21 de January de 2026
rodoviaria de feira
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade
O professor defende que a rodoviária atual ainda é funcional, mas precisa passar por melhorias estruturais e de acessibilidade.
rodoviaria de feira
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

A inauguração da nova Rodoviária de Salvador, no bairro de Águas Claras, na última terça-feira (19), reacendeu em Feira de Santana o debate sobre a possível mudança de local do Terminal Rodoviário da cidade. Fundada em outubro de 1967 e localizada na Avenida Presidente Dutra, uma das principais portas de entrada da Princesa do Sertão, a rodoviária de Feira passou a ser alvo de questionamentos diante do crescimento urbano e do aumento do fluxo de veículos no município.

Considerado o maior entroncamento rodoviário do Nordeste, o Terminal Rodoviário de Feira de Santana recebe diariamente centenas de pessoas de diversas regiões do país. Apenas no período das festas de fim de ano, no final de 2025, foram estimados cerca de 3 mil embarques por dia.

Apesar das críticas, o professor de Ciências Econômicas do Departamento de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Antônio Rosevaldo da Silva, avalia que o principal problema de mobilidade urbana da cidade não está diretamente relacionado à rodoviária, mas ao crescimento acelerado de veículos.

Mudança da Rodoviária de Feira exige estudo de viabilidade e pode colocar equipamento em risco, alerta professor da Uefs
Professor Rosevaldo | Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

“Eu tenho 180 mil automóveis e 130 mil motocicletas circulando nessa cidade diariamente. Isso dá um índice de motorização enorme e dá congestionamentos. A rodoviária de Feira tem apenas 600 ônibus por dia, 300 indo e 300 voltando durante 24h. Então não é tanto problema. Uma boa parte não é no horário de pico comercial, é de madrugada, é à noite. Então não é o problema da rodoviária de Feira.”

Segundo o professor, a comparação com Salvador precisa levar em conta a diferença de demanda entre as duas cidades. Para ele, qualquer proposta de mudança do terminal feirense deve considerar não apenas o espaço físico, mas também os impactos econômicos e sociais no entorno, onde hoje estão concentrados hotéis, restaurantes e diversos serviços.

Mudança exige planejamento e análise de demanda

Para descentralizar a rodoviária do centro da cidade, Rosevaldo ressalta que é necessário discutir cuidadosamente qual seria o local mais adequado para atender todas as regiões do município. Esse, segundo ele, é um dos principais entraves para a mudança.

Outro fator relevante apontado pelo economista é a redução no número de passageiros ao longo dos anos, o que levanta dúvidas sobre a viabilidade econômica de um novo equipamento.

“Feira de Santana, a rodoviária embarcava em 1995, dado de agosto de 1995, 220 mil pessoas. hoje embarca 60 mil. Há uma queda. Como é que você vai mudar um equipamento que está em queda de demanda de passageiros? É muito complicado isso. Não é questão de ser contra. É questão de fazer estudos de viabilidade econômica. Vai ter demanda para uma nova rodoviária? Aracaju fez isso, mudou a rodoviária sem estudar demanda. Quem conhece a rodoviária de Aracaju sabe, está lá morrendo, gemendo de dor e morrendo aos poucos. Então o Feira de Santana corre um risco muito grande de fazer isso também. Matar um equipamento”, explicou o professor ao Acorda Cidade.

Ano Novo movimenta Rodoviária de Feira de Santana | Foto: Paulo José/Acorda Cidade
Ano Novo movimenta Rodoviária de Feira de Santana | Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Antônio Rosevaldo, que já atuou na Agência de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), destacou ainda que a queda no número de passageiros também está relacionada ao aumento da motorização individual e à retirada dos ônibus estaduais do terminal.

“O terminal de Feira também foi afetado Pela retirada dos ônibus estaduais. Hoje só tem duas empresas que rodam com liminar que pode cair a qualquer momento. Tirou o passageiro interestadual, que é um passageiro que consome nas lojas do terminal rodoviário. Então, isso fez cair a demanda. Motorização, as pessoas compram automóveis e também a saída dos ônibus estaduais.”

Congestionamento e mobilidade urbana

De acordo com o professor, o trânsito de Feira de Santana chega a receber, nos horários de pico, entre 7h e 7h30, cerca de 30 mil automóveis circulando simultaneamente, o que provoca congestionamentos no centro e em outras áreas da cidade. Para ele, esse cenário impacta diretamente o deslocamento dos ônibus até a rodoviária.

“A questão não é rodoviária, a questão não é ônibus, é o congestionamento que está acontecendo. Se você for agora na Avenida Iguatemi, está congestionada também. Então, eu tenho 600 ônibus indo e voltando em Feira de Santana. E nós falamos da região norte. Mas a questão é, 60% do movimento do terminal é Feira Salvador. Que esse ônibus não usa no centro da cidade praticamente. Ele faz a volta ali na Rodoviária e vai embora.”

Viaduto Portal do Sertão (BR-324), em Feira de Santana
Viaduto Portal do Sertão (BR-324), em Feira de Santana | Foto: Carlos Silva / Acorda Cidade

Rosevaldo defende que o terminal atual ainda é funcional, mas precisa passar por melhorias estruturais e de acessibilidade.

“O estudo tem que ser muito aprofundado, a localização tem que ser muito boa para recuperar passageiros, uma parte, mas assim por tudo não matar o que existe. Eu continuo dizendo que essa rodoviária é funcional. Algumas pessoas reclamam que o ônibus não passa, o ônibus do Bloodec, é culpa da empresa, que sabe que tem um terminal daquele jeito e bota um ônibus para rodar. O que precisa é dar acessibilidade, as pessoas tem uma escada rolante, elevador.”

Você sabia?

O professor também chamou atenção para o uso inadequado do elevador existente no terminal, que não funciona de forma acessível ao público em geral. Segundo ele, muitas ´pessoas nem sabem que existe o equipamento.

“Ele fica ali do lado do motocentro na rodoviária e fechado. O cadeirante, por exemplo, uma pessoa com deficiência sobe a escada, porque não pode subir. Mas vai subir a escada para pedir um funcionário para descer para abrir o elevador, isso não existe. O elevador tem que ser popularizado e disponibilizado. Você acessa o elevador e vai para o primeiro andar tranquilo.”

Novo local ou reformar a rodoviária atual?

Ao ser questionado sobre uma possível nova localização para a rodoviária, caso a mudança fosse levada adiante, Rosevaldo reforçou que o local atual é estratégico e tem funcionado.

“Aquela rodoviária é o ideal. Porque eu estou na beira da BR- 324 que é o maior fluxo de veículos. Se eu tivesse que sair, eu sairia para dentro da BR-324. Você sabe qual é o segundo número de embarques em Feira hoje? Passarela da Cidade Nova. É uma autêntica rodoviária. Quem está nos ouvindo vai saber disso. Os embarques para Salvador acontecem ali, porque a população não vem para a rodoviária. Se eu estico a rodoviária mais ainda, mais pessoas não vão poder acessar o equipamento.”

terminal rodoviário de Feira de Santana
Foto: Ascom Edvaldo Lima

O professor também avaliou a possibilidade de reforma do terminal existente e destacou falhas deixadas por gestões anteriores.

“Como ela está hoje, ela não é viável. Depende de algumas ações que não foram feitas pela concessionária anterior, que vão reformular, modernizar, transformar aquele equipamento, tipo assim, um shopping center. Eu não posso deixar um terminal vivendo apenas de embarque.”

“O terminal de cargas é muito importante. Serve ao comércio de Feira de Santana. O movimento de mercadorias vai transformar aquele terminal. Tirar aquele terminal de cargas ali, eu vou colocar onde? O movimento de cargas vai ficar mais caro em mercadoria. As lojas pegam mercadorias ali, diariamente, de manhã, de tarde e de noite. Eu vou tirar aquilo, eu vou colocar onde?”, questionou.

Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

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