

Enquanto grande parte da população aproveitou o descanso do feriado do Dia do Trabalhador, milhares de profissionais seguiram na ativa para garantir que a cidade continuasse funcionando normalmente. Segurança, transporte, comércio informal e tantos outros serviços essenciais não pararam neste 1º de Maio em Feira de Santana.
Nas ruas, o trabalho seguiu como em qualquer outro dia, porque, para muita gente, o feriado também é dia de cumprir missão, garantir renda e manter a rotina de quem depende daquele serviço.
“PMBA, uma Força a serviço do cidadão!”
Na Praça Dona Pomba, onde sindicatos e movimentos sociais realizaram um ato em defesa dos direitos da classe trabalhadora, o major Djomar, comandante da 64ª CIPM e superior do dia no plantão da Polícia Militar, acompanhou a movimentação garantindo a segurança do espaço. Para ele, a data tem um significado ainda mais simbólico.
“A data do Dia do Trabalhador é uma data singular na qual é comemorado o dia daqueles que fazem com que o nosso país cresça, o trabalhador, e que tem que receber a devida importância”, afirmou.
Para os policiais militares, no entanto, não há pausa no calendário. O compromisso com a segurança pública exige presença permanente.

Nós, como policiais militares, nós não temos feriado. Nós não trabalhamos só de dia, nós trabalhamos de noite. É 24h antenados trabalhando em prol da segurança pública e consequentemente em prol da sociedade baiana. É uma honra estar trabalhando neste dia. Pior seria se não estivéssemos trabalhando, porque existem muitas pessoas que necessitam trabalhar e não têm a dignidade do trabalho. Sabemos que passamos dias difíceis e aqueles que têm assegurado o seu ganha pão têm que colocar as mãos para o céu e agradecer muito ao criador porque está trabalhando. E eu faço isso todos os dias, inclusive agradecendo por estar trabalhando neste dia tão especial que é o dia do trabalhador que se comemora no 1º de maio no Brasil.”
Mais do que uma obrigação profissional, ele define a atuação como um compromisso assumido desde o início da carreira.
“Quando assinamos o contrato com o Estado para sermos policiais militares, já sabemos que não vamos ter feriado. Já sabemos que não vamos ter algumas situações que o trabalhador comum tem. Somos militares estaduais, somos estatutários e já sabemos que iremos receber o soldo e nada mais e assim se faz.”

“Inclusive fazemos um juramento quando nos formamos até com risco da própria vida. Nós temos visto ao longo da história muitos policiais militares que realmente derramam o seu sangue em prol da sociedade baiana e nacional”, acrescentou.
Um trabalhador patrimônio da cidade 🍬
No Centro da cidade, entre a movimentação da Avenida Senhor dos Passos e a memória viva de quem conhece a história de Feira de Santana, seu Walter Perdiz Justo, de 77 anos, segue no mesmo ponto há mais de meio século. Vendendo cigarros e doces em sua pequena barraca, ele se tornou quase um patrimônio afetivo da cidade.

Antes da barraca, seu Walter viveu outra parte importante da história feirense: trabalhou por mais de 40 anos como operador de cinema no antigo Cine Teatro Íris, um dos espaços mais tradicionais da memória cultural da cidade. Inaugurado em 1944, o Cine Íris marcou gerações e foi cenário de encontros, matinês de domingo e da paixão de muitos feirenses pelos filmes de faroeste, romances e grandes clássicos de Hollywood.

“Estou vendendo aqui há 54 anos. Vendo cigarro, doces. Eu era operador de cinema. Trabalhava no cinema e a barraca. A barraca era maior do que essa”, contou.
Mesmo aposentado, seu Walter nunca abandonou a rotina de trabalho. Continua firme no ponto de segunda a segunda, inclusive nos feriados.

“É todos os dias. Sempre aqui. Sempre no feriado e tudo. Não paro nem dia de domingo. Vale a pena. É bom né sempre estou e estarei aqui. Dá para distrair. Dá para levar a vida.” Mesmo trabalhando seu Walter desejou um bom dia de descanso e de diversão a todos os trabalhadores.
Neste 1º de Maio, enquanto muitos aproveitaram o merecido descanso, histórias como a do major Djomar e de seu Walter lembraram que o trabalho também é presença, dignidade e resistência. Seja na farda ou atrás de uma pequena barraca, são eles, e tantos outros trabalhadores invisíveis no feriado, que fazem a cidade continuar funcionando quando quase tudo parece parar, inclusive, a jornalista que escreveu essa notícia neste feriado do Dia do Trabalhador.
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