11 de April de 2026
Coletivos Bahia pela Paz
Foto: Laerte Santana 
Atualmente são seis comunidades atendidas, em Feira e Salvador, mas o objetivo do governo do estado é ampliar para 24 coletivos.
Coletivos Bahia pela Paz
Foto: Laerte Santana 

A arte, a cultura e a educação têm dado resultado na vida dos jovens que moram no entorno dos bairros Conceição e Mangabeira, em Feira de Santana. O Coletivo Bahia pela Paz, que celebra 1 ano de ações na cidade, chegou a realizar mais de 15 mil atendimentos no município. São 5 mil pessoas, entre adolescentes e jovens e seus familiares, acompanhados diariamente pela equipe multiprofissional.

Coletivos Bahia pela Paz celebram um ano de atuação em Feira de Santana com mais de 15 mil atendimentos
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

E, para celebrar, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), coordenadora do programa, realizou um evento nesta sexta-feira (10) no auditório do Colégio Estadual de Tempo Integral Georgina Erismann, no bairro Olhos d’Água. Na oportunidade, foi realizado o evento “Trilha do Cuidado: Juventudes, Vínculos e Territórios”, apresentando as estratégias de prevenção à violência nos territórios de vulnerabilidade.

Tauan da Silva Barbosa é um dos estudantes contemplados pelas ações. O jovem, que participa do programa no bairro Mangabeira, disse que foi acolhido por meio da escola e resolveu participar por conta dos benefícios de acompanhamento psicológico e assistência à família.

Coletivos Bahia pela Paz celebram um ano de atuação em Feira de Santana com mais de 15 mil atendimentos
Tauan da Silva Barbosa | Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

“[Tive] várias mudanças de comportamento. Aprendi a conversar mais, aprendi a saber me controlar mais emocionalmente. Eu mudei bastante, eles me ensinam como me tratar melhor, fiz novos amigos, enfim, é um lugar que mostra uma nova fase da vida. Ele vem, ele dá uma ajuda extra, uma coisa que você não sabia; eles vão e ensinam. Ele ajuda a melhorar a sua vida”, contou o estudante.

O coordenador geral dos coletivos de Feira, Frank Ribeiro, revelou ao Acorda Cidade as principais atividades que trouxeram engajamento dentro das comunidades.

Coletivos Bahia pela Paz celebram um ano de atuação em Feira de Santana com mais de 15 mil atendimentos
Frank Ribeiro | Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

“A gente tem dentro das ações do coletivo formação política cidadã para os jovens, atendimento psicossocial individual e familiar, e isso são os nossos grandes carros-chefes, que a gente oferta para a comunidade de Feira de Santana, de forma continuada, não atendimento pontual, mas a gente recebe essas pessoas e continua acompanhando elas durante o tempo que for necessário para esse acompanhamento”, explicou o coordenador.

Coletivos Bahia pela Paz celebram um ano de atuação em Feira de Santana com mais de 15 mil atendimentos
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

O programa conta com a parceria de diversas instituições do estado e do município, como os Cras, Creas e Capes, além das secretarias. Para o coordenador, o serviço é essencial porque ele chega onde está faltando assistência social para muitas famílias vulneráveis.

“Como a gente está em territórios com um grande vazio assistencial, muita demanda por documentação, a questão da saúde mental é uma pauta importante que a gente faz com os jovens, formação, empregabilidade e, a partir desse diálogo com a rede, que a gente vai conseguindo construir esse cuidado nesse território.”

“Temos uma equipe volante, que vai ao encontro nos territórios dos jovens para fazer essa busca ativa, encontrar e entender quais são as demandas. A gente faz uma ação pública uma vez por mês, que a gente reúne todos os serviços para ofertar serviços para determinado território. Então a gente vai buscando algumas estratégias para se aproximar desse jovem e conseguir dar vazão às suas demandas”, acrescentou o coordenador.

Bahia pela Paz: afastando os jovens da violência

Ao Acorda Cidade, Tricia Calmon, superintendente da SJDH, explicou bem como têm funcionado os coletivos do Bahia Pela Paz. Atualmente são seis comunidades atendidas, em Feira e Salvador, mas o objetivo do governo do estado é ampliar para 24 equipamentos.

“Tem o objetivo de atender adolescentes, jovens e famílias que estão em extrema situação de vulnerabilidade, com o objetivo de reduzir a exposição desses adolescentes e jovens à violência. Eles foram instalados com critério de municípios e territórios em que o índice de morte violenta é alto, com o intuito de colaborar com essa redução a partir da oferta de oportunidades para essas famílias, para esses jovens, adolescentes e jovens de 12 a 29 anos de idade.”

Coletivos Bahia pela Paz celebram um ano de atuação em Feira de Santana com mais de 15 mil atendimentosColetivos Bahia pela Paz celebram um ano de atuação em Feira de Santana com mais de 15 mil atendimentos
Tricia Calmon | Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

“A gente acredita que territórios onde os equipamentos públicos não estejam funcionando plenamente, que as pessoas não estão acessando, expõem a população a situações de violência. […] Criamos estratégias para que a população realmente acesse os serviços de acesso à justiça, de assistência social, de questão de documentação básica, para que esses adolescentes e jovens se reconduzam para as escolas, para que as famílias acessem os equipamentos públicos e, com isso, a gente tenha uma redução dessa vulnerabilidade.”

Coletivos Bahia pela Paz celebram um ano de atuação em Feira de Santana com mais de 15 mil atendimentos
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Calmon também destacou que um dos principais desafios da equipe, assim que os coletivos foram instalados, era a dificuldade da população em aceitar e utilizar os serviços oferecidos.

“Depois que a população foi entendendo o que é o coletivo, o coletivo hoje é um lugar que media o acesso da população a políticas públicas e oportunidades diversas, programas do governo do estado, outros do próprio município, do sistema de justiça, e a gente vai com isso qualificando o acesso dessa população.”

Atualmente, cada coletivo conta com uma equipe técnica com psicólogos, assistentes sociais, jovens aprendizes, além da coordenação própria de cada unidade.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e grupo de Telegram.