

Feira de Santana recebeu na manhã deste domingo (25) uma caminhada em alusão ao Janeiro Branco. O evento, que chama atenção para a importância da campanha nacional de conscientização e atenção à saúde mental, ocorreu em um trecho da Avenida Noide Cerqueira.
A caminhada, que foi realizada nas primeiras horas da manhã, é uma ação promovida pela secretaria municipal de Saúde da cidade, que também é conhecida como princesa do Sertão. O evento contou com a presença de diversos profissionais de saúde, autoridades e simpatizantes da causa.

“Uma ação que não é só simbólica. A caminhada tem tudo a ver com saúde mental, que é um tema complexo que a gente tem que encarar com seriedade. Não existe solução fácil para problemas complexos, por isso entendemos que a saúde mental é algo que tem que ser levado a sério e entendido para além de consulta e medicamento. Precisamos ter hábitos de vida saudáveis”, disse o médico Rodrigo Mato.

O profissional, que ocupa o cargo de secretário de Saúde de Feira de Santana, também destacou que a caminhada é um momento em que a pasta, juntamente com os profissionais de saúde que compõem o sistema para atendimento mental, reforça a importância da valorização da qualidade de vida.
“Esse é um momento em que se engajam aqui os profissionais dos CAPs, em especial, da saúde mental, mas também temos pessoas do Hospital Especializado Lopes Rodrigues, porque é uma rede só, não existe separação, pelo contrário, a gente constrói pontes para que a gente possa avançar. Tem também profissionais de outras unidades da saúde e também de outras secretarias, porque saúde mental não é feita dentro de uma caixinha”, completou Rodrigo Mattos.

Trabalho em equipe
Em entrevista ao Acorda Cidade, Joadson de Andrade, coordenador da Rede de Saúde Mental do município, reforçou que a caminhada é um movimento para chamar a atenção de toda a população sobre a importância de criar mecanismos para a manutenção da saúde da mente.

“Aqui estão todos os profissionais da rede de saúde mental, pacientes e familiares. A gente veio orientando ao longo de todo esse mês sobre a importância do janeiro branco, do cuidado com a saúde mental. Então, esse movimento aqui tem o objetivo de despertar para a sociedade, chamar a atenção sobre o cuidado com a mente”, disse Joadson.
O coordenador também lembrou que um número expressivo de pacientes procura suporte mental em unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) espalhadas pelo município. Segundo Jodson, quando é necessário, os pacientes podem ser atendidos também no hospital especializado Lopes Rodrigues.

“O Lopes Rodrigues sofreu algumas transformações acerca do modo de atendimento em respeito à legislação de saúde mental, à reforma psiquiátrica, mas não deixa de ser um serviço importante para a cidade e para todos os municípios circunvizinhos, porque atende às emergências psiquiátricas, principalmente de municípios que não têm Caps. Os casos mais graves que acontecem em via pública, então é um hospital de grande importância nesse contexto de atendimento à saúde mental”, complementou.
Hospital Lopez Rodrigues, um importante ponto de apoio
Iracy Leite, atual diretora do Hospital Especializado Lopes Rodrigues, esteve presente na caminhada e destacou para a reportagem do Acorda Cidade a importância da unidade para o tratamento de pacientes com transtornos mentais.

“Nós somos uma referência. Quando a rede de atenção básica não consegue estabilizar uma crise, seja de um paciente de Feira de Santana ou de qualquer outro município, ele é encaminhado para Lopes Rodrigues e ele não sai sem atendimento. A gente funciona 24 horas por dia. Nossa equipe avalia se ele vai ficar em observação ou se há necessidade de um internamento maior para estabilizar a crise“, disse.

Leite aproveitou a oportunidade para desmistificar um boato de que, a partir de uma mudança na legislação, o hospital deixou de realizar atendimento. Segundo a diretora, o que o hospital deixou de fazer, atendimento às novas diretrizes de saúde mental, foi acolher de forma permanente pessoas com transtornos mentais.
“Hoje, a finalidade do hospital é só atender a crise, que pode ser estabilizada com o decorrer das horas ou casos que levam mais tempo. Quando essa estabilização ultrapassa os 30 dias, ainda temos o chamado internamento de curta duração. Nosso objetivo é fazer o tratamento em liberdade, que é esse o papel que o município faz, é tratar o paciente em liberdade, ele no seu território, ele na sua comunidade, junto com a sua família”, concluiu.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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