
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), que saiu vitorioso das eleições deste ano, criticou, em uma tacada só, um comportamento que considerou como falta de civilidade por parte de ACM Neto (União) e o silêncio estratégico de José Ronaldo (União).
Os comentários foram feitos durante uma entrevista concedida pelo petista ao programa Acorda Cidade desta sexta-feira (16). O foco do bate-papo foi os planos e ações do governador reeleito para o próximo mandato.
O ‘block’ de ACM Neto
Jerônimo iniciou a conversa criticando a postura de ACM Neto (União) após o primeiro turno. Segundo o governador, o ex-prefeito de Salvador não o parabenizou pela vitória, gesto considerado comum no meio político.

“Isso é civilidade. O meu opositor não é um cidadão civilizado. Ele poderia ao menos ligar. Eu não tenho um telefone dele, mas eu falei: ‘Ó, se ele me ligar, eu vou dar um retorno’. Se eu não puder naquela hora ali atender uma ligação dele, ele vai receber uma ligação minha dizendo, agradecendo a ele a gentileza, porque nós disputamos um projeto, não foi inimizade”, disse o governador.
Jerônimo citou como exemplo do que ele acha que deveria ser feito uma experiência divulgada por Jaques Wagner (PT) após vencer Paulo Souto nas eleições. Na ocasião, Wagner procurou o então governador para alinhar uma transição e foi bem recepcionado.
“Muito embora eu tenha a minha certeza do voto, digamos que 98% chance de ganhar, os 2% que eu não vou. Então eu pensava, se não der certo, eu vou ligar pro meu opositor. Eu vou dar parabéns a ele. Eu vou reconhecer que ele ganhou as eleições e vou dizer: ‘Eu quero fazer uma transição boa”, disse Jerônimo.
O silêncio de José Ronaldo
O governador também relembrou o período de maior aproximação com José Ronaldo e criticou a postura do prefeito de Feira de Santana após a aproximação política dele com ACM Neto. Segundo Rodrigues, o gestor passou a criticá-lo publicamente.
“Eu convivi com o prefeito Zé Ronaldo durante um bom tempo mas no dia em que ele começou a andar mais perto do ACM Neto ele saiu chutando a minha perna, dizendo que a fila da regulação era uma fila da morte. Ele foi diversas vezes no meu gabinete, pode ter dito: ‘Governador, eu discordo dessa forma de fazer saúde, eu quero lhe ajudar”, disse Jerônimo.

Apesar das críticas, o governador disse que mantém o compromisso de preservar a relação pessoal com o prefeito para assegurar que Feira de Santana continue recebendo investimentos e ações do governo estadual.
“A palavra que eu dei ao prefeito Zé Ronaldo, a Feira de Santana, minha querida Princesa do Sertão, está mantida. O hospital não saiu do lugar, foi a obra eleitoral. Eu estou aqui. Se precisar de dinheiro, eu quero botar a mão. Se precisar de emenda ainda do deputado, esses três meses que faltam para ele, eu tenho certeza que ele me ajuda”, declarou.

O governador acrescentou que pretende continuar trabalhando para fortalecer o município e ampliar sua importância regional.
“A disputa não é com Zé Ronaldo. A minha disputa aqui é contra as doenças que as pessoas sofrem e não têm direito. Eu quero que Feira volte a ser uma centralidade nesta região. Feira tem uma responsabilidade para o estado da Bahia. E eu, como governador da Bahia, quero ver Feira crescer e vou continuar trabalhando por Feira de Santana”, concluiu.
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