7 de January de 2026
Planserv
Foto: Divulgação
Mesmo com a determinação para fornecimento em cinco dias, o medicamento não foi entregue pelo Planserv ao professor de 46 anos.
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A professora Janildes Silva Pinho relatou o drama vivido pela família diante do agravamento do estado de saúde do marido, Cledston Mário de Santana Lima, de 46 anos, diagnosticado com câncer de próstata com metástase óssea. O paciente enfrenta hoje a perda de movimentos e dores intensas, enquanto aguarda o cumprimento de uma decisão judicial que obriga o Planserv (Assistência à Saúde dos Servidores Públicos da Bahia) a fornecer o medicamento Olaparibe, uma quimioterapia oral de alto custo (aproximadamente R$ 44 mil por mês).

Professor luta contra o câncer, mas Plano do estado nega assistência

Os primeiros sintomas surgiram no final de agosto de 2024. Logo Clédeston iniciou o tratamento com a quimioterapia oral e apresentou bons resultados. “Esse tratamento iniciado em outubro de 2024 foi muito bom. Ele voltou a ter uma vida normal. Tanto que no começo de 2025 ele voltou para a sala de aula normalmente e deu aula até março”. Clédeston é professor do Colégio Ana Angélica, em Salvador, mas está afastado por conta da doença.

Em março do ano passado, as dores retornaram e exames identificaram fraturas nas vértebras, com compressão da medula óssea. “Com isso, ele aos poucos foi perdendo os movimentos. Então, aquele comprimido oral já não estava mais fazendo efeito. O médico passou a quimio”, contou.

Diante da progressão da doença, exames genéticos identificaram uma mutação, o que levou à indicação de uma medicação específica.

Mesmo com decisão judicial, Planserv nega medicamento de R$ 44 mil contra câncer; família pede socorro
Janildes Silva Pinho | Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

“A medicação é chamada de Olaparibe. É uma quimioterapia oral que vai agir exatamente na mutação genética que ele tem. O que os médicos esperam é que essa medicação, como vai agir na mutação que ele tem, consigam controlar a doença, já que as tradicionais não estão controlando.” Segundo a esposa, ele fazia o uso de morfina de quatro em quatro horas para resistir as dores, por falta da quimioterapia indicada para o seu caso.

Apesar da recomendação médica, o Planserv negou o fornecimento. “O Planserv negou o Olaparibe afirmando que o Olaparibe só estava disponível para câncer de mama e não de próstata”. A família recorreu à Justiça em agosto de 2025 e obteve decisões favoráveis.

“A última decisão judicial saiu no dia 12 de novembro de 2025 e a decisão o juiz deixa bem claro lá. Afirma que a recusa do Planserv e a sua inércia em oferecer a medicação configura uma conduta abusiva e ilegal e ele torna a conduta definitiva a tutela de urgência.”

Mesmo com a determinação para fornecimento em cinco dias, o medicamento não foi entregue. “Essa medicação até hoje não chegou ao meu marido e também não houve sequestro de valor nenhum. E o que eu vejo é a doença progredindo. Porque o câncer não fica esperando a justiça resolver para avançar no organismo da pessoa”.

Janildes afirma que o marido enfrenta internações frequentes e fortes dores. A situação tem afetado profundamente a rotina familiar e os filhos do casal, de apenas 15 e 11 anos.

“A rotina dentro de casa mudou muito, sem contar o lado psicológico. Porque eu tenho feito tudo que está ao meu alcance para conseguir resolver, mas chega uma hora que a gente se sente de pés e mãos atadas. E eu vejo o meu marido definhando”, desabafou.

Para ela, há descaso por parte do plano que ignora em responder a decisão judicial enquanto o esposo luta pela vida. “Vão empurrando com a barriga. Mas a gente que está aqui do outro lado, vivendo com a pessoa, a gente quer que ele viva. Ele tem o direito de viver. Ele não pediu para ter a doença. Ele é metástase, mas ele pode ter uma qualidade de vida. Há um descaso completo do Planserv e as pessoas me perguntam, ah, o Planserv não está cumprindo, decisão judicial e não está acontecendo nada? Infelizmente, não está acontecendo nada. Ele não cumpre e não acontece nada.”

Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade

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