

Ondas de calor, suores noturnos, insônia, redução da libido e mudanças de humor são alguns dos sintomas que caracterizam a menopausa. Todos eles comprometem a qualidade de vida, como reforça uma publicação da revista científica especializada no tema Climateric, que indica que 82% das mulheres brasileiras que estão na menopausa apresentam sintomas adversos. E se essas manifestações atrapalham a qualidade de vida, também acarretam dificuldades na rotina profissional.
A palestrante e mentora de carreiras e líderes Fabiana Koch é um dos exemplos de pessoas afetadas pela condição. Em 2024, a profissional, que atua há 17 anos na área, teve a vida afetada por um diagnóstico de depressão associada ao burnout, que foi potencializado pela menopausa. “As profissionais sofrem em silêncio e é uma coisa que toda mulher vai passar, umas com mais consequências e outras com menos. Até pouco tempo atrás esse tema era um tabu. Hoje nós podemos nos preparar para esse momento e passar por ele com qualidade de vida, não precisamos acabar o casamento, enfrentar problemas no trabalho, entre outras possíveis perdas”, afirma.

Além dos impactos emocionais e físicos, a menopausa ainda é um tema pouco discutido dentro das empresas, o que faz com que muitas profissionais enfrentem o período sem suporte adequado, se sentindo sozinhas. A falta de informação e de acolhimento pode intensificar o estresse e agravar sintomas, refletindo diretamente na produtividade e no bem-estar dessas mulheres.
Para Fabiana, falar abertamente sobre o assunto é um passo essencial para transformar esse cenário. “É um desafio invisível que afeta as mulheres no trabalho. Quando as organizações reconhecerem que a menopausa faz parte da jornada de muitas profissionais, isso vai beneficiar não só as mulheres, mas toda a cultura corporativa”, destaca.
Esse reconhecimento envolve a promoção de informações e conscientização no ambiente corporativo — serviço que hoje Fabiana oferece através de palestras — e é um dos primeiros passos para reduzir o estigma e ampliar o suporte às profissionais. Preparar lideranças para lidar com a menopausa de forma empática, fortalecer uma cultura de acolhimento, e em alguns casos, adotar medidas práticas, como ajustes na temperatura do ambiente e possibilidade de pausas, podem fazer a diferença. Na outra ponta, é importante que as mulheres busquem acompanhamento médico para avaliar sintomas e tratamentos, priorizem a saúde mental e física — com atenção ao sono, à alimentação e à prática de exercícios — e se mantenham bem informadas para atravessar essa fase com mais qualidade de vida.
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