

O presidente da União dos Prefeitos da Bahia (UPB), Wilson Cardoso (PSB), afirmou que os gestores municipais estão buscando alternativas para conter os altos cachês cobrados por artistas durante o período junino, com o objetivo de preservar os cofres públicos e fortalecer o forró tradicional. A discussão envolve a criação de uma tabela de preços para contratações no São João e conta com a adesão dos 417 municípios baianos.
A tabela com os valores definidos será apresentada nesta sexta-feira (6) ao Ministério Público da Bahia (MP-BA).
Em entrevista ao Achei Sudoeste, site parceiro do Acorda Cidade, Cardoso ressaltou que o debate extrapola o interesse dos prefeitos e impacta diretamente toda a sociedade. Segundo ele, os valores praticados atualmente são considerados abusivos.

“Nos últimos dois anos, houve aumento exagerado das bandas. Teve artista que tocou no São João passado por R$ 300 mil que, hoje, quer R$ 800 mil. Tem cachê que ultrapassa R$ 1 milhão. Isso compromete as finanças dos municípios”, afirmou ao site.
De acordo com o presidente da UPB, o aumento dos gastos com atrações artísticas reflete negativamente no orçamento municipal, reduzindo investimentos em áreas essenciais como saúde e educação. O tema tem sido acompanhado de perto pelo Ministério Público e outros órgãos de fiscalização, enquanto a UPB atua na mobilização dos prefeitos para discutir soluções conjuntas.
Durante audiência realizada na quarta-feira (4), na sede da UPB, os gestores chegaram a um consenso de que o valor máximo dos cachês pagos pelas prefeituras não deve ultrapassar R$ 700 mil. Também ficou definido que os municípios não poderão gastar mais de 5% do montante investido no São João do ano anterior.
“É um entendimento interessante. Todos os prefeitos, inclusive aqueles que, tradicionalmente, fazem festas grandes no São João também concordaram com esse acordo”, declarou Wilson Cardoso.
30% de forró
Ainda segundo o presidente declarou ao site, o teto estabelecido é suficiente para a contratação de grandes nomes da música. Além disso, a proposta prevê o fortalecimento da cultura regional, com incentivo direto aos artistas do forró tradicional. “Queremos promover uma grande valorização aos nossos forrozeiros. Pelo menos 30% do valor definido será destinado a contratação dos forrozeiros pé de serra. Nosso objetivo é valorizar a cultura local e regional.”
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