14 de March de 2026
Mulher é notificada por manter cerca de 60 animais em condições de maus-tratos em Feira de Santana
Foto: Divulgação/Semmam
O número pode ser ainda maior quando se considera o total de animais que vivem nas ruas, pois não há cadastros com a identificação exata.
Mulher é notificada por manter cerca de 60 animais em condições de maus-tratos em Feira de Santana
Foto: Divulgação/Semmam

Neste sábado, dia 14 de março, é celebrado o Dia Nacional dos Animais . A data visa conscientizar a população sobre a proteção, respeito, cuidados e bem-estar de todos os animais, domésticos e silvestres, além de combater o abandono e maus-tratos.

Em Feira de Santana, o número de cães e gatos em situação de abandono sob a tutela das entidades, passa de 3 mil, de acordo um levantamento realizado pelos protetores de animais. No entanto, o número de animais abandonados pode ser ainda maior quando se considera a quantidade de bichinhos que vivem nas ruas, já que não há cadastros que possibilitem a identificação exata.

Em entrevista ao Acorda Cidade, a advogada Ticiana Sampaio, presidente da Comissão de Defesa Animal, explicou que o principal fator para o alto número de abandonos é a ausência de um programa de castração pelo município ou estado, sendo imprescindível para o controle populacional e prevenção de doenças.

“Sem o controle populacional de cães e gatos, a gente tem um aumento muito grande desses animais abandonados na cidade. E uma série de outras sequelas, como a proliferação de algumas doenças, animais atropelados, os protetores resgatando, se endividando, adoecendo mentalmente por não conseguir cuidar de tanta demanda”, explicou.

Ticiana Sampaio
Ticiana Sampaio, presidente da Comissão de Defesa Animal | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Uma das formas de sensibilizar a população sobre os impactos do abandono é incentivando o respeito à senciência animal, ou seja, constatações científicas que indicam que os animais conseguem experimentar emoções e sensações conscientes, incluindo dor, prazer, medo, alegria e sofrimento.

Abandono é crime!

Ticiana faz um alerta para quem presencia o ato do abandono e orienta canais de denúncia.

“Gostar de animais é um critério subjetivo, porém a proteção animal é uma obrigação de todos nós, e abandonar é crime. Então eu deixo aqui a mensagem: se você presenciar alguém abandonando um animal, não deixe de procurar a polícia pelo 190, porque é um caso de flagrante, ou se o fato já aconteceu, você também pode registrar um boletim de ocorrências na Polícia Civil.”

De acordo com a presidente, pesquisadores do FBI (Departamento Federal de Investigação) desenvolveram a Teoria do Elo, que aponta que agressores de animais têm predisposição a agredir humanos, alertando para o relação entre maus-tratos animais e violência humana.

Desafios para educar a sociedade

Segundo Ticiana, um dos maiores desafios em educar a sociedade sobre maus tratos e abandono é fazer as pessoas reconhecerem que os animais estão protegidos pela Constituição Federal e, portanto, são responsabilidades de todos. A legislação (Lei nº 14.064 de 2020) já prevê penas de 2 a 5 anos para maus-tratos a cães e gatos, sendo inafiançável.

Considera-se maus-tratos bater nos animais, não alimentar, deixar exposto ao tempo (sol e chuva), prender com corrente curta ou apertada, descuidar, não prestar socorro após atropelamento, envenenamento, deixar o animal num ambiente pequeno, sem ventilação, ou deixá-lo machucado.

De acordo com a presidente, a prefeitura tem a obrigação legal de promover castração e controle populacional (Lei Federal 13.426/2017), mas, apesar dos diálogos e das promessas, não houve nenhum avanço nem divulgação de editais para realizar esse procedimento.

“Existe uma lei federal que fala que é obrigação dos entes fazer castração, controle populacional de cães e gatos. Em Feira de Santana existem duas ONGs registradas, que são a Patinhas de Rua e a Associação Protetora dos Animais (APA). Existem mais de 100 protetores de animais espalhados por toda a cidade, que estão fazendo um trabalho de tentar amenizar o sofrimento dos animais. Infelizmente, sozinhos eles não conseguem. Ainda que a sociedade ajude e que algumas empresas ajudem no cuidado, veterinários também ajudem de forma muito positiva—, quem tem o poder de agir economicamente é o município, e quem tem a obrigação legal de fazer é o município”, explicou.

A Comissão de Defesa do Animal atua em parceria com órgãos competentes e promoverá uma audiência pública no dia 7 de abril para buscar um plano de ação em relação à causa animal e à publicação do edital de castração.

Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade

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