14 de April de 2026
Foto: Wilson Militao
Lançamento acontece no estande da Editora Arpillera, na Bienal do Livro da Bahia, na próxima sexta, às 19h
Foto: Wilson Militao

Entre o sopro leve que cria a bolha e o peso silencioso das marés que nos afogam, existe um intervalo — e é nele que vive Entre Bolhas e Marés, o novo livro de crônicas da escritora e jornalista Fernanda Carvalho. A obra mergulha nos dilemas da mulher moderna: ora suspensa no ar, delicada e translúcida como uma bolha de sabão refletindo o mundo em cores iridescentes; ora tragada por correntes invisíveis, afundando em expectativas, cobranças e silêncios que pesam mais do que deveriam.

O lançamento do novo livro da escritora baiana acontece no estande da Editora Arpillera (D13 Asa B), no próximo dia 17 de abril, às 19h, durante a Bienal do Livro da Bahia. “A literatura para mim é um respiro. Um espaço para lidar com os sufocamentos diários, elaborar conflitos internos, transbordar e me reinventar para seguir com mais leveza. Nesse exercício de expressão e liberdade, outras mulheres se enxergam e se reconhecem através das crônicas que escrevo”, comenta a autora.

Cada crônica é um respiro — ou um quase-afogamento. Fernanda escreve sobre os instantes em que tudo parece leve demais para ser real, e sobre aqueles momentos em que o ar falta, mesmo com o peito cheio. Fala de escolhas que escorrem pelas mãos, de identidades que se expandem e se rompem, de afetos que sustentam, elevam e também pesam angustiam e nos fazem submergir. “O movimento de contração e expansão da vida tem uma poética desafiadora. Há beleza na superfície, mas é na profundidade que ela se revela por inteiro”, avalia.

Com 128 páginas, Entre Bolhas e Marés reúne 24 crônicas, que foram publicadas desde o lançamento do livro de estreia, nos portais BAdeValor e Correio*, onde a autora escreve atualmente. Maternidade, os desafios de criar filhos atípicos, dar conta de cuidar dos filhos e dar suporte para os pais, luto e a relação redentora com a arte são alguns dos temas abordados. “A leitura é um convite ao mergulho — mesmo quando não sabemos nadar — e à contemplação dos instantes íntimos e mágicos em que simplesmente transcendemos”, define a autora.

Com a marca de cuidado da Editora Arpillera, Entre Bolhas e Marés nasce de um processo artesanal, pensado em cada etapa — do texto à materialidade do livro. É uma obra feita com sensibilidade e presença, com a delicadeza de quem sopra uma bolha com o desejo de que ela dure mais um instante bailando no ar. Cada exemplar carrega esse toque humano, imperfeito e bonito, que transforma a leitura em algo ainda mais íntimo. Como uma bolha, a mulher contemporânea flutua entre múltiplos papéis, desejos e urgências. Como o mar, carrega dentro de si uma força indomável, capaz de aquietar, acolher e quase nos engolir. “Entre Bolhas e Marés nasce de um encontro bonito entre a escrita sensível de Fernanda e o fazer artesanal da Arpillera. Sempre tentamos captar a essência do texto e pensar nos materiais, nas intervenções que mais combinam. Para esta obra, escolhemos um papel com partículas azuis, combinando com a leveza líquida do livro, e fizemos um recorte do rosto da capa, dando destaque à imagem feminina. É um livro em que texto e materialidade se aproximam pela delicadeza”, comenta Yara Fers, uma das fundadoras da Editora Arpillera.

Quem é a autora?

Fernanda Carvalho é escritora, jornalista e cronista. O desejo de publicar seu primeiro livro nasceu com a gestação e ganhou forma com A Luz da Maternidade – Relatos de Parto sem Dor conduzidos por Gerson de Barros Mascarenhas (Editora Inverso, 2022). A estreia na literatura foi um marco, permitindo que a escrita técnica abrisse espaço para uma narrativa mais sensível e autoral. Escreveu para o BadeValor, atualmente é cronista do Correio*. Do silêncio das vivências íntimas emergem seus textos literários que despertam identificação com as leitoras. Dedica-se também à Biblioterapia, criando e mediando projetos que utilizam a literatura como ferramenta de cuidado, escuta e transformação. Um desses projetos foi aprovado pela Lei Rouanet, reafirmando o poder transformador da palavra.

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