

Professores da rede municipal de Feira de Santana mantiveram o estado de greve após assembleia realizada nesta terça-feira (24) na sede da APLB Sindicato, marcada por forte participação da categoria. A decisão ocorre mesmo após nova rodada de negociação com a prefeitura na última segunda (23).

De acordo com a professora Marlede Oliveira, presidente da APLB Sindicato, a assembleia foi convocada após reunião entre a comissão da APLB e representantes do governo municipal na tarde de segunda e contou com sete membros de cada lado. Como encaminhamento, a gestão municipal se comprometeu a apresentar um documento garantindo o cumprimento do piso salarial inicial dos professores, com reajuste de 5,4% retroativo a janeiro, a ser pago a partir de abril.
“De lá ficaram a seguinte proposta, de o governo enviar um documento que vai cumprir o piso salarial inicial dos professores, que é para todos, até 5,4%, que vai ser o ajuste retroativo a janeiro. Isso vai acontecer ainda em abril”, explicou Marlede ao Acorda Cidade, afirmando que as negociações com a Secretaria de Educação devem continuar.

O sindicato informou que um estudo técnico deve ser concluído até o dia 15, com participação da comissão e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), para analisar as perdas salariais e buscar solução para o impasse. A entidade também aponta que Feira de Santana tem um dos piores salários da região e cobra uma resposta imediata do governo.

Marlede também destacou que a defasagem salarial se arrasta desde 2022 e atinge profissionais com alta qualificação. “Um professor aqui que tem doutorado, mestrado, perde até 90% dos seus salários, dos rendimentos, porque está na lei um valor e o governo paga outro.”
“Então, ele vai dar somente 5,4% de reajuste, mas isso não supre as demais referências, que tem perda de 91%. Tem perda de 91%, 5,4% resolve? Não”, acrescentou.
Diante disso, a categoria decidiu manter o estado de mobilização e intensificar as ações nas escolas, que segundo a presidente, também estão enfrentando problemas com o governo municipal.

Durante a assembleia, também foi destacada a precarização das condições de ensino, incluindo falta de profissionais, problemas na alimentação escolar e atraso na entrega de fardamento.
Entre as denúncias apresentadas, está de uma mãe do povoado de Barra, no distrito de Jaguara. “Hoje, eu recebi uma denúncia. Desde o início do ano não tem aula, porque não tem professor. Nenhuma das crianças daquela escola da Barra, isso é uma vergonha; Feira de Santana, maior cidade, não tem aula na escola, as crianças estão em casa porque não tem professor”, criticou Marlede.
Ainda nesta terça, a prefeitura convocou mais de 700 professores temporários por Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), medida que ocorre em meio às denúncias de falta de professores na rede.
APLB de Salvador também enfrenta rodada de negociações
Em Salvador, a situação também é de mobilização. Segundo o coordenador estadual da APLB, Rui Oliveira, a categoria decidiu por paralisação nesta quarta (25), após uma assembleia geral da rede municipal de Salvador, e foi votado, quase que por unanimidade, para que governo municipal cumpra o piso.
De acordo com o dirigente, para alcançar o piso salarial no ano passado seria necessário um reajuste de 56%. Como a gestão municipal não aplicou esse percentual, optou por extinguir duas gratificações e utilizar esses valores para compor o piso, medida que foi rejeitada pela categoria. Após 74 dias de greve, foi firmado um acordo prevendo a retomada dessas gratificações, ponto que ainda está em discussão. Enquanto isso, os professores seguem com paralisações e protestos, cobrando valorização profissional.

“Ele retirou duas gratificações, queremos de volta as duas gratificações, ele deu 5,4%, mas o foco não é esse. Então o pessoal resolveu parar um dia, quarta-feira, tem paralisação com passeatas indo da Praça da Piedade até a Praça Municipal, e vamos ver, mais uma vez, mais outra rodada de negociação, para sensibilizar o prefeito Bruno Reis a cumprir o acordo. […] Professor tem que ser respeitado e valorizado”, disse Rui Oliveira ao Acorda Cidade.
Uma nova rodada de negociação deve ocorrer, e os professores vão avaliar a possibilidade de greve por tempo indeterminado.
“Então o pessoal resolveu parar um dia, amanhã, quarta-feira, tem paralisação, com passeatas indo da Praça da Piedade até a Praça Municipal, e vamos ver, mais uma vez, mais outra rodada de negociação, para sensibilizar o prefeito Bruno Reis a cumprir o acordo e pagar tudo o que nos deve.”
Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade
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