

Entre saberes ancestrais, produção coletiva e luta por direitos, a força das mulheres do semiárido baiano passou a ocupar a partir desta terça-feira (24), a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), com o início do Março Mulher – Raízes de Empoderamento e Conexão Solidária, promovido pelo Movimento de Organização Comunitária (MOC).

O evento segue até quinta-feira (26) e reúne uma ampla programação com seminários, oficinas, rodas de conversa, apresentações culturais e a Feira da Agricultura Familiar e Economia Criativa, Popular e Solidária, com cerca de 170 expositoras.
Ao Acorda Cidade, o presidente do MOC, Edisvânio Nascimento destacou que a iniciativa busca fortalecer a visibilidade e a autonomia das mulheres, especialmente das comunidades rurais. Essa já é a segunda edição do encontro.

“Poder reunir, trazer as mulheres produtoras, aquelas pessoas que estão lá nas comunidades rurais, mas também os grupos urbanos que têm os seus saberes e fazeres, que conseguem trazer as suas produções para expor dentro de um evento que muitas vezes são colocadas à margem, e este é mais uma oportunidade que o MOC, junto com seus parceiros, traz para que essas mulheres, essas empreendedoras venham trazer as suas produções para apresentar aqui.”
A programação inclui debates sobre segurança alimentar, agroecologia e fortalecimento de redes, além de atividades voltadas ao cuidado e bem-estar.

“Hoje, por exemplo, nós tivemos um grande seminário. Vamos ter outras mesas, seminários, vamos ter também os grupos de integração, grupos também que cuidam de quem cuida, ou seja, nós estamos trabalhando numa perspectiva que não é só o trabalho em si, mas as pessoas também têm uma oportunidade para ir lá, fazer uma sessão de relaxamento, tem as atividades culturais rolando também no nosso palco itinerante.”
“Mostrar exatamente que estas pessoas, elas produzem e elas conseguem gerar a sua fonte de renda a partir desse processo de produção.”

Um dos destaques é a feira nesta edição é a Biblioteca Itinerante organizada pela Fundação Pedro Calmon.
Participando do evento, a artesã Kenia Suzart reforçou ao Acorda Cidade, a importância do espaço para o empreendedorismo feminino.

“Essa feira é uma oportunidade que nós mulheres temos, empreendedoras, de estar mostrando o nosso trabalho, dando visibilidade também ao nosso trabalho.” Ela está na área dos artesanatos há 12 anos, inclusive, em sua arte ela traz referencias da Princesa do Sertão para os clientes. A empreendedora conta com o apoio de toda família na comercialização das peças.
“A expectativa é muito boa, e hoje de manhã o movimento foi muito bom, e quem estiver em casa, venham pra cá, que até quinta-feira a gente vai estar aqui”, convidou Kenia.
Para a coordenadora pedagógica do MOC, Gisleide Carneiro, o evento também cumpre um papel social e político de incluir as mulheres trabalhadoras.
“O impacto que a gente quer deixar é dar visibilidade a essas mulheres aos seus produtos, aos seus saberes, e sendo disseminado aqui nessa feira, e também proporcionar para essas mulheres momentos de luta pelos seus direitos.”
A programação ainda inclui discussões sobre temas urgentes, como o feminicídio e a escalada de violência contra meninas e mulheres em todo o país.

“Amanhã mesmo vamos realizar, em parceria com o Uefs, um evento do feminicídio na Bahia. Esse evento vai ser bastante marcante, porque a gente está passando por um ano muito marcado por várias perdas, por várias mortes, e a gente mesmo está muito para discutir esse momento de proteção às nossas vidas.”
Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade
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