

A Rede Municipal de Ensino de Feira de Santana realizou, nesta quarta-feira (28), a abertura oficial da Jornada Pedagógica 2026, que acontece entre os dias 26 de janeiro e 2 de fevereiro. O evento, que lotou o auditório da Seduc, tem como tema central “Alfabetização em Contexto: Equidade, Diversidade e o Direito de Aprender na Rede Municipal de Feira de Santana” e reúne todos os trabalhadores da educação, incluindo professores, gestores, coordenadores, porteiros, cozinheiras, vigilantes e equipes de apoio.
A principal diferença da jornada de 2026 é a inclusão de todos os trabalhadores da educação. “Porque todos fazem parte da educação, todo mundo recebe aluno, todo mundo atende o aluno”, disse o secretário de Educação, Pablo Roberto, ao Acorda Cidade.

A abertura oficial contou com cerca de 4 mil pessoas, que acompanharam a palestra do psicólogo, escritor e palestrante Alexandre Coimbra Amaral. Ele abordou, entre outros pontos, os desafios da saúde mental na educação. Segundo o palestrante, “toda área de educação, seja pública ou privada, tem enfrentado um desafio muito particular nesse momento do mundo, que é a invasão da tela na sala de aula, desconcentrando os estudantes, preocupando os pais e também a forma como as famílias estão se relacionando com a escola”. Para ele, esse cenário tem pressionado a saúde mental dos professores, somando-se a questões estruturais já conhecidas, como salário e condições de trabalho.
O palestrante também comentou sobre a violência no ambiente escolar, que tem atingido os professores e gerado ansiedade e medo na rotina dos profissionais.
“A violência é uma invasão do sossego e ela promove ansiedade, que é você perder tanto da sua paz de espírito quando você simplesmente sai de casa.”
“Quando ele sentir que ele não está conseguindo se concentrar minimamente nas atividades laborais dele, é o momento de pedir ajuda.”

“Existem algumas iniciativas do Brasil que estão dando certo de novos manuais de conduta, de pactos coletivos entre famílias e escola. Inclusive, deixando claro sobre como vai acontecer a possibilidade de, se não cumprir determinadas fronteiras de comportamento, o seu filho não vai poder ficar na escola. Então a gente está precisando também educar as famílias para encontrar a comunidade escolar”, afirmou o escritor ao Acorda Cidade.
Durante a coletiva, o secretário municipal de Educação, Pablo Roberto, explicou que a jornada marca, de fato, o início do ano letivo.
Ele destacou que o momento é de troca, orientação e alinhamento para o ano escolar, envolvendo cerca de 9 mil trabalhadores da educação.
“Esse momento aqui é de troca de experiência, é um momento que a Seduc junto com todo o seu departamento pedagógico tem para falar, para passar as orientações daquilo que será o ano a partir de uma palestra central, de uma orientação central. Toda essa equipe está passando por esse processo de formação”, disse.

Gastos ou investimento nos profissionais?
Sobre críticas relacionadas aos custos do evento, o secretário afirmou estar tranquilo. Em relação ao palestrante, explicou que “é o preço que se aplica no mercado” e que o valor pago é compatível com o conhecimento do profissional. Já sobre os totens, ressaltou que “não é gasto não, é o investimento que nós estamos fazendo”, destacando que o contrato prevê o uso da tecnologia por 12 meses.
“Quando você contrata um palestrante que vem de um outro Estado, com aquilo que é necessário embutido nesse valor que foi pago, como passagem, hospedagem, translado, algumas pessoas fazem disso uma verdadeira confusão. Eu estou bastante tranquilo, o processo vem dentro da legalidade do que determina a lei.”

“Não é gasto não, é o investimento que nós estamos fazendo, proporcionar um ambiente como esse, bonito, organizado, com toda a estrutura para receber os professores que merecem, porque trabalham muito, dedicam a sua vida para fazer com que os filhos da gente possam ter um atendimento de respeito e dignidade, eu acredito que tudo isso é um investimento”, disse ao Acorda Cidade.
Pablo Roberto também explicou os critérios para a escolha do tema da jornada, afirmando que ele foi definido com base em pesquisas nacionais e orientações do Ministério da Educação.

“A alfabetização em contexto está falando sobre várias possibilidades do aprender. Equidade, diversidade, porque são normativas e orientações que o município de Feira de Santana segue hoje, com base nas orientações da legislação nacional da educação e o direito de aprender na rede municipal de ensino, que é o direito de verdade. É o aluno que tem o direito de ir para a escola e chegar na escola, ele ter a farda, mochila, seu kit didático, os seus módulos, livros, ele ter um espaço acolhedor, uma escola bonita, ampla, arejada.”
Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade
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