16 de September de 2026
Panfletagem
Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

A corrida eleitoral, que ocorre a cada dois anos, vai muito além de disputas panfletárias e debates acalorados. Esse período movimenta engrenagens financeiras que impactam diretamente empreendedores, pequenas e médias empresas das cidades, envolvidos com os setores de comércio e prestação de serviços. Dos grandes centros urbanos aos pequenos municípios, a injeção de recursos públicos e privados cria um aquecimento econômico temporário.

“Acontece um boom econômico no período eleitoral, ajudando pequenas e médias empresas a faturarem mais durante esse tempo. Esse dinheiro é injetado pelos fundos eleitorais e partidários, e doações privadas para as campanhas. A distribuição dessas verbas obriga partidos e candidatos a gastarem rapidamente as quantias, beneficiando diversos setores da economia”, detalha o especialista em Gestão, Júlio Alvarenga.

Ele explica ainda que impactos acontecem diretamente nos setores comerciais e de serviços, como as empresas de gráficas e de comunicação visual, que produzem artigos para campanhas como panfletos, santinhos, faixas, adesivos para carros, camisetas e bandeiras, registrando picos de faturamento durante o período de campanha. Há ainda as empresas de serviços digitais e de produção de conteúdo, como agências de marketing, videomakers, editores, consultores de dados, que veem a demanda disparar.

“O trabalho temporário também injeta renda neste período, com a contratação de cabos eleitorais, panfleteiros, motoristas e equipes de segurança, além dos setores de logística, eventos, hotelaria e alimentação, devido ao deslocamento constante de comitês e equipes, que geram aumento na ocupação de hotéis, consumo em pequenos restaurantes e alta demanda por combustíveis nos postos das cidades”, acrescenta Alvarenga.

Ressaca econômica após as eleições

O professor dos cursos de Gestão da Estácio enfatiza o cuidado que os empreendedores precisam tomar com esse alto estímulo econômico momentâneo trazido pelas eleições.

“Essa é uma demanda com data para acabar, o aquecimento econômico termina assim que as eleições acabam, então a primeira questão é ter ciência disso. O período eleitoral representa uma oportunidade valiosa de faturamento extra e fôlego financeiro no orçamento, mas é preciso ter atenção com o período que vem depois, a ressaca econômica. Quando acaba o período eleitoral, muitas empresas se desestruturam, porque não se prepararam para a hora que esse dinheiro para de entrar no caixa. É preciso se preparar para não ser pego de surpresa”, diz Alvarenga.

O especialista em Gestão dá então algumas dicas aos empreendedores:

  • Não gaste esse lucro extra que entrou durante esse período, tente economizar ao máximo, guardando de 30 a 40% desse valor para voltar a sua rotina de venda normal.
  • Cuidado com o estoque, é preciso equilíbrio, ele é importante para esse período de aumento de vendas, mas o excesso de estoque vai trazer prejuízo, pois é um dinheiro parado que pode ser não utilizado no futuro.
  • Aposte na fidelização desse cliente que surgiu durante o período eleitoral, pois ele pode voltar ao seu negócio em outro momento. Se seu serviço ou produto for bom, ele voltará a ser seu cliente. Invista em cartões de fidelidade e preste um bom atendimento.
  • Use esse lucro que você conquistou durante a campanha eleitoral para investir em outras datas de consumo que também estão próximas, que são a Black Friday e o Natal. Essas são datas que demandam investimento para fazer boas compras, e consequentemente você conseguirá oferecer boas ofertas para sua clientela.

“Lembre-se que o empresário que vence a eleição é aquele que consegue se planejar para esse período”, finaliza o professor da Estácio.

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