

No embalo do Dia Mundial do Café, celebrado nesta terça-feira (14), dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a Bahia continua entre os principais produtores do grão no Brasil, mas deve enfrentar uma queda na safra em 2026. Ao mesmo tempo, o café moído, indispensável na mesa do brasileiro, segue como um dos itens que mais impactaram a inflação nos últimos anos, especialmente na Região Metropolitana de Salvador.
A previsão é que o estado colha cerca de 227,9 mil toneladas de café em 2026, o que representa 5,9% da produção nacional. Mesmo com o volume expressivo, a Bahia deve registrar uma redução de 12,9% em relação a 2025, quando foram produzidas 261,6 mil toneladas.
Ainda assim, o estado se mantém na quarta posição no ranking nacional, atrás apenas de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, estados historicamente ligados à cafeicultura brasileira.
Produção tem perfil definido
Na Bahia, o café do tipo canephora segue predominante. Em 2026, ele deve representar quase 60% de toda a produção estadual, com cerca de 133 mil toneladas. Já o café do tipo arabica responde por pouco mais de 40%, com estimativa de 94,8 mil toneladas.

Os principais municípios produtores reforçam essa divisão. No extremo sul, cidades como Itamaraju, Prado e Porto Seguro concentram a produção de canephora. Já no sudoeste, Barra da Estiva e Barra do Choça se destacam com o cultivo de arabica.
Em números absolutos, Itamaraju lidera a produção no estado, seguido por Prado, Barra da Estiva, Porto Seguro e Barra do Choça.
Café movimenta bilhões na Bahia
Além de tradição, o café também representa um peso importante na economia baiana. Em 2024, foi responsável pelo quarto maior valor de produção agrícola do estado, movimentando R$ 4,023 bilhões.

O resultado coloca o café atrás apenas de culturas como soja, cacau e algodão. E o crescimento chama atenção: houve um aumento de 47,7% em relação a 2023, sendo o maior valor registrado desde a implantação do Plano Real, em 1994, segundo o IBGE.
Inflação
Se no campo o café gera riqueza, no bolso do consumidor ele tem sido motivo de preocupação. O cafezinho do dia a dia foi um dos principais responsáveis pela alta da inflação na Região Metropolitana de Salvador nos últimos dois anos.
Em 2024, o café moído teve aumento de 42,68%, a maior alta entre todos os itens analisados pelo IBGE. Já em 2025, o preço voltou a subir forte, com alta de 42,91%, ficando entre os maiores reajustes.
Por outro lado, 2026 começou com um alívio: no primeiro trimestre, o preço do café apresentou uma leve queda de 1,03%, segundo dados do IPCA-15.
Matéria produzida pelo estagiário de jornalismo Davi Cerqueira sob supervisão de Gabriel Gonçalves
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