10 de February de 2026
Vírus K influenza
Foto: Marcelo Casal Jr/ Agência Brasil
O Nipah é um vírus zoonótico identificado pela primeira vez em 1998 na Malásia e classificado como um dos patógenos prioritários pela OMS.
Vírus K influenza
Foto: Marcelo Casal Jr/ Agência Brasil

O aumento recente de casos do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental, na Índia, reacende a atenção de autoridades de saúde em todo o mundo. Embora o vírus ainda não tenha sido detectado no Brasil e o risco de introdução ao país seja considerado baixo, o agente viral continua sob monitoramento rigoroso, em especial por sua capacidade de atingir o sistema nervoso central e provocar condições neurológicas graves.

O Nipah é um vírus zoonótico identificado pela primeira vez em 1998 na Malásia e classificado como um dos patógenos prioritários pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele é transmitido principalmente por morcegos frugívoros do gênero Pteropus e pode provocar uma doença sistêmica com quadros respiratórios e inflamação aguda do cérebro (encefalite), que pode evoluir para convulsões, coma e morte em uma proporção significativa de casos.

No cenário brasileiro, o Ministério da Saúde informa que, apesar da gravidade potencial da doença, não há qualquer indicação de risco iminente para a população. O país mantém vigilância epidemiológica contínua e protocolos de resposta a agentes altamente patogênicos em colaboração com instituições como o Instituto Evandro Chagas, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Risco considerado baixo, mas vigilância ativa permanece

Segundo avaliação da OMS e do Ministério da Saúde do Brasil, o risco de uma pandemia desencadeada pelo vírus Nipah é considerado baixo no momento, especialmente porque até o momento não foram confirmados casos fora do Sudeste Asiático. Além disso, a principal espécie de morcego que atua como reservatório natural do vírus não habita o território brasileiro, reduzindo a probabilidade de transmissão local.

Em nota divulgada recentemente, a pasta enfatizou: “Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira. As autoridades de saúde seguem em monitoramento contínuo, em alinhamento com organismos internacionais.”

Especialistas alertam para atenção global

Para a neurocirurgiã Dra. Camila Moura, o fato de o vírus Nipah provocar inflamação severa no cérebro representa um aspecto que merece atenção, mesmo em um cenário sem casos no Brasil:

“Embora não tenhamos registro de Nipah aqui, é fundamental que a comunidade médica e os serviços de saúde estejam preparados para reconhecer precocemente sinais neurológicos graves associados a vírus emergentes. A encefalite causada pelo Nipah pode evoluir rapidamente para convulsões e comprometimento neurológico severo. Isso é um alerta para que nossos protocolos clínicos considerem agentes raros, mas potencialmente devastadores”, afirma Dra. Camila.

Dra. Camila Moura ,
Dra. Camila Moura | Foto: Divulgação

A neurocirurgiã ressalta ainda a importância de integrar o monitoramento clínico com as equipes de infectologia e vigilância epidemiológica:

“O impacto de um agente neurotropo não se restringe à fase aguda da doença. As complicações neurológicas podem deixar sequelas duradouras, que exigem abordagem multidisciplinar e planejamento de longo prazo em serviços de saúde”, acrescenta.

Conectividade global e preparação clínica

Países monitoram o Nipah há anos, sobretudo em regiões onde as condições ecológicas favorecem a interação entre humanos e os reservatórios animais. A transmissão entre pessoas pode, em certos contextos, ocorrer por meio de contato direto ou exposições em ambientes de cuidados de saúde, o que torna essencial que medidas de prevenção e proteção de trabalhadores de saúde sejam mantidas em níveis elevados.

No Brasil, a experiência com outras zoonoses e emergências de saúde pública reforça que a vigilância e os planos de resposta devem estar integrados com as redes de atenção clínica e serviços especializados, incluindo aqueles voltados à neurologia e neurocirurgia.

Sobre o vírus Nipah

O vírus Nipah é um henipavírus da família Paramyxoviridae e pode causar infecção com sintomas iniciais semelhantes aos de uma gripe forte, como febre alta, dor de cabeça e dores musculares, mas que podem evoluir rapidamente para alterações neurológicas graves. A ausência de vacina e tratamentos específicos torna a detecção precoce e o manejo clínico de suporte ainda mais cruciais. 

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