
O Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), referência regional no atendimento a vítimas de acidentes com animais peçonhentos, registrou de janeiro a julho deste ano 400 casos de picadas por escorpião. No mesmo período do ano anterior, foram computados 474 casos. No total, em 2025, 800 pessoas foram picadas por escorpiões, em Feira de Santana e região.
Já com relação às serpentes, o HGCA registrou de janeiro a agosto deste ano 33 casos. Em 2025, foram 59 ocorrências durante todo o ano, sendo as espécies Jararaca e Cascavel as mais comuns. No caso das aranhas, em 2025, houve apenas um caso que necessitou de soro. Em 2026, de janeiro a agosto o hospital já recebeu três pacientes mordidos por estes animais.
Apesar de uma leve redução de alguns tipos de ocorrências de um ano para outro, os números continuam altos no município. Tal condição reforça a necessidade de mais ações de prevenção e cuidados em caso de picadas por animais peçonhentos.
Expansão imobiliária
Em entrevista ao Portal Acorda Cidade, a coordenadora do Núcleo Hospitalar de Vigilância Epidemiológica do HGCA, Karina Cerqueira, confirmou que a unidade tem recebido muitos pacientes vítimas de acidentes com animais peçonhentos, em sua maioria serpentes e escorpiões.
Ela atribui o alto número de acidentes à grande expansão imobiliária de Feira de Santana nos últimos anos, com a construção de novos condomínios em áreas de vegetação anteriormente preservadas.
“O que era o habitat natural das cobras viraram habitats humanos. Então, essas serpentes saem dos seus habitats e vão para a área urbana em busca de abrigo e de alimento, porque elas não vão em busca de pessoas”, avaliou.

O que fazer logo após sofrer uma picada
Segundo a coordenadora, o Clériston Andrade é porta aberta para atendimentos as vítimas de animais peçonhentos. Portanto, os pacientes devem se dirigir diretamente para a unidade, ao invés de procurarem outros locais de urgência e emergência, como policlínicas e Unidades de Pronto Atendimento (UPA), por exemplo.
Ela ressaltou que o HGCA é o único hospital da região que mantém um estoque de soros para cada tipo de picada por animal peçonhento.
“As pessoas devem imediatamente para a emergência. Se a picada for muito extensa ou em uma área que seja de muita proliferação de vasos sanguíneos, o tempo de inoculação pode ser maior. Então, a gente não determina um tempo. A gente determina que foi picado por algum animal peçonhento, procura a unidade de emergência aqui no Hospital Geral Clériston Andrade o mais rápido possível.”
Lavar com água e sabão deve ser o primeiro passo após uma picada por animal peçonhento. Já outras soluções caseiras, como colocar pó de café em cima do ferimento, dentre outras medidas comumente utilizadas pela população, devem ser evitadas.
“Não se colocar nenhuma substância caseira, como borra de café, não fazer torniquetes. Então, a indicação é vir imediatamente para a emergência. Quando chega aqui, esse paciente é atendido, é feito uma triagem, passa pelo médico e aí verifica a necessidade ou não de fazer uso dos soros. Quanto mais rápido o atendimento, evita complicações e evita também casos de óbito.”
A enfermeira esclareceu que determinados tipos de serpentes, como a cascavel, têm um nível de letalidade que pode levar a mortes, o que reforça a necessidade do atendimento imediato.
“O ano passado a gente teve um paciente grave, que ficou internado na UTI e foi a óbito. Nesse caso, esse paciente demorou muito, porque ele foi do interior, se eu não me engano foi de Baixa Grande. E esse paciente, ele primeiro foi para uma unidade em Baixa Grande, que não tinha suporte, não tinha soro. Então, em casos de picada, de serpente, escorpião, se você sabe que o seu município não tem um hospital de referência, tem que vir imediatamente o Clériston. Nem hospital particular em Feira de Santana faz essa administração dos soros.”
Riscos elevados para idosos e crianças
Em relação aos escorpiões, a enfermeira ressaltou os riscos, sobretudo para idosos, crianças, pessoas com problemas de saúde, como cardiopatas, hipertensos e diabéticos.
“São as pessoas que mais a picada de escorpião pode levar à gravidade e, em alguns casos, a morte. Ele provoca uma dor intensa, tanto que um dos primeiros cuidados quando chega aqui ao hospital é fazer analgesia, ou seja, administrar medicamentos para a dor.”
A especialista afirmou ainda que os acidentes ocorrem não apenas nas localidades da zona rural, mas também houve um aumento significativo em áreas urbanas em Feira.
“Quando a cidade tem muitos entulhos, lixos espalhados, favorece o aparecimento de roedores, que são as principais fontes de alimentos para essas serpentes, em primeiro lugar, a jararaca e, em segundo lugar, a cascavel. A gente tem pessoas que chegam, que mexem com construção civil, e a gente orienta que se for manipular algum orifício em parede, algum buraco, adentrar em áreas de mata, sempre estar protegido com luvas específicas, com botas, calçados específicos, para evitar esse tipo de acidente.”
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.
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