

Na manhã deste domingo (12), a Avenida Noide Cerqueira, em Feira de Santana, foi palco da 2ª Caminhada de Conscientização do Autismo. O evento reuniu famílias, profissionais e apoiadores da causa em uma mobilização voltada à inclusão, ao respeito e à disseminação de informações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Entre os participantes estava a mãe Antônia Naiara, que destacou a importância do acolhimento não apenas às crianças, mas também às famílias. Ela é mãe de uma adolescente de 12 anos diagnosticada com autismo nível de suporte 1 e ressaltou o papel fundamental do apoio terapêutico e emocional no desenvolvimento da filha.

Segundo Naiara, eventos como a caminhada contribuem para ampliar o olhar da sociedade sobre a inclusão.

“Não se trata apenas de inserir a criança em terapias, mas de acolher toda a família, que é essencial para o desenvolvimento dela”, afirmou ao Acorda Cidade.

Ela também relatou os desafios enfrentados no dia a dia, especialmente em relação às demandas emocionais e comportamentais, além do preconceito ainda presente.
“As pessoas ainda julgam pela aparência, dizem que ‘não tem cara de autista’, sem entender que o autismo é um espectro”, pontuou.

A mãe também chamou atenção para situações de desregulação emocional, comuns em crianças com TEA, que podem ocorrer diante de frustrações simples.
“Nem sempre ela consegue compreender que pode esperar. Isso pode gerar choro e até comportamentos como se beliscar”, explicou.

Além de participante, Naiara também atua como atleta de corrida de rua na categoria PCD e destacou o incentivo ao esporte como ferramenta de inclusão e qualidade de vida.
Uma das coordenadoras do evento, Laissa Cerqueira Lima, explicou que a caminhada teve como principal objetivo promover mais inclusão na cidade.

“Queremos vestir a camisa do respeito, do cuidado e do acolhimento, mostrando à população a importância de incluir essas crianças no convívio social”, destacou em entrevista ao Acorda Cidade.

Para ela, a falta de conhecimento ainda é um dos principais obstáculos.
“Quanto mais as pessoas entenderem o que é o autismo, mais fácil será respeitar e incluir”, disse. A programação contou com atividades lúdicas, presença de profissionais da área e distribuição de materiais informativos para conscientizar o público.

Laissa também comentou sobre o aumento no número de diagnósticos. Segundo ela, isso está diretamente ligado ao avanço da informação e da ciência.
“Hoje temos mais conhecimento, o que facilita a identificação e o encaminhamento dessas crianças para acompanhamento adequado”, explicou.

A administradora do grupo Neuroinfância, Juliana Gonzaga de Queiroz, reforçou a importância da iniciativa para dar visibilidade à causa.

“É fundamental sensibilizar a sociedade para entender que o autismo exige cuidado e atenção, não só com as crianças, mas com toda a família”, destacou.
Ela ainda ressaltou que a inclusão continua sendo um grande desafio, não apenas para pessoas com TEA, mas para todos os públicos com deficiência.

“Precisamos fortalecer políticas públicas e promover melhorias para garantir uma sociedade mais igualitária e inclusiva”, concluiu.
O evento foi aberto ao público e contou com a participação de diversas famílias, consolidando-se como um espaço de troca, acolhimento e fortalecimento da luta por mais inclusão em Feira de Santana.
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Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade
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