3 de February de 2026
Planserv
Foto: Divulgação
O Planserv aplicava um teto máximo de R$ 721 para as mensalidades. Agora, os servidores passaram a enfrentar reajustes expressivos.
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As recentes alterações na forma de cobrança do Planserv, o plano de saúde dos servidores estaduais da Bahia, já estão trazendo impactos negativos para os beneficiários. Servidores públicos informaram ao Acorda Cidade sobre o reajuste e, segundo eles, mesmo com a assistência cada vez mais deficitária, alguns servidores terão que pagar mais que o dobro do que vinham pagando.

De dezembro de 2025 para janeiro de 2026, as mudanças resultaram em variações no desconto que vão de 81% a 131%, dependendo da faixa salarial, com os valores sendo descontados diretamente na folha de pagamento. Com a nova regra, quanto maior a remuneração do servidor, maior será o valor da mensalidade paga.

As alterações foram possíveis após a aprovação de um projeto de lei, no final de 2025, apresentado pelo governo do estado. Esse projeto modificou completamente o modelo de cobrança, substituindo as antigas faixas salariais por um percentual fixo sobre a remuneração bruta. Atualmente, o desconto estabelecido é de 5,5%, mas já está previsto um novo aumento em 2027, quando o percentual passará para 6%.

Antes das mudanças, o Planserv aplicava um teto máximo de R$ 721 para as mensalidades. No entanto, com a extinção desse limite, os servidores passaram a enfrentar reajustes expressivos, gerando insatisfação e dificuldades no orçamento de muitos beneficiários.

A coordenadora-geral da Associação dos Docentes da Universidade do Estado da Bahia (Aduneb), Karina Sales, falou ao Acorda Cidade sobre o aumento. Segundo ela, as servidoras e os servidores públicos do Estado da Bahia tiveram, ao acessar o contracheque, a percepção, na prática, do injusto aumento do Planserv. Ela destacou que os docentes das universidades estaduais sentiram o peso do aumento, ainda mais considerando que não houve requalificação do serviço prestado.

“Eu falo aqui enquanto Fórum das Associações Docentes das Universidades do Estado da Bahia, o FAD. Em 2025, o FAD foi convidado pelo governo para discutir a proposta de reestruturação do Planserv junto com algumas entidades sindicais do funcionalismo, apenas em meados de outubro, mês em que ocorreram duas reuniões. Depois, em novembro, ocorreram mais quatro encontros. O FAD discutiu a realidade do Planserv e apontamos que não seria possível aprovar uma alíquota de aumento da contribuição sem que pudéssemos ouvir as nossas bases, apresentar dados da realidade do Planserv e a crise vivenciada, mas principalmente contar com um planejamento consistente do governo para a requalificação dos serviços de assistência à saúde. O Planserv enfrenta um encolhimento da rede credenciada e dificuldades crescentes para realização de exames, procedimentos e consultas, sobretudo no interior”, destacou.

Segundo ela, o Fórum das Associações Docentes se recusou a aceitar a proposta do governo, pois defende que uma reestruturação responsável do Planserv exigia, antes de tudo, uma maior recomposição da contrapartida do Estado, bem como uma apresentação detalhada e com prazos para ações de ampliação e melhoria do atendimento. Karina destaca que o curto intervalo de debate e negociação não permitiu que a proposta inicial e as contrapropostas sugeridas fossem discutidas com a base das diversas categorias de servidores públicos estaduais que foram afetados pelo aumento.

“É bom frisar que não foi aplicado um percentual único de reajuste, mudou-se a forma de cobrar mesmo. Se antes previa-se um valor por faixa de contribuição, agora temos esse percentual de 5,5% sobre a remuneração de servidoras e servidores, o que impactou enormemente grande percentual do funcionalismo. Não apoiamos a reestruturação e seguimos considerando-a inaceitável, já que as servidoras, servidores e suas famílias assumiram mais custos, sem termos garantias reais de mudanças”, destacou.

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