp\u00f3ricas como formas de preservar saberes e imaginar novas possibilidades para o futuro. Integram o bate-papo o escritor afrofuturista <strong>Ale Santos<\/strong>, apontado pela Science Fiction Research Association (SFRA) como o mais popular da nova gera\u00e7\u00e3o, e <strong>Cesar Sobrinho<\/strong>, pesquisador, professor e tradutor reconhecido por traduzir do franc\u00eas para o portugu\u00eas contos populares africanos e afrodiasp\u00f3ricos. A media\u00e7\u00e3o ser\u00e1 da professora, pesquisadora e cr\u00edtica liter\u00e1ria <strong>Cristian Sales<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Ale Santos, reconhecer a intelig\u00eancia ancestral tamb\u00e9m representa ampliar a compreens\u00e3o sobre o que \u00e9 tecnologia e questionar a ideia de que o futurismo depende necessariamente das m\u00e1quinas e aplicativos. \u201cPovos e pa\u00edses que n\u00e3o t\u00eam o controle das m\u00e1quinas, como as Big Techs dos Estados Unidos, s\u00e3o vistos como periferia, sendo que, na hist\u00f3ria da humanidade, muitas tecnologias vieram de povos amaz\u00f4nicos, africanos e latinos. Elas conseguem constituir um progresso social, harm\u00f4nico, sustent\u00e1vel e biodiverso muito mais poderoso. As tecnologias culin\u00e1rias, musicais e art\u00edsticas, por exemplo, ajudam a manter tradi\u00e7\u00f5es, conectar indiv\u00edduos durante gera\u00e7\u00f5es e preservar o equil\u00edbrio com o meio ambiente\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O escritor destaca o papel da Flica em aproximar narrativas afro-brasileiras e as novas gera\u00e7\u00f5es de leitores, al\u00e9m de contribuir na valoriza\u00e7\u00e3o de imagin\u00e1rios que nascem no Brasil e que colocam protagonistas negros no centro da imagina\u00e7\u00e3o, fantasia e fic\u00e7\u00e3o. \u201cTemos um pa\u00eds que bebe muito das imagens de futuro e da literatura fant\u00e1stica que v\u00eam do estrangeiro. No painel, iremos tratar sobre como todas essas tecnologias ancestrais nascidas do seio do Brasil, da floresta, dos povos africanos e amer\u00edndios podem constituir novas est\u00e9ticas visuais que comp\u00f5em a ind\u00fastria de entretenimento, cinema, videogame, literatura e tudo mais\u201d, conta Ale Santos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O racismo por tr\u00e1s dos algoritmos<\/strong> <strong>\u2013<\/strong> J\u00e1 no s\u00e1bado (7), \u00e0s 18h, a mesa \u201cIntelig\u00eancia artificial e racismo \u2013 Algoritmos da branquitude\u201d encerra a programa\u00e7\u00e3o da Tenda Paragua\u00e7u com uma reflex\u00e3o sobre como sistemas de intelig\u00eancia artificial podem perpetuar estruturas hist\u00f3ricas de poder, preconceitos e discrimina\u00e7\u00f5es. A discuss\u00e3o sobre o racismo nas tecnologias digitais e seus efeitos nas rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais no Brasil contar\u00e1 com <strong>Nilma Lino Gomes<\/strong>, pedagoga, escritora e ex-ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, e <strong>Tarc\u00edzio Silva<\/strong>, pesquisador em pol\u00edticas tecnol\u00f3gicas, doutor em Ci\u00eancias Humanas e Sociais e mestre em Comunica\u00e7\u00e3o. A media\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 a cargo de <strong>Jamile Borges<\/strong>, professora e vice-reitora da UFBA.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta curatorial da Tenda Paragua\u00e7u considera a conscientiza\u00e7\u00e3o parte essencial do letramento liter\u00e1rio e racial. Inspirado pelo pensamento de Paulo Freire, <strong>\u201cA leitura do mundo precede a leitura da palavra\u201d<\/strong>, o curador Marielson Carvalho ressalta que esse processo come\u00e7a antes mesmo da alfabetiza\u00e7\u00e3o e passa pela compreens\u00e3o das realidades que cercam cada indiv\u00edduo. \u201cA crian\u00e7a, antes de ler, tem acesso a v\u00e1rios sinais, significados, seja a natureza, oralidade ou hist\u00f3rias contadas pelos seus mais velhos. O livro \u00e9 uma refer\u00eancia de conhecimento, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. A literatura escrita e oral fazem parte da nossa programa\u00e7\u00e3o, porque a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, por exemplo, faz parte desse letramento\u201d, completa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 14\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Flica tem patroc\u00ednio do Governo do Estado da Bahia, por meio do FazCultura, da Secretaria da Fazenda (Sefaz), da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o (SEC). O evento integra o Bahia Liter\u00e1ria, programa da Funda\u00e7\u00e3o Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada \u00e0 SecultBA. A realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 da SCHOMMER Produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Siga o Acorda Cidade no\u00a0<a href=\"https:\/\/news.google.com\/search?q=acorda%20cidade&amp;hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Google Not\u00edcias<\/strong><\/a>\u00a0e receba os principais destaques do dia. 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