23 de January de 2026
sindicato
Foto: Ney Silva / Acorda Cidade
A comemoração reuniu lideranças reforçando o papel do sindicato como instrumento de organização e luta da classe trabalhadora rural.
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Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

Integrantes do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Agricultura Familiar de Feira de Santana (Sintraf) celebraram o aniversário de 55 anos de fundação da instituição. O evento, realizado nesta sexta-feira (23), foi marcado por momentos de alegria e de reflexão sobre os desafios atuais do movimento sindical.

A comemoração reuniu lideranças históricas, dirigentes atuais e representantes institucionais, reforçando o papel do sindicato como instrumento de organização e luta da classe trabalhadora rural na cidade conhecida como Princesa do Sertão.

Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

Um dia para celebrar a resistência no campo

Ao Acorda Cidade, Adriana Lima, atual presidente do Sintraf, destacou que a programação teve início com uma missa em ação de graças, simbolizando a trajetória de resistência da entidade, fundada ainda durante o regime militar.

Segundo Lima, o sindicato nasceu da necessidade de organização dos trabalhadores rurais em um período de repressão e, ao longo das décadas, manteve-se ativo em diversas frentes de luta social.

Adriana Lima
Adriana Lima, atual presidente do Sintraf | Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

“De lá para cá, [o sindicato] sempre vem dando continuidade às lutas, porque a luta não é uma só, ela é diversa, em diversos espaços, e nós estamos aqui nesse momento de celebração e de reconhecimento a esse instrumento de referência da nossa cidade”, disse a presidente do Sintraf.

Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

Adriana também chamou atenção para os desafios enfrentados atualmente pelos agricultores familiares, como o uso intensivo de agrotóxicos, a urbanização do meio rural e o fechamento de escolas no campo, fatores que, segundo ela, enfraquecem a produção agrícola e a organização da categoria no município.

Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

Uma história marcada com sangue

Já Conceição Borges, que presidiu o sindicato em quatro mandatos, resgatou a história da entidade e explicou que o sindicato não nasceu inicialmente como uma organização dos trabalhadores, mas passou para as mãos do grupo após um grave conflito agrário ocorrido na região.

Segundo Conceição Borges, que é uma figura carimbada no campo da luta sindical, o assassinato de um trabalhador rural foi o estopim para a mobilização coletiva e para a transformação do sindicato em um instrumento realmente voltado para a promoção da luta popular.

Conceição Borges
Conceição Borges, que presidiu o sindicato em quatro mandatos | Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

“Esse sindicato não foi criado pelos trabalhadores rurais. Ele era uma organização patronal, ligada aos grandes proprietários. A mudança acontece após um conflito de terra na região da Matinha, quando um trabalhador rural foi assassinado. A comunidade resistiu, buscou justiça e, com a ajuda do padre Albertino Carneiro, começou um processo de organização que levou o sindicato para as mãos dos trabalhadores.”

“Nessa busca por organização, já existia a Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado da Bahia, e o padre, como tinha muito conhecimento, foi em busca de apoio para conseguir um advogado para representar a família do trabalhador assassinado e o grupo na disputa por terra. Esse advogado foi o saudoso Eugênio Lira, que fez parte da organização da entidade”, complementou Conceição.

Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

A luta continua, companheiros

Borges também refletiu sobre o enfraquecimento do movimento sindical ao longo dos anos e defendeu a necessidade de novas estratégias para atrair a juventude rural e fortalecer a participação popular. Para ela, apesar de avanços em áreas como previdência e crédito, a luta sindical continua necessária.

“O movimento sindical precisa se adequar ao novo momento. Muitas pautas que fortaleceram a luta no passado hoje estão garantidas, mas isso não significa que a luta acabou. Pelo contrário, surgem novas demandas, principalmente ligadas à juventude, à tecnologia no campo e à educação do campo”, disse.

Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

“Então, o movimento sindical precisa se adequar ao novo momento, se adequar à nova realidade, porque a luta por direitos não encerrou. Quando a gente conquista um, a gente tem mais 20, 30 que precisam ser conquistados. Então, hoje a gente tem muita dificuldade, inclusive no campo”, completou Conceição.

Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

Prestígio e companheirismo

A engenheira agrônoma Elisângela Araújo, que assumiu recentemente uma vaga na Câmara dos Deputados Federais, também participou do evento. A parlamentar destacou a importância histórica do sindicato e sua ligação pessoal com a entidade. Agricultora familiar, ela afirmou que o Sintraf faz parte de sua trajetória política e social.

Elisângela Araújo, deputada federal pelo PT
Elisângela Araújo, deputada federal pelo PT | Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

“Eu não poderia deixar de vir celebrar esses 55 anos de resistência e de história em defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras da agricultura familiar. Esse sindicato faz parte da minha trajetória, da minha formação e das decisões que tomei nos espaços que ocupei ao longo da vida”, disse a deputada.

Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

Elisângela finalizou reforçando que o sindicato sempre teve um papel fundamental na defesa dos direitos dos trabalhadores rurais, especialmente nas lutas pela terra, pela previdência e por políticas públicas voltadas ao campo, destacando a relevância desses instrumentos de organização para o fortalecimento da democracia e da justiça social.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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