18 de April de 2026
Unidos pelo Samba
Unidos pelo Samba | Foto Kaio Vinícius/ Acorda Cidade
A programação, que homenageou o teatro feirense, teve início às 15h e seguiu até as 21h30. O dia foi marcado por arte e confraternização.
Unidos pelo Samba
Unidos pelo Samba | Foto Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

O Centro de Convenções, em Feira de Santana, foi palco de uma das maiores manifestações artísticas e culturais da cidade. O Coletivo Unidos pelo Samba realizou, no domingo (12), a segunda edição da Roda de Samba, reunindo público, artistas, trancistas e expositores e alcançando a marca de 4 mil pessoas no espaço.

Unidos pelo Samba
Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

A programação, que homenageou o teatro feirense, teve início às 15h e seguiu até as 21h30. O dia foi marcado por música, dança e confraternização, valorizando artistas locais e reforçando espaços de resistência cultural.

Unidos pelo Samba
Unidos pelo Samba | Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

Em entrevista ao Acorda Cidade, a diretora de espaços culturais da Bahia, Larissa Santana, destacou a importância do evento para o fortalecimento da cultura local. “Tenho certeza de que o Unidos pelo Samba vai crescer cada vez mais. As portas do Teatro e do Centro de Convenções estão abertas para o grupo, assim como todos os nossos espaços culturais”, afirmou.

Larissa Santana, diretora de Espaços Culturais da Bahia | Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

Fundação

Criado em 2015 por cantores e músicos feirenses, o coletivo tem como proposta fortalecer a cultura do samba na cidade. Atualmente, o evento acontece no Centro de Convenções de Feira de Santana, espaço que, segundo Vânia Assis, da gestão do Unidos pelo Samba, é “a cara do projeto” e onde o grupo pretende permanecer, mesmo diante da incerteza sobre o retorno para o espaço do Amélio Amorim, que está passando por reformas.

vania assis
Vânia Assis, gestora do Unidos pelo Samba | Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

Evento

Tradicionalmente realizado aos domingos, uma vez por mês, o evento agora possui datas mais definidas devido à estabilidade do local. O público é muito diversificado, acolhendo adultos, crianças e idosos e reforçando a ideia de que quem gosta de samba faz parte do coletivo.

“A nossa expectativa é que realmente cresça. E o que eu sempre falo é que o Unidos pelo Samba não é só uma roda de samba, nós temos um legado importante a deixar na cultura de Feira de Santana. Essa é a nossa ancestralidade. Nós esperamos que o samba continue, que o samba nunca morra”, disse Vânia.

Mimiro Raridade, do Unidos pelo Samba

Representando o Coletivo Unidos pelo Samba, o cantor Mimiro Raridade afirmou que faz parte do grupo desde a fundação. Sobre a evolução do projeto, o cantor diz que foi um trabalho de “formiguinha”. “Até hoje nós estamos labutando, aprendendo com os meninos, com as meninas e fortalecendo o samba em Feira de Santana.”

Cantor Mimiro Raridade | Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

Para Mimiro, o espaço, que reuniu cerca de 4 mil pessoas, é motivo de gratidão. “É uma satisfação muito grande e, com certeza, a nossa responsabilidade aumenta a cada apresentação. Sabe o que me impressiona? É que a gente faz as coisas raras da vida. Nós fazemos o samba, que é centenário. A gente tem um público de 70, 75% de jovens e, com certeza, isto, para a gente, é muito gratificante: ver a juventude cantando o samba de raiz.”

Público

Guilherme Carneiro marcou presença no evento e afirmou ao Acorda Cidade que o samba é uma ótima oportunidade de valorização da cultura, além de permitir que o público conheça o espaço do Centro de Convenções.

“Precisamos ainda mais continuar promovendo esse tipo de evento na cidade, porque eu acredito que a cidade está carente de questões culturais, de eventos que favoreçam ainda mais a diversidade.”

Guilherme Carneiro | Foto: Beatriz Rosado/ Acorda Cidade
Foto: Kaio Vinícius/Acorda Cidade

Teatro feirense

Já que o tema desta edição foi uma homenagem ao teatro feirense, é claro que grupos teatrais não poderiam ficar de fora. Em entrevista ao portal, a companhia Sertão Preto, primeiro grupo de teatro negro e independente de Feira de Santana, representada e fundada por Keu Costa, ressalta a importância histórica do evento.

“É a primeira vez que eu vejo um coletivo de samba, um coletivo musical, homenagear a arte cênica de Feira de Santana. Então, assim, é histórico, é de uma representatividade enorme, porque, de qualquer forma, integra toda a potencialidade cultural e artística de Feira de Santana, unindo o teatro e a música. E o teatro negro é justamente isso, essa união das culturas negras. É o teatro, é a música, é a dança, é a nossa espiritualidade. Esse evento é uma síntese de tudo que é o teatro negro”, afirmou ao Acorda Cidade.

Marcinha Costa, Keu Costa e Tohn Moreira | Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

A companhia foi fundada em meados de 2019, após uma das integrantes participar de uma oficina de teatro negro com o Bando de Teatro Olodum. Atualmente, conta com cinco membros de formações diversas, entre professores, jornalistas e psicólogos. “O que nos une é justamente essa potencialidade, essa força que a gente quer desenvolver aqui em Feira de Santana com o Teatro Negro”, afirmou Keu Costa.

Arte em tempo real

Um dos artistas presentes no evento foi Igor Aquino, também conhecido como Astronauta de Mármore. Durante a programação, Igor desenvolveu uma obra de arte em tempo real para retratar o momento.

A arte consiste em uma colagem analógica, utilizando materiais como revistas e recortes para capturar a energia e o estilo do local e da música.

Igor Aquino – Astronauta de Mármore | Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade
Unidos pelo Samba reúne 4 mil pessoas no Centro de Convenções
Foto: Beatriz Rosado/ Acorda Cidade

Estandes

Estandes de tranças também marcaram presença no samba. Em entrevista ao Acorda Cidade, Sol explicou que as mulheres têm pedido, principalmente, tranças centralizadas, coroinhas no topo ou nas laterais, enquanto os homens preferem tranças embutidas ou mais soltas.

Sol Dreadmaker | Foto: Kaio Vinícius/ Acorda Cidade

Segundo ela, a principal motivação para a escolha dos penteados é o tema proposto pelo próprio evento. Por isso, levou materiais que combinassem com as referências escolhidas pelos clientes.

Espaços como este reforçam a identidade cultural feirense e deixam no público um gostinho de quero mais, afinal, como diz o verso, “não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar”, o samba segue vivo na cidade.

Com informações do jornalista Kaio Vinícius, do Acorda Cidade.

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