
Dezenas de motociclistas participaram de um ato na manhã deste sábado (30) pelas ruas de Feira de Santana, em alusão ao Maio Amarelo, campanha nacional de conscientização para a segurança no trânsito.
Nas primeiras horas desta manhã, o grupo partiu de um ponto da Avenida Presidente Dutra e realizou um percurso por ruas e avenidas da cidade que é conhecida como Princesa do Sertão.

Em entrevista ao Acorda Cidade, Anderson Trindade, organizador da motociata, fez questão de reforçar que o principal objetivo da manifestação é chamar a atenção de toda a sociedade para o alto índice de acidentes no trânsito, em especial os envolvendo motociclistas.

“Reunimos dezenas de motociclistas, motofretistas, mototaxistas, pessoal de autoescola, centro de formação de condutores, que vêm ensinando de forma correta os condutores para que possam ter dirigibilidade na cidade. Foram convidados representantes do Detran, PRF, SMT, Samu, todos os órgãos relacionados à segurança no trânsito, para nos dar apoio”, disse Anderson.
A enfermeira Rita Lima, que participou do ato e coordena o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Feira de Santana, destacou à reportagem do Acorda Cidade a gravidade dos acidentes envolvendo condutores de motocicletas.

“As ocorrências do Samu nos assustam, porque diariamente, dos chamados para o 192, 11,4% são ocorrências envolvendo acidentes de trânsito. E, desses números, 90% são acidentes envolvendo motociclistas”, disse a coordenadora do Samu.

“O para-brisa da moto é o próprio motociclista. Então, em caso de acidentes, seja colisão ou queda, a lesão é muito maior; a lesão é mais grave. E ele pode sofrer diversas lesões, desde traumatismo cranioencefálico, que é o TCE, fraturas expostas, fraturas fechadas, escoriações diversas e lesões de órgãos internos”, completou a enfermeira.
A motociclista Luciana da Silva Dias, que realiza entregas por aplicativo, participou do ato na manhã deste sábado. Para o Acorda Cidade, ela reconheceu que o grande vilão para a categoria é a falta de respeito.

“Eu quis participar devido à violência no trânsito. Os carros não respeitam os motociclistas. Não dão espaço para a gente trafegar com segurança. Eu já sofri dois acidentes pilotando a moto. E, além da falta de respeito, tem aquela negligência de não prestar socorro. Eles derrubam a gente e ainda fogem do local.

“Não vou dizer que são só os motoristas dos carros que estão errados; tem muito motociclista que comete erros também. Tem muito motoqueiro imprudente. Mas, primeiramente, deve prevalecer o respeito para com o outro. E o povo não tem, ninguém respeita mais o outro”, completou Luciana.
Apesar dos casos envolvendo acidentes com motocicletas na cidade, o superintendente municipal de trânsito de Feira de Santana, Ricardo Cunha, destacou que o município vem conseguindo estabilizar o número de sinistros, algo que pode ser identificado como um fator positivo.

“Feira de Santana, graças a Deus, está na contramão da direção dos casos no Brasil, mas os números ainda são alarmantes, são grandes. Em todo o Brasil, a gente tem um aumento significativo na quantidade de sinistros de trânsito de 2025 para 2026″, disse.

“Em Feira de Santana não é o que a gente quer, mas tivemos o mesmo percentual do ano passado. Volto a dizer: isso está sendo celebrado por todas as pessoas que fazem trânsito no Brasil, mas para mim ainda é pouco”, declarou Ricardo.
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade
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