1 de March de 2026
Teia de Pontos de Cultura reúne representantes de várias cidades da Bahia; evento teve a participação de Margareth Menezes
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade
Além da participação da ministra da Cultura, o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro também esteve na Teia.
Teia de Pontos de Cultura reúne representantes de várias cidades da Bahia; evento teve a participação de Margareth Menezes
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Aconteceu neste sábado (28), a III Teia dos Pontos de Cultura da Bahia, no Teatro e Centro de Convenções, em Feira de Santana. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, estiveram no evento. 

A III Teia dos Pontos de Cultura da Bahia é promovida pela Secretaria Estadual de Cultura da Bahia (SecultBA) e recebeu representantes culturais de toda Bahia para oficinas, debates e rodas de diálogo. A programação contou ainda com a realização do IV Fórum Estadual dos Pontos de Cultura, fortalecendo a participação da sociedade civil e a gestão compartilhada entre poder público e rede cultural. 

Feira de Santana é “ponto de união de vários lugares”, diz Ministra da Cultura

Em entrevista coletiva, a ministra Margareth Menezes falou sobre uma grande conquista durante sua gestão, que foi a Política Aldir Blanc, que destina um percentual financeiro exclusivo para a cultura. 

“Na Bahia, são mais de 26 milhões que vão diretamente para os pontos e pontões de cultura. E aqui tem sido muito bem aproveitado isso. Então a Bahia é um dos municípios que mais inauguraram novos pontos de cultura e tem feito uma aplicação e um bom aproveitamento. Quando a gente fala de ponto de cultura, de ação cultural, a gente está falando de gente. De gente, a gente está falando de memória, de tradição, dos mestres. A Bahia também tem esse protagonismo”.

Quanto às expectativas para o futuro, a ministra disse que as teias estaduais são uma preparação para a Teia Nacional, que acontecerá em Aracruz, no Espírito Santo. Segundo Margareth Menezes, cinco mil pessoas participarão desse evento, que ocorrerá entre os dias 24 e 29 de março deste ano. 

Essa Teia é muito importante porque é a conexão de todos os Pontos e Pontões de Cultura, que foi muito importante para a gente resistir ao momento de desconstrução que a cultura passou há oito anos, que vieram sendo desconstruídas. E essa conexão, essa rede foi muito importante para a continuidade da existência das políticas culturais do Ministério da Cultura. Então na verdade, essa reunião, eu estou considerando um reatamento, um reencontro desses Pontos e Pontões de Cultura nessa grande Teia”. 

Primeira vinda de um ministro da Cultura em Feira de Santana

Ao ser informada que foi a primeira vinda de um ministro da Cultura em Feira de Santana, Margareth Menezes disse estar honrada de ser a primeira, bem como salientou a importância da cidade como um “ponto de união de vários lugares”. Além disso, destacou que, como artista, Feira de Santana foi a terceira cidade na qual se apresentou. Por isso, se sente “muito feliz”. 

Perguntada sobre a possibilidade de mais investimentos federais para cultura no município, a ministra afirmou que Feira de Santana tem se destacado. Assim como chamou atenção para o espaço do Centro de Convenções. 

A primeira vez que eu venho nesse grande Centro aqui. E eu fico muito feliz, porque Feira de Santana faz parte da construção da minha carreira. Então a gente fica feliz quando vê as cidades brasileiras tendo novos centros de cultura, equipamentos culturais, que é importante para o acontecimento cultural. Isso fortalece também, emancipa a produção local. Então hoje em Feira, você tem um teatro que para um artista se apresentar nele, ele vai ter que ter qualidade. Tudo isso une muito e eu acho que Feira tem muito a contribuir também com o seu setor cultural para o Brasil”. 

Ao ser questionada sobre vir para a Micareta de Feira de Santana, a ministra disse que não sabe se foi já foi convidada, mas não descartou a possibilidade. “Cantar em Feira, para mim, sempre foi um motivo de muita alegria. É um carnaval fortíssimo que nós temos na nossa Bahia. E para mim é sempre uma alegria ser lembrada sobre isso também. E desejo a Feira de Santana um grande carnaval. O futuro a Deus pertence, minha gente”. 

Sobre polêmicas quanto à Lei Rouanet no Carnaval de Salvador, Margareth Menezes afirmou que “no carnaval não tem Lei Rouanet. Pelo menos no bloco que eu desfilei não tem Lei Rouanet”.

“É uma fake news que as pessoas estão, infelizmente, fazendo esse desserviço para a população, mas eu acho que a Bahia, o povo de Salvador, da Bahia e o povo do Brasil também me conhecem, conhecem meu trabalho e minha história”.

“Os Pontos de Cultura realizam um trabalho importantíssimo”, diz secretário

Também em entrevista coletiva, o secretário Bruno Monteiro ressaltou a importância dos Pontos de Cultura. Com isso, um evento como esse auxilia na avaliação do trabalho que está sendo feito.

Os Pontos de Cultura realizam um trabalho importantíssimo, porque são os fazeres culturais na base, naquele trabalho comunitário que é diverso, que se reúne em diversas linguagens, em diversas formas de expressão, e que a cada momento mais vem também ampliando o seu sentido. Um encontro como esse, que retoma depois de 11 anos, tem a capacidade de nós avaliarmos o trabalho que está sendo realizado, especialmente nesse momento em que os Pontos de Cultura voltam a ter reconhecimento e financiamento”.

De acordo com o secretário, os Pontos de Cultura foram criados pelo primeiro governo do presidente Lula, e retornam agora, 20 anos depois. Além disso, destacou a importância da Bahia, que conta com 1.600 Pontos de Cultura. 

Hoje, não somente com financiamento, mas com trabalho que cada vez mais incentiva a articulação em rede, que é o que nós queremos para o fortalecimento dessas políticas. Para além do momento que nós estamos vivendo de financiamento, que é muito auspicioso para as políticas culturais no Brasil, mas nós sabemos que isso também é muito pela decisão política do presidente da República de hoje”. 

Então nós queremos cada vez mais consolidar essas redes e um trabalho que se fortaleça como um trabalho de Estado, para que investir na cultura não seja uma decisão do governante de plantão, mas seja algo que seja inquestionável do ponto de vista do Estado brasileiro assumir essa responsabilidade que consta na Constituição. Mais do que nunca, hoje está absolutamente absorvida pela sociedade brasileira a importância dos investimentos na cultura”. 

Secretário confirma lançamento de novos editais

Bruno Monteiro afirmou que o governo baiano tem planos de lançar mais uma série de editais para fortalecimento dessa rede, bem como que está sendo feito um trabalho de integração com a educação, mas que os Pontos e Pontões de Cultura atuem dentro das escolas. “Nós temos visto isso como um importante caminho para cada vez mais jovens de toda a Bahia terem seus projetos e se realizarem pessoal e profissionalmente por meio da arte e da cultura, que é o que nós tanto desejamos”. 

Sobre a promoção de inclusão social, o secretário disse que os Pontos de Cultura representam “pontos de encontro” e “de união”, pois, muitas vezes, pela falta de espaço, os fazedores de cultura não se consideram como tal. Como exemplo, Bruno Monteiro citou o próprio Centro de Convenções, que é “uma porta que se abre para os fazeres culturais” que permite um acolhimento.

A gente só faz cultura quando conectado com o lugar de onde nós viemos, com seus saberes, com as suas identidades, com as suas ancestralidades. E isso os Pontos de Cultura fazem como ninguém porque eles estão enraizados nas comunidades, nos municípios, nos quilombos, nos territórios, nas comunidades indígenas, na agricultura familiar. Enfim, está na Bahia Profunda e nós queremos muito ouvir e aprender com essas experiências para fortalecer cada vez mais uma política pública que democratize o acesso à cultura em toda a Bahia”. 

Por fim, o secretário de Cultura abordou novas ações e conexões com Feira de Santana, que, segundo ele, “é o lugar que a Bahia se encontra, por onde a Bahia cruza sempre”. Além de dizer que, ao reafirmar a centralina de Feira de Santana, o governo dá reconhecimento às cidades do interior da Bahia e suas diversidades, que muitas vezes não tem espaço em Salvador, mas se encontram e se desenvolvem em Feira de Santana. 

“E nos possibilitam fazer políticas públicas cada vez mais abrangentes e que reconheçam as particularidades dos interiores do Estado. Então, para nós, tem muito simbolismo e uma força muito grande realizarmos um encontro tão potente com a presença da Ministra da Cultura, com a presença de tantos fazedores de cultura de toda a Bahia, aqui na nossa Princesa do Sertão”.

Reisado de São Vicente na Teia

Asa Filho, cantor e um dos criadores do Reisado de São Vicente, apresentou o Reisado, um Ponto de Cultura, na Teia, representando o distrito de Tiquaruçu e a cidade de Feira de Santana. “Nós apresentamos aqui o Reisado de São Vicente. E o Reisado de São Vicente é Ponto de Cultura da Bahia desde 2008”.

“Quilombolas, indígenas, toda afrodescendência está aqui presente. Todos os segmentos que são afrodescendentes estão aqui, cada um mostrando o seu trabalho através da sua evolução cultural. Capoeira, maculelê, rezado, samba de roda, vários segmentos”.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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