15 de April de 2026
Bahia
Leomar da Silva | Foto: Paulo José / Acorda Cidade
O evento, que reuniu mais de 200 participantes, teve como foco o desafio de alfabetizar crianças na idade certa na Bahia.
Bahia
Leomar da Silva | Foto: Paulo José / Acorda Cidade
Longe das telas e mais perto da natureza; crianças aproveitam dia de brincadeiras ao ar livre no Parque da Cidade
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) foi sede nesta terça-feira (14) do Encontro Territorial do Movimento Bahia pela Educação, voltado para prefeitos, secretários e articuladores públicos.

O evento, que reuniu mais de 200 participantes de 68 municípios, teve como foco o desafio de alfabetizar crianças na idade certa, além de debater as novas regras de financiamento educacional.

Embora o estado tenha registrado um crescimento recente nos índices de alfabetização, especialistas apontam que muitas prefeituras baianas ainda perdem verbas federais importantes. O principal motivo pode estar ligado ao não cumprimento de metas ligadas à redução das desigualdades educacionais e à falta de critérios técnicos na gestão escolar.

Para a reportagem do Acorda Cidade, a coordenadora do movimento, Daniela Bitencourt, explicou que alfabetizar na idade certa significa garantir que o aluno conclua o segundo ano do ensino fundamental sabendo ler, escrever e compreender pequenos textos.

Daniela Bitencourt,
Daniela Bitencourt | Foto: Paulo José / Acorda Cidade

“Nós estamos aqui discutindo no primeiro momento esse desafio, também trazendo cases de sucesso. Estamos aqui com a cidade de Novo Horizonte, que é uma cidade que está alfabetizando as crianças na idade certa e que possui um alto índice [na qualidade do ensino]”, disse Daniela.

A coordenadora ressaltou que o planejamento estratégico dos gestores é essencial para mudar a realidade da sala de aula, influenciando diretamente a formação docente e a escolha do material didático.

“Trabalhamos com programas de alfabetização responsável, em que estamos indo em cerca de 30 municípios mais desafiadores para fazer formação com professores. São 40 horas de formações e, além disso, a gente reconhece que a Bahia aprende com a Bahia, existem boas práticas aqui, por isso trouxemos Novo Horizonte”, disse Daniela.

Para a reportagem do Acorda Cidade, a coordenadora justificou a escolha de Feira de Santana como sede para esta edição do movimento. Daniela afirmou que a cidade, conhecida como Princesa do Sertão, é um verdadeiro ponto de encontro para quase todas as regiões do estado.

“Feira de Santana é onde todo mundo chega, é onde todo mundo passa, a gente não poderia deixar de estar aqui. Além de Feira, a gente já foi para Juazeiro, Ilhéus, iremos para Vitória da Conquista, para Barreiras e também para Salvador”, disse.

Modelos de financiamentos

No que diz respeito aos recursos, o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Leomar da Silva, alertou que o financiamento público mudou de formato. Ele explicou que o modelo antigo focava apenas na quantidade de matrículas, enquanto o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) foca na aprendizagem real de cada aluno, na equidade e na gestão escolar.

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Leomar da Silva | Foto: Paulo José / Acorda Cidade

“Não é só uma política de recurso, também é uma política que foca nessas questões. Mais escola, mais gestão. Então, o que o município tem que fazer? Ele tem que entender como que a sua rede está, como está funcionando e conhecer mais a rede, porque, no modelo antigo de financiamento, era uma política redistributiva. Hoje, a aprendizagem de cada aluno importa”, disse.

O pesquisador detalhou para a reportagem do Acorda Cidade que o novo Fundeb possui complementações específicas, como o VAF (piso de investimento por aluno), o VAAT (com 50% dos recursos voltados obrigatoriamente à educação infantil) e o VAAR, que premia redes com bons resultados.

Silva ainda destacou que o VAAR é exatamente o recurso que muitos municípios têm deixado de arrecadar, pois falham na missão de diminuir as desigualdades educacionais.

“Principalmente pela questão da desigualdade. Essa é uma das componentes do VAAR que são mais importantes, a desigualdade educacional, fazer com que o aluno, independente de onde ele seja, esteja aprendendo. Então isso a nível nacional e na Bahia é uma coisa que é muito problemática”, disse Silva.

Para evitar a perda de repasses federais no futuro, Leomar da Silva argumentou que a solução não passa apenas pela administração financeira, mas por uma mudança na gestão educacional.

O pesquisador ainda orientou que as prefeituras implementem a análise constante de dados para monitorar o desempenho, intervir precocemente e tomar decisões baseadas em evidências, garantindo que as exigências do Ministério da Educação sejam cumpridas.

Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade

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